Ao volante

Opel Insignia GSi. A sigla que nos fez sonhar está de volta

Viajámos até França para testar o novo Opel Insignia GSi nas versões Grand Sport (berlina) e Sports Tourer (carrinha). É o regresso de uma sigla com muita história na marca alemã.

Em Marselha, França

Apercebo-me que já não sou assim tão jovem quando invoco memórias que já somam mais de duas décadas. Esta apresentação internacional do novo Opel Insignia GSi, foi um desses momentos, ao fazer-me recuar até à minha infância. Não guardo nenhum trauma f, f, f.. felizmente.

Altura em que o «pequeno Guilherme» vibrava à passagem de um Opel Kadett GSi em frente ao café Coutada, em Grândola, sempre a acelerar.

Agora que penso nisso, não sei como é que muitos de nós sobreviveu à década de 80. Não se usava cinto no banco de trás, andava-se de bicicleta sem capacete e, em Grândola, até havia um avião da II Guerra Mundial no parque infantil para a petizada brincar — onde, obviamente, não faltavam pedaços de metal afiados para nos rasgar a roupa ou reclamar um bocado de pele.

Opel Insignia GSi
30 anos separam o Kadett GSi e o Insignia GSi.

Tudo isto para dizer-te que volvidos todos estes anos, testar um automóvel com uma sigla que me diz tanto foi algo especial. A Razão Automóvel tem sido fértil em momentos destes. Dois deles estão registados no nosso canal de YouTube aqui (testei um Defender V8) e aqui (um Mustang).

Estou certo que não sou o único a nutrir um carinho especial pela sigla GSi.

Foi a pensar nos saudosistas que a Opel voltou a fazer renascer a sigla GSi. Uma sigla que desapareceu da gama Opel com o surgimento da OPC (Opel Perfomance Center) e que renasce agora. Carlos Tavares, CEO do Grupo PSA — que agora detém a Opel — aprovou este regresso. Portugueses do it better…

O Opel Insignia GSi merece ostentar esta sigla?

O novo Opel Insgnia GSi é uma adaptação aos tempos modernos de toda a heritage que envolve a sigla GSi. Temos motor, temos o comportamento dinâmico, temos o design mais desportivo, mas também temos mais que isso…

Opel Insignia GSi
A sigla em questão.

Hoje o mundo é sítio muito diferente da década de 80 e 90 — alguns dirão que em alguns aspeto é um sítio pior, não sei. Mas a verdade é que as fórmulas do passado não podem ser repetidas na atualidade sem algumas mexidas. Hoje seria impensável ter um avião da II Guerra Mundial a servir de baloiço num parque infantil…

O mesmo princípio aplica-se ao automóveis. O Opel Insignia GSi merece ostentar a sigla GSi mas teve de se adaptar.

Os interiores espartanos do Manta e Kadett GSi, deram lugar a um habitáculo repleto de tecnologia onde não falta sequer um hotspot Wifi 4G para ligar os dispositivos móveis — disseram-me que as crianças de hoje têm uma dieta à base de internet (a minha era à base de terra). Ainda não sou pai, portanto quero acreditar que é mentira.

Interior do Opel Insignia GSi.

Além da ligação à internet temos ainda um sistema de head-up display, um painel de instrumentos parcialmente digital (com um voltímetro… whaat?!) e um sistema de infotainment que apesar de ter muitas funcionalidades, apresenta um grafismo pouco inspirado.

Continuando no interior, tenho de falar nos bancos específicos desta versão GSi. De acordo com o responsável pela ergonomia dos modelos Opel, os bancos do Opel Insignia GSi foram inspirados na cabeça de uma «cobra capelo».

Opel Insignia GSi
Parece uma inspiração rebuscada, mas olhando para os bancos conseguimos efetivamente estabelecer algumas semelhanças.

Deixando as inspirações de lado, os bancos são efetivamente bons. Oferecem um excelente apoio, regulação elétrica, massagens, ventilação para os dias quentes e aquecimento para os dias frios, e apesar desta quantidade de dispositivos conseguem ser mais leves que os bancos da Recaro que encontramos, por exemplo, no Opel Corsa OPC.

