Indústria

Lei das portagens põe em risco fábrica da PSA em Mangualde

O sucessor do Citroën Berlingo e Peugeot Partner será considerado classe 2 nas portagens, de acordo com a atual lei, levantando dúvidas sobre a viabilidade da fábrica da PSA em Mangualde.

O anacrónico sistema de classificação de veículos para as portagens em Portugal, causa, mais uma vez, problemas. E desta vez, com consequências mais graves do que a carreira comercial de um modelo no nosso mercado. A fábrica da PSA em Mangualde, onde se produz a Citroën Berlingo e a Peugeot Partner, corre o risco de ver, a médio prazo, a sua produção deslocada para outro país.

As novas Citroën Berlingo e Peugeot Partner — projeto K9 — serão conhecidas já no próximo Salão de Genebra e, pelas declarações do diretor-geral do grupo PSA em Portugal, Alfredo Amaral, serão classificadas como classe 2, de acordo com a lei em vigor.

Um problema grave para a fábrica de Mangualde, já que das 100 mil unidades previstas a serem produzidas em 2019, 20 mil terão como destino Portugal, ou seja, 1/5 da produção. Mas sendo considerado classe 2, nem vale a pena comercializar o novo modelo no país.

Citroën Berlingo Multispace

O que coloca em causa não só o investimento de 50 milhões de euros que a fábrica da PSA em Mangualde recebeu, de modo a preparar a linha de produção para o novo modelo, como desde já, a viabilidade a médio prazo de um terceiro turno de produção. Este começará a laborar em abril, assegurando a produção dos correntes Berlingo e Partner, e terminará em outubro, sem continuidade para o novo modelo, colocando em risco mais de 200 postos de trabalho.

O caso Opel Mokka
As classes das portagens podem ser determinantes para o sucesso de um modelo em Portugal. Talvez o caso mais emblemático seja o do Opel Mokka, o crossover compacto da marca alemã. É um dos modelos mais vendidos na sua classe no mercado europeu, mas em Portugal é praticamente inexistente. Outros casos obrigaram a processos de re-homologação dos veículos, elevando o seu peso bruto, ou reduzindo a altura da suspensão, para estarem de acordo com as excepções previstas na lei — casos como o do Renault Kadjar, por exemplo, que apenas chegou a Portugal quase dois anos após a sua introdução no mercado europeu.

Negociações entre o governo e a Brisa

O Groupe PSA não quer apenas uma exceção para o K9, como acontece com tantos outros modelos em comercialização no nosso país, quer que o sistema de classificação seja mudado de uma vez por todas — quando as exceções se tornam a regra, não seria melhor mudar a regra?

Fazia sentido um sistema que olhasse para a componente principal que introduz desgaste, que é o peso e não a altura. Um veículo ligeiro deveria ter uma classe. Os pesados, conforme o número de eixos, deveriam ter outras classificações.

Alfredo Amaral, diretor-geral Grupo PSA em Portugal

O governo já está em renegociações com a Brisa desde o final do ano passado. A intenção do setor automóvel é que as classes sejam definidas pelo peso dos veículos e não pelos 1,10 metros de altura medidos na vertical que passa sobre o eixo dianteiro até ao capot.

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O Groupe PSA irá aguardar até ao próximo mês de julho para decidir se continuará a produzir em Mangualde ou não, ficando dependente, obviamente, da alteração ou não da desadequada lei que define as classes das portagens no nosso país.

Fonte: Diário de Notícias e Observador

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