Chega em setembro

Testámos o novo Audi A6 (geração C8) em Portugal. Primeiras impressões

A Audi escolheu Portugal para apresentar internacionalmente a sua mais recente colheita, o novo Audi A6 (geração C8). Nas próximas linhas vou contar-te as minhas sensações, pelas estradas do Douro Vinhateiro, ao volante do novo executivo alemão.

Em Douro, Portugal

A expectativa não podia ser maior. Como sabes, a Audi foi o último dos «três gigantes» alemães a renovar o seu executivo de segmento E. O tiro de partida foi dado pela Mercedes-Benz em 2016, com o Classe E (geração W213), seguiu-se a BMW em 2017 com Série 5 (geração G30) e, finalmente a marca dos anéis, com o Audi A6 (geração C8) que vai chegar ao mercado ainda este ano.

Por ser a última marca a mostrar os seus trunfos e a primeira a conhecer os truques da concorrência, a Audi tinha a obrigação de fazer tão bem ou melhor que esta. Ainda para mais numa altura em que a concorrência direta não se cinge apenas aos rivais alemães — surge de todos os lados, principalmente do Norte da Europa.

Audi A6 (Geração C8) a demorada resposta

Estou a tentar fugir ao típico «quem ri por último ri melhor», mas efetivamente a Audi tem motivos para sorrir. Por fora, o Audi A6 (geração C8) parece um Audi A8 que foi ao ginásio, perdeu uns quilos e ficou mais interessante. Por dentro, encontramos muitas tecnologias decalcadas do porta-estandarte da marca. Ainda assim, o novo Audi A6 é um modelo com identidade própria.

Faz swipe na galeria de imagens, para veres todos os detalhes do exterior:

Em termos de plataforma, voltamos a encontrar a MLB-Evo que já conhecemos de modelos como o Audi A8 e Q7, Porsche Cayenne, Bentley Bentayga e Lamborghini Urus.

Com esta plataforma MLB, a Audi conseguiu manter o peso do A6 apesar do incremento gigantesco de tecnologia ao serviço dos ocupantes.

Em estrada, o novo Audi A6 sente-se mais ágil que nunca. O eixo traseiro direcional (disponível nas versões mais potentes) faz milagres pela agilidade do conjunto e a suspensão apresenta uma afinação soberba seja qual for a versão — há quatro suspensões disponíveis. Há uma suspensão sem amortecimento adaptativo, outra mais desportiva (mas também sem amortecimento adaptativo), outra com amortecimento adaptativo e no topo da gama, uma suspensão pneumática.

Testei todas estas suspensões à excepção da versão mais desportiva sem amortecimento adaptativo.

A suspensão mais simples de todas já oferece um compromisso muito interessante entre eficácia e conforto. A suspensão adaptativa incrementa a resposta em condução mais empenhada mas não acrescenta muito em termos de conforto. Quanto à suspensão pneumática, segundo um dos técnicos da Audi com quem tive oportunidade de falar, os ganhos só são perceptíveis quando circulamos com a lotação esgotada.

A sensação com que fiquei — e que carece de um contacto mais prolongado — é que neste particular a Audi talvez tenha levado a melhor sobre a sua mais direta concorrência. E nem precisam de optar pelo Audi A6 com a suspensão mais evoluída, mesmo a suspensão mais simples já é muito satisfatória.

O Rio Douro a servir de pano de fundo ao Audi A6.

Interior à prova de críticas

Tal como por fora há semelhanças manifestas com o Audi A8, por dentro voltamos a encontrar soluções inspiradas no «irmão maior». Tal como no exterior, também no interior a diferenciação faz-se ao nível dos detalhes e da postura mais desportiva do habitáculo, com linhas mais angulares e focadas no condutor. Quanto à qualidade de montagem e dos materiais, está tudo ao nível do que a Audi já nos habituou: impecável.

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Face à sétima geração do A6, o novo Audi A6 perdeu o ecrã escamoteável mas ganhou dois ecrãs que servem para controlar o sistema de infoentretenimento MMI Touch Response com feedback háptico e acústico. Isto significa que podemos operar os ecrãs, sentido e ouvindo um clique tátil e audível, que confirma a ativação de uma função assim que o dedo pressiona o visor. Um solução que tenta colmatar a falta de feedback dos ecrãs táteis tradicionais.