Para fechar o interior. Uma nota para a qualidade da maioria dos materiais que compõe o interior do Insignia. Além de bem construído, o interior desta nova geração está também mais fácil de usar, uma vez que a Opel reduziu drasticamente a quantidade de botões no interior. Também há muito espaço… mas deixo esse capítulo para o final.

Ainda não falámos da performance

Sinais dos tempos. Comecei por falar das tecnologias a bordo e deixei as performances para segundo plano — parece que ninguém é imune à passagem do tempo, nem eu, petrolhead de alma e coração. E se outrora a sigla GSi era a máxima expressão de performance na Opel, hoje esse papel pertence à sigla OPC.

A Opel não descarta o lançamento de uma versão Insignia OPC num futuro próximo.

Opel Insignia GSi Grand Sport.

Uma possibilidade que não retira qualquer mérito ao atual Opel Insignia GSi, que apesar de ser menos potente que a anterior geração do Opel Insignia OPC (que equipava com um motor 2.8 V6), consegue ser 12 segundos mais rápido do que o OPC no Nürburgring Nordschleife.

O Insignia GSi foi submetido a mais de mil voltas ao circuito de Nürburgring, durante o seu desenvolvimento.

Portanto, se o grande responsável por esta melhoria no tempo por volta não foi o motor… resta-nos o conjunto chassis/suspensões. É aqui que o Opel Insignia GSi brilha. Portanto vou deixar o motor para último.

Opel Insignia GSi
Volker Strycek, ex-piloto e responsável pelo acerto dinâmico do Insignia GSi no Nurburgring.

Milagre de peso e não só…

Uma das grandes críticas apontadas à anterior geração do Insignia era o peso. E como sabemos o peso é inimigo da agilidade e dos consumos.

Por isso os homens da Opel operaram uma substancial dieta no conjunto (-60 kg no carro, -75 kg na carrinha), o que faz com que o GSi acuse menos 160 kg na balança face ao anterior OPC.

Opel Insignia GSi
É nestes botões que alteramos o carácter do modelo. Familiar ou desportivo?

Além disso, o chassis foi rebaixado em 10 mm, foi introduzida uma suspensão com controlo electrónico e este GSi ganhou um sistema de tracção integral com diferencial traseiro Twinster (com vectorização de binário). A tudo isto, o novo modelo alemão soma ainda uma direcção eléctrica com afinação específica, sistema FlexRide (modos de condução), pneus especiais Michelin Pilot Sport 4 S em jantes de 20” coadjuvados por travões Brembo com pinças de quatro pistões.

Muita coisa, não é verdade? Testei o casamento de todos estes sistemas e funcionam em uníssono — nem sempre é assim. Onde é que os testei? Na pista de testes da Michelin em Fontange, perto de Marselha.

Dançar à chuva

Para o contacto dinâmico com o Opel Insignia GSi a Michelin esqueceu a conta da água e ligou os aspersores. Fez muito bem.

Opel Insignia GSi
Piso molhado e tração integral… vamos a isso!

Confesso que nunca tinha conduzido à chuva com possibilidade de explorar ao máximo a dinâmica de um carro sem pensar (muito) nas consequências. Mesmo em circuito, uma eventual ida à gravilha causa danos. Na pista da Michelin não havia essa preocupação porque qualquer saída de pista terminava na relva.

Antes de agarrar o volante fui «à pendura» de Joachim Winkelhock, ex-piloto de F1 e vencedor das 24 Horas de Le Mans. Daquelas duas voltas tirei os pontos de travagem, momento de inserção na curva e aceleração. E depois fui tentar repetir…

Opel Insignia GSi
Joachim Winkelhock, também conhecido por Smokin’Jo. Antes de cada corrida fumava um cigarro… definitivamente os tempos são outros.

Depois de duas curvas feitas com a dianteira a arrastar-se para demasiado longe do apex, finalmente entrei no ritmo. O Opel Insignia GSi é sempre subvirador em aceleração, e para conseguir uns powerslides iguais aos de Joachim Winkelhock não podemos contar com a aceleração.

