Reino Unido

Diesel. Vendas baixam, emissões de CO2 sobem

As emissões médias dos automóveis novos vendidos no Reino Unido estão a aumentar, ao mesmo tempo que as vendas de carros Diesel diminuem.

As vendas de automóveis novos no terceiro trimestre no Reino Unido revelaram um aumento das emissões de CO2 médias relativamente ao mesmo período em 2016 — de 120,5 para 121,3 g/km. Uma tendência que poderá ser observada, não só no Reino Unido, como em outros países europeus.

A razão para tal acontecer tem a ver com a quebra verificada de vendas de automóveis Diesel este ano, consequência ainda não só do Dieselgate, como de todas as ameaças que pairam sobre o Diesel — desde as anunciadas proibições de circulação nos centros urbanos, até às penalizações fiscais, e, no caso de Londres, a introdução de uma penalização na taxa de congestionamento para entrar na cidade, de 10 libras, caso tenhamos um Diesel pré-Euro4.

Os construtores de automóveis dependem em grande parte, na Europa, da venda de motorizações Diesel para cumprir as metas propostas pela UE para redução das emissões de CO2. A diminuição da venda de automóveis a Diesel e, consequentemente, o aumento de vendas dos a gasolina, põe em risco o cumprimento dessas metas por parte dos construtores.

Descida contínua

Desde o ano 2000, as emissões de CO2 médias não pararam de cair no continente europeu. Eram de 180 g/km no virar do século e decresceram até às 118,1 g/km em 2016 — muito abaixo das 130 g/km exigidas em 2015. Apesar dos esforços concertados dos construtores terem permitido uma queda mais rápida do que o exigido, o salto para as 95 g/km em 2021 requer um esforço bastante superior ao efetuado até agora.

Dado a maior eficiência dos motores Diesel comparativamente aos motores a gasolina, permitindo valores de emissões de CO2 inferiores, era natural que fossem uma das pedras basilares na estratégia dos construtores para alcançar as exigentes 95 gramas.

Mas com toda a “má fama” do Diesel conseguida nos últimos dois anos, o papel do Diesel nesse objetivo está diminuído, com todas as previsões a apontarem para quebra contínua de vendas nos próximos anos. A consequente redução de quota de mercado, fará com que o seu peso nas contas das emissões seja menor, precisamente quando eram mais necessários.

Opel 2.0 BiTurbo Diesel

E os híbridos e os elétricos?

As exigentes metas de redução de emissões foram concebidas de modo a acelerar a penetração no mercado de veículos de baixas emissões, como os híbridos plug-in e os elétricos. Se por um lado as vendas destes têm aumentado expressivamente, sobretudo este ano, ainda são uma muito pequena parte do mercado — deverá rondar os 2% este ano. Insuficiente para compensar a quebra das vendas dos Diesel.

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Praticamente todos os construtores já anunciaram as suas estratégias de eletrificação — algumas delas a iniciarem-se já durante 2018 —, pelo que os seus efeitos nas contas, só deverão começar a sentir-se no final da década, com a chegada da enxurrada de elétricos prevista. Ou seja, as emissões médias de CO2 das vendas de automóveis novos deverão continuar a subir durante o próximo ano, afastando cada vez mais os construtores das obrigatórias 95 g/km para 2021.

Relembramos que as penalizações serão avultadas para os construtores que as não cumprirem — 95 euros por grama acima do valor estipulado, por carro.

 

A isto, podemos acrescentar a demonização dos Diesel e contínua incerteza à volta das medidas para a da qualidade do ar, o que está a empurrar as pessoas para os carros a gasolina. O resultado inevitável é a subida dos níveis de CO2.

Gerry Keaney, diretor da Associação Britânica do Aluguer e Leasing de Veículos

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