Estreia

A minha primeira vez no Estoril (e logo ao volante de um Renault Mégane R.S. Trophy)

Quis o destino que a minha estreia no Estoril fosse aos comandos de um Mégane R.S. Trophy e debaixo de chuva torrencial. Receita para o desastre?

Até há bem pouco tempo, o meu conhecimento do Autódromo do Estoril resumia-se aos… jogos de computador. Para além disso, tendo em conta que nunca tinha sequer conduzido num circuito, quando me disseram que o meu “batismo de fogo” em pista ia ser feito aos comandos de um Renault Mégane R.S. Trophy no Estoril, dizer que fiquei entusiasmado é demasiado simples.

Infelizmente, e a provar a regra imposta pela lei de Murhpy de que o que tiver de correr mal vai correr da pior forma e na pior altura possível, São Pedro não me decidiu fazer a vontade e reservou uma tremenda chuvada precisamente para o dia em que estava reservada a minha ida ao Estoril.

Portanto, vamos recapitular: “piloto” sem experiência, um hot hatch conhecido por gostar de soltar a traseira, um circuito que praticamente desconhecia e uma pista completamente encharcada. À primeira vista parece uma receita para o desastre não parece? Felizmente, não foi bem assim.

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Renault Mégane RS Trophy
Mesmo numa pista encharcada, o Mégane R.S. Trophy revela-se eficaz, temos é de ir um pouco mais devagar do que gostaríamos.

Primeiro objetivo: memorizar o circuito

Mal cheguei à box onde estava o Renault Mégane R.S. Trophy, a primeira coisa que ouvi foi: “atenção à reta interior que do lado esquerdo tem muita água e faz aquaplanning”. Enquanto os outros jornalistas acenavam em concordância dei comigo a pensar “mas onde é a reta interior?”. Era oficial, estava mais perdido que o James May na pista do Top Gear.

Calmamente procurei conhecer o traçado do circuito com recurso à única ferramenta que tinha por perto: o símbolo do autódromo que surge na bancada principal! Tão depressa como comecei a usar esse método também o abandonei, pois rapidamente me apercebi que daquela forma não ia a lado nenhum.

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Renault Mégane R.S. Trophy
Com exceção de uma tentativa de a traseira ultrapassar a frente à entrada da reta da meta, a minha curta experiência com o Mégane R.S. Trophy em circuito correu às mil maravilhas.

Sem querer desistir da oportunidade de conduzir no mesmo circuito onde o famoso Ayrton Senna conquistou a sua primeira vitória na Fórmula 1 (e curiosamente debaixo de igual intempérie), decidi aproveitar um colega de profissão que foi dar uma volta no carro conduzido por um piloto e fui à boleia.

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Nessas duas voltas aproveitei não só para tentar memorizar o circuito (tarefa na qual não posso dizer que tenha sido totalmente bem sucedido) como para ver como se comporta o Mégane RS Trophy quando conduzido no seu habitat natural e por alguém que chama ao Autódromo do Estoril a sua segunda casa.

Agora era a minha vez

Apesar de já ter tido a oportunidade de conduzir o Mégane R.S. Trophy no pára-arranca lisboeta, andar com ele em circuito é a mesma coisa que ver um leão no Zoo e na savana. O animal é o mesmo, no entanto o comportamento dele muda como da noite para o dia.

No entanto, se no seu habitat natural o leão se mostra mais perigoso, acontece exatamente o contrário com o Mégane. A direção que no trânsito suburbano se tinha revelado pesada, em circuito revela o peso certo para oferecer confiança a um estreante como eu e a embraiagem que havia considerado brusca, revela-se perfeita para mudanças de relação mais apressadas.

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Renault Mégane R.S. Trophy
Ao longo da pista havia uma série de cones para indicar os pontos de travagem e a trajetória ideal. Principal objetivo? Não lhes acertar!

Assim, o que te posso dizer acerca do Mégane R.S. Trophy em pista é que os limites do condutor surgem mais cedo que os do carro. Apesar da tendência de soltar a traseira, as reações são facilmente controláveis, com o Mégane a revelar um comportamento mais eficaz que divertido, mesmo debaixo de um dilúvio, algo para o qual contribui o eixo traseiro direcionável.

A inserção em curva oferece confiança e os travões revelam-se mais que capazes de suportar abusos sem acusar fadiga. Quanto ao motor, é progressivo a subir de regime e os seus 300 cv oferecem prestações que é melhor estarem confinadas aos circuitos (ou a estradas desertas sem radares). Já o escape, dá vontade de estar sempre a acelerar só para o ouvir.

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Renault Mégane R.S. Trophy
O diferencial autoblocante Torsen minimiza as perdas de tração à saída das curvas, mesmo debaixo de chuva e quando aceleramos a fundo.

No fim das minhas duas (curtas) voltas aos comandos do Mégane R.S. Trophy e terminada a minha estreia num asfalto que considero “solo sagrado” as duas conclusões a que cheguei foram simples. A primeira foi de que o Mégane R.S. Trophy se sente muito melhor em pista do que na via pública. A segunda era: tenho de voltar ao Estoril!

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