Mercado

PSA quer reembolso da venda da Opel pela GM. Porquê?

O Groupe PSA afirma que foi iludido pela GM sobre a capacidade da Opel em cumprir as futuras normas de emissões. Conhece as razões.

A venda da Opel ao Groupe PSA custou cerca de 1,3 mil milhões de euros. O grupo francês procura agora ser reembolsado até mais de metade desse valor pela GM, a ex-detentora da marca alemã. O porquê de tal decisão resume-se, como tem sido apanágio nos últimos tempos na indústria, às emissões.

De acordo com a Reuters, que avançou com a notícia, a PSA acusa a GM de a ter iludido sobre os desafios em cumprir os limites de emissões de CO2 — média de 95 g/km que entram em vigor em 2021 —, por parte da Opel.  O não cumprimento dessas normas resultam em coimas avultadas — 95 euros por grama acima do valor estipulado, por carro.

Segundo a PSA, obrigará o grupo a substituir mais depressa do que o planeado os modelos atuais da Opel para as suas próprias mecânicas e plataformas, de modo a reduzir ao máximo as emissões de CO2 antes da entrada dos novos limites em 2021. De momento, a PSA ainda não avançou com uma reclamação formal, mas segundo fontes internas, o valor a reclamar andará entre os 600 e os 800 milhões de euros. 

Tomámos conhecimento algumas semanas depois de finalizar a compra de que a empresa não iria cumprir relativamente às emissões de CO2. Colocámos as nossas equipas a reconstruir totalmente as estratégias de produtos e tecnologia. Se falhamos o cumprimento [do limite das emissões], o peso das multas pode ameaçar a existência da empresa.

Carlos Tavares, Diretor Executivo Groupe PSA

Surpresas desagradáveis

Entre as surpresas desagradáveis encontradas, descobriu-se um plano de redução de emissões, que dependia de vendas significativas do Opel Ampera-e — o automóvel elétrico “irmão” do Chevrolet Bolt, importado dos EUA —, mas tal decisão implicava que, por cada Ampera-e vendido, a marca perdesse cerca de 10 mil euros.

Uma solução economicamente inviável, o que já obrigou a PSA a suspender a venda do modelo na Noruega — onde se venderam a maioria dos 1500 Ampera-e até agora —, e a aumentar o preço de venda em até 5700 euros.

Além do Ampera-e, a outra parte do plano da GM apoiava-se igualmente em vendas elevadas de automóveis a Diesel, um cenário cada vez mais irrealista, dado os últimos desenvolvimentos.

As dificuldades da Opel em cumprir o futuro patamar de emissões, o que levaria a um aumento dos custos regulamentares e de conformidade, foi uma das razões apontadas por Mary Barra, a diretora executiva da GM, para a venda da marca alemã.

Segundo a PSA, a Opel poderá falhar o seu objetivo de CO2 por 10 gramas — um múltiplo do “pequeno atraso” discutido nas negociações para a venda. Uma margem tão grande poderá implicar coimas aproximadas de mil milhões de euros. 

Opel Insignia Grand Sport 2017

E agora?

A PSA já alterou os seus planos iniciais. O grupo está a apressar o desenvolvimento de versões elétricas e PHEV (híbridos plug-in) do Crossland X, Grandland X e do futuro Corsa, algo que não estava nos planos. A transição de toda a gama Opel para plataformas e mecânicas PSA estava prevista acontecer até 2027, mas dado as circunstâncias, o processo foi acelerado para acontecer mais cedo, até 2024.

Relativamente ao pedido de reembolso, teremos de aguardar para saber se avança ou não uma reclamação oficial por parte do Groupe PSA.

VÊ TAMBÉM: Ao volante do novo Opel Grandland X. Chega a Portugal em 2018

Sabes responder a esta?
Que modelo da Opel a Lotus usou como base para construir uma "super-berlina"?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Lotus Omega (1990). A berlina que comia BMW’s ao pequeno-almoço

Mais artigos em Notícias

Os mais vistos