Glórias do Passado

Lembras-te deste? Renault Mégane RS R26.R

O que acontece quando levamos o conceito de hot hatch ao extremo? Surgem máquinas lendárias, como o fantástico Renault Mégane R26.R. Apelidado por muito como o Porsche 911 GT3 RS dos «hot hatch».

Foi com a segunda geração do Renault Mégane (lançada em 2002), que se iniciou o trajeto de um dos melhores «hot hatch» de sempre — o Renault Mégane RS, o hot hatch que seria a referência incontornável e alvo a abater durante uma dúzia de anos.

Lançado em 2004, o Mégane RS, não foi considerado automaticamente a força dominadora no segmento. A receita foi otimizada ao longo dos anos — amortecedores, molas, direção, travões e até rodas, continuaram a ser cuidadosamente “afinados” até se tornar na referência que é hoje.

O motor, esse, manteve-se sempre o mesmo, mas também não ficou incólume. O bloco F4RT — 2.0 litros, quatro cilindros em linha, turbo — começou com 225 cv às 5500 rpm e 300 Nm às 3000 rpm. Nesta primeira geração chegaria, mais tarde, aos 230 cv e 310 Nm.

Sempre acoplado a uma caixa manual de seis velocidades manual, era suficiente para catapultar os seus 1375 kg (DIN) até aos 100 km/h em apenas 6,5 s e atingir os 236 km/h de velocidade máxima.

Renault Megane RS R26.R

O GT3 RS dos hot hatch

Se existe razão para gostarmos da Renault Sport, é porque está cheia de entusiastas como nós. Não contentes com todas as evoluções efetuadas, culminando no RS 230 Renault F1 Team R26 — 22 kg mais leve que o RS regular, chassis Cup melhorado —, esqueceram toda a racionalidade e bom senso, originando o radical Renault Mégane RS R26.R em 2008.

Radical porquê? Bem, basicamente conceberam o Porsche 911 GT3 RS dos hot hatch. Ou seja, tudo o que foi feito, foi em nome de extrair toda a performance possível para conseguir aquele centésimo de segundo a menos em qualquer circuito, mas, curiosamente, o motor permaneceu intocável.

Dieta radical

Tudo o que não interessava foi removido — o peso é o inimigo da performance. De fora ficaram o banco e cintos de segurança traseiros — no seu lugar podia existir uma roll cage —, os airbags (excepto o do condutor), o ar condicionado automático, a escova e esguicho do óculo traseiro, as luzes de nevoeiro, os lava-faróis, e a maior parte do isolamento acústico.

Renault Megane RS R26.R com roll cage

Mas não se ficaram por aqui. O capot passou a ser em carbono (− 7,5 kg), janelas traseiras e óculo traseiro em policarbonato (− 5,7 kg), bancos com costas em fibra de carbono e estrutura em alumínio (− 25 kg) e ainda se podia poupar mais uns quilos se se optasse pelo escape em titânio.

Resultado: menos 123 kg, ficando-se por uns parcos 1230 kg. As acelerações melhoraram ligeiramente (− 0,5 s aos 100 km/h), mas seria o menor peso e os consequentes acertos efetuados no chassis, que tornariam o Renault Mégane R26.R num devorador de curvas como poucos.

Renault Megane RS R26.R

A sua superioridade dinâmica seria demonstrada nesse mesmo ano ao conseguir tornar-se no tração dianteira mais rápido no circuito de Nürburgring, com o tempo de 8 min 17 s.

Há que celebrar os 10 anos de vida do R26.R, cuja produção foi limitada a apenas 450 unidades — o foco extremista aplicado à obtenção de maior performance, sem adicionar, simplesmente, mais cavalos, é aquilo que o torna num verdadeiro ícone à performance.

 


Sobre o “Lembras-te deste?”. É a nova rubrica da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que de alguma forma se destacaram. Gostamos de recordar as máquinas que outrora nos fizeram sonhar. Embarca connosco nesta viagem no tempo, semanalmente aqui na Razão Automóvel.

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