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Bastam umas linhas de código. Model 3 Performance ganha Track Mode

O Tesla Model 3 Performance ganhou um Track Mode. Após a desilusão dinâmica inicial, bastou alterar umas "linhas de código" para se comportar como deve ser.

Na mais recente atualização de software recebida, o Tesla Model 3 Performance ganhou um Track Mode, ou seja, um modo de condução específico para circuito, que transforma o comportamento da berlina norte-americana para algo mais ágil e mais apto em condução ao ataque.

Sim, uma “simples” atualização de software permitiu alterar o comportamento do Tesla Model 3. Como? Bem vindos ao séc. XXI, onde é possível calibrar uma série de parâmetros, desde a ação dos motores elétricos, à distribuição regenerativa de travagem, conseguindo alterar dessa forma a sua atitude dinâmica.

No que consiste?

Essencialmente, o Track Mode passa a dar mais primazia ao eixo traseiro durante o ato de curvar, permitindo que mais força (binário) provenha do motor elétrico aí instalado, de modo a que a traseira do carro “rode”, atenuando ou até evitando a subviragem, com o motor dianteiro a intervir de forma mais vigorosa apenas em risco de despiste.

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Tesla Model 3 Performance

A complementar esta ação temos um sistema de vetorização de binário que imita a operação de um diferencial autoblocante através de pequenas intervenções dos travões e motores elétricos.

Em teoria poderá permitir drifts expressivos, mas controlados…

O Track Mode do Tesla Model 3 também aumenta a intensidade da travagem regenerativa — ajudando a poupar os travões mecânicos, apesar de a terem reduzido a baixas velocidades, para atenuar o efeito “travão-motor” —; assim como refrigeração melhorada, com o sistema a proativamente baixar a temperatura da unidade motriz e baterias, antes e após uma sessão em pista, forçando o compressor do ar condicionado a trabalhar a velocidades mais elevadas (overclocking).

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Tudo, novamente, apenas com uma atualização de software… Nada de ajustes na suspensão, como molas com nova taragem, ou amortecedores específicos. Apenas bits e bytes.

Um Tesla Model 3 precisa de Track Mode?

Obviamente que não, mas trata-se do Model 3 Performance, aquele que Elon Musk apontou como rival do BMW M3 — com 450 cv e 639 Nm instantâneos, tem os números certos para ir atrás da referência alemã, pelo menos em linha reta. No entanto, considerando os seus rivais, o Performance tem de demonstrar que é também capaz de curvar e entusiasmar como os seus rivais a combustão.

Daí surge o Track Mode. Na realidade esta é uma versão melhorada do mesmo, já que uma versão inicial tinha sido desenvolvida e dada a testar à americana Motor Trend, que tem em Randy Pobst, piloto veterano, a pessoa indicada para atestar as capacidades de qualquer carro em circuito.

Nessa primeira versão, e apesar do Model 3 Performance ter-se revelado rápido, o comportamento dinâmico desapontou, com o carro a ser inconsistente — originando até uma saída de pista a 145 km/h —, como Randy Pobst refere: “tinha a distinta impressão de me aproximar a uma curva a fundo e pensar “o que irá acontecer?””.

Tesla Model 3 Performance

Nem Randy gostou do que experienciou, nem os engenheiros da Tesla gostaram do seu veredito. Foi de tal forma impactante, que a Tesla entrou em contacto com Randy e poucas semanas após o teste, a marca norte-americana o contrataria para uma sessão de testes no circuito de Willow Springs para afinar o Track Mode do Tesla Model 3 Performance.

Um processo que se revelou mais excitante do que o habitual, já que as alterações eram feitas no momento, com o carro a deslocar-se rapidamente pelo circuito, ou seja, com Randy Pobst a dar o tudo por tudo, tendo sentado ao seu lado um engenheiro da Tesla e o seu portátil, fazendo alterações ao código no momento, permitindo verificar o efeito das alterações de forma imediata.

Foi fascinante ter um engenheiro sentado ao meu lado, a agarrar-se à vida, segurando um portátil e até a digitar nele enquanto eu conduzia com velocidade.

Randy Pobst

Mais rápido que um Giulia Quadrifoglio

O resultado, de acordo com Randy, é um carro que dá muito mais confiança no ataque às curvas, resiste melhor à subviragem — e até revela uma tendência para a sobreviragem à entrada das curvas, mantendo o nariz do carro a apontar para o sítio certo —, e permite esmagar o acelerador mais cedo à saída das curvas.

No circuito de Willow Springs, onde o primeiro teste ao Track Mode foi realizado, os ganhos por volta foram palpáveis. Na primeira versão do Track Mode, o Model 3 Performance conseguiu um tempo de 1min23,90s, respeitável, mas inferior aos 1min22,78s conseguidos pelo Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio testado na mesma ocasião.

Quando regressou a Willow Springs com o melhorado Track Mode, Randy Pobst conseguiu baixar o tempo do Model 3 Performance para os 1min21,49s, quase 2,5s a menos do que na tentativa anterior e quase 1,3s melhor do que o Giulia. Impressionante, mas… não foi apenas contributo das alterações do software — o tempo final foi conseguido com algumas alterações físicas.

O Model 3 Performance trocou os Michelin Pilot Sport 4S por uns mais “pegajosos” e largos (10 mm) Michelin Pilot Sport Cup 2; e as pastilhas também são novas, da Brembo, mais indicadas para trabalho em circuito.

De qualquer forma, o que se deve reter é o potencial da eletrónica presente, ao permitir até alterar a atitude dinâmica do automóvel, mexendo apenas em linhas de código — é um mundo novo…

Fonte: Motor Trend

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