Apresentação

Testámos o Toyota Mirai. O carro que emite «água» pelo escape

A Toyota desenvolve desde 1992 veículos a pilha de combustível. Tivemos oportunidade de conduzir, brevemente, a sua proposta mais recente: o Toyota Mirai.

O Toyota Mirai foi apresentado em território nacional, integrado na celebração dos 20 anos da Tecnologia Híbrida da Toyota — o primeiro Prius foi apresentado em 1997. Lembro-me como se fosse ontem…

Mas o Mirai, expressão japonesa que significa futuro, não é um híbrido. Trata-se de uma berlina fuel cell, ou seja, recorre a uma pilha de combustível, onde o oxigénio (O) reage com o hidrogénio (H), armazenado num tanque de alta pressão, gerando através de uma reação química a eletricidade necessária para o motor elétrico propulsionar o veículo.

Toyota Mirai e as quatro gerações do Prius
Foto de família: Mirai mais as quatro gerações do Prius

Elétrico, mas com “emissões”

O Mirai é um carro elétrico, mas ao contrário dos elétricos a baterias, não é totalmente zero emissões. Mas do seu escape não saem gases poluentes — tudo o que emite é apenas e só água ou vapor de água. Tal acontece devido à combinação dos átomos de hidrogénio com os de oxigénio que, como sabemos, são os elementos constituintes da água ou H2O. A água que sai do escape é tão pura que poderíamos beber dela.

O hidrogénio necessário é armazenado em dois tanques, com uma capacidade total conjunta de 122 litros. Os tanques são produzidos pela própria Toyota e são extremamente resistentes, bem mais resistentes que qualquer equivalente a gasolina ou gasóleo.

São constituídos por três camadas: a primeira em plástico para evitar fugas de hidrogénio; a segunda de caráter estrutural em CFRP (polímero reforçado com fibra de carbono); e a terceira, à superfície, em fibra de vidro. O hidrogénio é armazenado a uma pressão de 70 MPa (megapascal), o equivalente a uns elevados 700 bar.

Reabastecer? 5 minutos ou menos

A vantagem dos elétricos fuel cell relativamente aos elétricos a baterias é o abastecimento/carregamento. Apesar de exigir sistema de abastecimento específico, atestar os tanques de hidrogénio deverá ser tão fácil como enchermos o depósito do nosso carro com gasóleo e gasolina, e praticamente tão rápido como estes.

Bastam 3 a 5 minutos para encher os tanques de hidrogénio e o Mirai poderá percorrer até 550 km (ciclo NEDC). É outra das vantagens dos fuel cell — a autonomia é já superior à dos elétricos e deverá incrementar nos próximos tempos com o evoluir da tecnologia.

Ao volante

O contacto do Toyota Mirai na Base Aérea da Ota, infelizmente, não poderia ser mais breve, perfazendo poucos minutos. Verdade seja dita, tudo o que pudemos reter do breve contacto com o futurista Mirai é mesmo a sua “normalidade”.

Para quem já conduziu automóveis elétricos não existem diferenças — o binário instantâneo, o silêncio e a suavidade são características comuns entre o Mirai e tantos outros elétricos. Apesar dos 1850 kg de peso e os algo modestos 154 cv, os 335 Nm de binário constantes garantem sempre uma performance espevitada. Aparte a sua forma de propulsão, o Mirai poderia muito bem passar como um sucessor para o Avensis.

A não haver entraves à comercialização do Mirai, sobretudo na disponibilidade de uma infraestrutura de produção e abastecimento de hidrogénio, talvez o seu estilo fosse o mais difícil de aceitar. Nada tenho contra desenhos mais futuristas ou ousados, mas convém que essa ousadia não seja gratuita, como parece acontecer com o Mirai.

O interior acompanha o exterior na aparência futurista — parece algo retirado do Star Trek. Talvez com o hábito se torne mais intuitivo, mas inicialmente é confuso, com demasiados elementos a clamarem por atenção e quando procuramos por algum comando, exige demasiado tempo para o encontrar — um problema demasiado comum nos automóveis atuais.

Toyota Mirai interior

Porque é que o Mirai não está à venda em Portugal?

O Toyota Mirai iniciou a sua comercialização em 2015 e já chegou a uma série de mercados — Japão, Califórnia (EUA), Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Suécia e Noruega. Até agora já foram vendidos cerca de 3500 unidades e a marca espera vender 30 mil ao ano em 2020, um salto considerável.

Só agora em 2017 é que o Mirai é apresentado em Portugal, mas mesmo assim não vai ser vendido por cá. Porquê? Simplesmente não existe uma infraestrutura que permita o reabastecimento do Mirai ou de outros veículos a pilha de combustível. Quando haverá? Não sabemos.

Lá fora o cenário é outro, apesar do ritmo de mudança ser lento. Vários países europeus investem atualmente na produção do hidrogénio, recorrendo às energias renováveis, aproveitando a energia eólica e solar fotovoltaica excedente.

A expansão da infraestrutura de abastecimento necessária aos FCV provavelmente vai demorar 10 a 20 anos, ou talvez até mais. É definitivamente um caminho longo e desafiante. No entanto, a bem do futuro, é um caminho que temos que percorrer.

Yoshikazu Tanaka, Engenheiro-chefe do Toyota Mirai

 

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