Temos de travar mais tarde, provocar a direção, aliviar o acelerador e aí vai ele…

Opel Insignia GSi
Em seco será difícil repetir momentos como estes, mas em molhado não temam… é fácil ler as reações do conjunto.

A surpresa vem depois. Uma vez  provocada a deriva de traseira, é muito fácil apontar o Opel Insignia GSi para onde queremos e controlar os movimentos. Sente-se que o modelo é muito ágil e fácil de conduzir mesmo em condições precárias.

Vamos aos motores?

A gama do Opel Insignia GSi está associada a dois motores, um Diesel e outro a gasolina. Um 2.0 litros Turbo com injecção directa a debitar 260 cv e 400 Nm (consumo médio anunciado NEDC de 8,7 L/100km), e um novo 2.0 litros Bi-Turbo Diesel com 210 cv e 480 Nm (consumo médio anunciado NEDC de 7,1L/100 km). Ambos são acoplados a uma nova caixa automática de oito velocidades.

O motor a gasolina anuncia uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 7,2 segundos e uma velocidade máxima de 250 km/h, enquanto o 2.0 Bi-Turbo Diesel promete ir dos 0 aos 100 km/h em apenas mais sete milésimas de segundo (7,9s) e atingir uma velocidade máxima de 233 km/h.

A versão mais interessante? A versão carrinha resulta muito bem.

Gostei bastante do motor 2.0 Turbo a gasolina, é suave e disponível a todos os regimes. Mas não gostei tanto do motor 2.0 Bi-Turbo Diesel. Apesar dos números estarem lá, é uma motorização menos agradável de usar. Ganhará certamente nos consumos, mas em tudo o resto a minha preferência vai para a motorização a gasolina — que não me pareceu excessivamente gastadora no percurso que tive oportunidade de fazer entre a pista de testes e o hotel. Além do mais é também mais barato…

Preços para Portugal
Os preços arrancam nos 55 680€ do Insignia Grand Sport GSi 2.0 Turbo a gasolina, com a Sports Tourer a custar 57 030€, ou seja, mais 1.350€. Na motorização 2.0 BiTurbo Diesel, o Grand Sport custa 66 330€ e a carrinha 67 680€. O preço é elevado mas a lista de equipamento é gigante.

Vamos abrandar?

Os novos Opel Insignia GSi não são para quem procuram uma proposta 100% desportiva. São, isso sim, para quem procura um competente familiar capaz de acelerar o ritmo cardíaco de quem o conduz entre a aula de ballet da menina e o jogo de futebol do puto. A suspensão Flex Ride ajuda nessa dupla competência.

E também há espaço mais que suficiente a bordo. Não só para a família, mas também para a «tralha da família», a começar nos 490 litros da versão berlina e a terminar nos 560 litros da carrinha. O mundo mudou, e a sigla GSi também.

Primeiras impressões

Continuo a torcer o nariz aos motores 2.0 Turbo Diesel da Opel — tanto faz nesta versão de 210 cv como na versão de 170 cv. São potentes, respondem com convicção, mas carecem da suavidade que encontramos nas versões 1.6 Turbo Diesel. Já a versão 2.0 Turbo a gasolina fez o meu dia. Os 260 cv de potência têm ritmo suficiente e não parece castigar demasiado a carteira na hora do abastecimento — algo a confirmar em Portugal. O preço não é simpático mas a lista de equipamento é muito completa. Mais do que um GSi à antiga, é um GSi à luz dos tempos modernos. Nós mudámos e felizmente os GSi mudaram também.

  • Comportamento dinâmico

  • Ergonomia dos bancos

  • Lista de equipamento

  • Disponibilidade do motor

  • Preço

  • Motor 2.0 Bi-turbo podia ser mais refinado

Preço

55.680

Data de comercialização: Abril 2018


Sabes responder a esta?
Quantos cilindros tinha o Mustang que eu testei no YouTube?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Ford Mustang 2.3 Ecoboost. É preciso ser perfeito?

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