Apresentação

Futuro elétrico e autónomo na Peugeot é um 504 Coupé retro-futurista

O Peugeot e-Legend é a visão da marca francesa para o futuro. Elétrico, autónomo e sempre conectado, não deixa, no entanto, de lembrar o passado.

Não deixa de haver algum sentido de ironia a rodear o Peugeot e-Legend. A marca francesa anuncia um futuro elétrico e autónomo, mas aquilo que vemos por fora vem claramente de um passado distante.

A referência ao elegante Peugeot 504 Coupé, desenhado com mestria pela Pininfarina, e que celebra o 50º aniversário sobre o seu lançamento, não podia ser mais evidente. O Peugeot e-Legend é um exercício de estilo retro-futurista, evocando o 504 Coupé nas proporções e gráficos, mas sem cair no puro “pastiche”.

O aspeto final, no entanto, parece trocar a elegância do coupé original por uma visão mais sofisticada e com mais músculo — de alguns ângulos quase que passaria como um muito americano muscle car.

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A evocativa carroçaria esconde, no entanto, o “carro do futuro”, ou seja, um automóvel 100% elétrico e também autónomo. Do lado elétrico, o e-Legend vem equipado com um conjunto de baterias com uma capacidade de 100 kWh, dois motores elétricos — um por eixo —, totalizando 340 kW (462 cv) e 800 Nm de binário, capazes de lançá-lo até aos 100 km/h em menos 4,0s e atingir os 220 km/h de velocidade máxima.

A autonomia máxima anunciada é de 600 km (WLTP), com a Peugeot a afirmar que bastam 25 minutos num posto de carga rápida para ter energia suficiente para mais 500 km, e com o carregamento a poder ser feito via indução (sem cabos).

Peugeot 504 Coupé
O Peugeot 504 foi apresentado em 1968, com o Coupé e Cabrio a chegar um ano depois, mantendo-se em produção até 1983. Ambos são distintos dos outros 504, ao assentar numa base um pouco mais curta, e sobretudo, devido às elegantes linhas com autoria da Pininfarina. A motorizar este coupé encontramos motores de quatro cilindros em linha com 1.8 e 2.0 partilhados com os restantes 504, mas receberia também o V6 PRV de 2.7 l, desenvolvido em conjunto com a Renault e Volvo. No total, entre o Coupé e Cabriolet, foram produzidas pouco mais de 31 mil unidades

Autónomo, mas também o podemos conduzir

Apesar de poder ser autónomo (nível 4), o Peugeot e-Legend tem volante e pedais, ou seja, podemos conduzi-lo — o que o torna imediatamente mais interessante, do nosso ponto de vista. 

Existem, assim, quatro modos de condução: dois autónomos e dois manuais. Do lado autónomo, temos o modo Soft e Sharp, onde no primeiro é privilegiado o conforto dos ocupantes, reduzindo a visualização de informações ao mínimo; enquanto no segundo, é privilegiada o máximo de conexão às atividades digitais, como por exemplo, às redes sociais.

Do lado manual, deparamo-nos com os modos Legend e Boost. O primeiro é um modo para cruising ou passeio, e até algo nostálgico — o painel de instrumentos surge com três mostradores similares aos do 504 Coupé. No modo Boost, o nome é auto-explanatório e fica à nossa disposição todo o potencial de performance e dinâmico do e-Legend.

Peugeot e-Legend

Interior adaptável

O interior adapta-se a cada um dos modos de condução. Graças à tecnologia by wire (por fio, sem ligações mecânicas), quando num dos modos autónomos, o volante recolhe sob a barra de som da Focal (que domina o tablier), tornando totalmente visível um enorme ecrã de 49″; surgem apoios de braço laterais (com espaços de arrumação) e os bancos da frente inclinam-se.

Por falar em ecrãs, como se o de 49″ não fosse suficiente, o Peugeot e-Legend integra no total 16 ecrãs no interior(!). As portas apresentam ecrãs de 29″ (que “prolongam” o de 49″ frontal) e nem as palas de proteção do sol escaparam, integrando um ecrã de 12″. Grande parte dos controlos são substituídos por um ecrã tátil de 6″ e um comando físico rotativo.

Como nota, o regresso do veludo aos interiores, tal como acontecia com o Peugeot 504 Coupé, mas aqui misturado com uma malha técnica moderna, e visível nos expressivos bancos.

Mas porquê esta “viagem ao passado”?

O Peugeot e-Legend é intrigante devido à fusão entre do ontem com o amanhã. De acordo com a Peugeot, apesar de elétrico e autónomo, o automóvel do futuro não tem de ser aborrecido e esquecer mais de um século de história automóvel.

Ao contrário das “caixas com rodas” totalmente autónomas (ainda que apresentem um aspeto futurista), que temos visto por parte de alguns construtores, a marca francesa foi ao passado buscar a carga emocional necessária que ajuda a manter a chama dos entusiastas acesa. Será este o caminho a seguir, revisitando o passado?

A Peugeot não é a única a apostar nesta via retro antecipando o futuro — a Honda causou muito boas impressões com os Urban EV e Sports EV, e a Volkswagen prepara-se para recuperar a “Pão de Forma”, também 100% elétrica, antecipada pelo I.D. Buzz.

Dificilmente o Peugeot e-Legend passará à produção, mas antecipa o que poderemos esperar da marca francesa no futuro, seja no plano tecnológico, e até, possivelmente, no plano visual, com o evocar de traços ou pormenores dos modelos mais marcantes da sua longa história.

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