Faz swipe na galeria de imagens, para veres todos os detalhes do exterior:

Em termos de espaço, o novo Audi A6 ganhou espaço em todos os sentidos, fruto da adopção da já referida plataforma MLB. Na traseira viaja-se de forma totalmente desafogada e podemos enfrentar as maiores viagens sem receio. No lugar do condutor também se viaja muito bem, fruto dos bancos com uma boa relação conforto/apoio.

Cocktail tecnológico impressionante

O novo Audi A6 está sempre alerta, graças a uma panóplia de sistemas de ajuda a condução de última geração. Não os vamos enunciar todos, — até porque são 37(!) — e mesmo a Audi, para evitar confusão entre os clientes, agrupou-os em três pacotes. Destaca-se o Parking e o Garage Pilot — permite colocar o carro de forma autónoma no interior, por exemplo, de uma garagem, podendo ser monitorizado através do smartphone e da App myAudi —, e o Tour assist — suplementa o cruise control adaptativo com ligeiras intervenções na direção para manter o carro na faixa de rodagem.

As cablagem do Audi A6. Esta imagem é bem exemplificativa da complexidade tecnologica do modelo alemão.

Além destes, o novo Audi A6 permite o nível 3 de condução autónoma, mas é um daqueles casos onde a tecnologia foi mais rápida que a legislação — para já, só os veículos de testes estão autorizados a circular na via pública com este nível de condução autónoma. Seja de que forma for, aquilo que já é possível testar (como o sistema de manutenção na faixa de rodagem) é dos melhores que já testei. O carro mantém-se no centro da faixa de rodagem e assume com facilidade mesmo as curvas mais pronunciadas em autoestrada.

Vamos aos motores? Mild-Hybrid para todos!

Neste primeiro contato tive oportunidade de testar o novo Audi A6 em três versões: 40 TDI, 50 TDI e 55 TFSI. Se esta nova nomenclatura da Audi para vocês é «chinês» leiam este artigoO Audi A6 40 TDI deverá ser a versão que mais procura vai ter no mercado nacional, e por conseguinte, foi neste que fiz mais quilómetros.

As versões com motor de seis cilindros recorrem a um sistema de 48 V.

Equipado com um motor 2.0 TDI de 204 cv coadjuvado por um motor elétrico de 12 V — que faz deste modelo um mild-hybrid ou semi-híbrido — e caixa de dupla-embraiagem de sete velocidades (S-Tronic), o novo Audi A6 chega e sobra para as encomendas. É um motor sempre disponível e discreto.

Em condições reais, segundo a Audi, o sistema semi-híbrido garante uma redução do consumo de combustível até 0,7 l/100 km.

Naturalmente, quando nos sentamos ao volante da versão 50 TDI, equipada com o 3.0 V6 TDI com 286 cv e 610 Nm, sentimos que estamos ao volante de algo mais especial. O motor é mais discreto do que na versão 40 TDI e oferece-nos uma capacidade de aceleração mais contundente.

Testei todas as versões que vão estar disponíveis nesta primeira fase: 40 TDI; 50 TDI; e 55 TFSI.

No topo da gama — pelo menos até à chegada de uma versão 100% híbrida ou da toda poderosa RS6 — encontramos a versão 55 TFSI, equipada com um motor 3.0 l V6 a gasolina com 340 cv, capaz de acelerar o Audi A6 até aos 100 km/h em apenas 5,1s. Consumos? Vão ter de ser apurados noutra oportunidade.

Considerações finais

Despedi-me das estradas do Douro e do novo Audi A6 (geração C8) com a seguinte certeza: a escolha por um modelo deste segmento nunca foi tão difícil. São todos muito bons, e o Audi A6 vem com a lição muito bem estudada.

Face à anterior geração, o novo Audi A6 melhorou em todos os sentidos. De tal forma, que mesmo os mais exigentes deverão encontrar na versão 40 TDI um modelo com capacidade para superar as melhores expetativas.

Primeiras impressões

8 / 10
O novo Audi A6 (geração C8) chega a Portugal em setembro, com preços e listas de equipamento ainda por confirmar. Por esse motivo, recebe um 8 na minha avaliação, podendo subir ou descer mediante o preço apresentado e a dotação de equipamento de série em Portugal. Seja de que forma for, estamos na presença do melhor Audi A6 de todos os tempos. O problema é que podemos dizer o mesmo da concorrência... que comecem os jogos!

  • Qualidade de construção;

  • Disponibilidade da versão 40 TDI;

  • Tecnologia empregue.

  • Pouca diferenciação visual face ao A8;

  • Modos de condução com poucas diferenças;

  • Suspensão pneumática pouco acrescenta.

Data de comercialização: Setembro 2018


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