Do fundo do baú

Mercedes-Benz MB 100 D AMG… desculpem? AMG?!

A Mercedes-AMG afirma categoricamente que não pretende lançar uma versão AMG da nova pick-up Classe X porque "não faz sentido". Será que não faz mesmo?

Vamos regressar aos «loucos» anos 80. Altura em que a AMG ainda era um preparador independente da Mercedes-Benz e não estava limitada pelas directrizes da marca de Estugarda – o processo de aquisição da AMG pela Daimler só terminou em 2005. Por isso a AMG desenvolveu durante grande parte da sua história, toda a sua atividade de forma totalmente autónoma.

Uma história que começou na década de 60, com o “Porco Vermelho”. E foi essa autonomia que permitiu à AMG a produção de alguns modelos bizarros, como estes dois Mitsubishi. Sim, isso mesmo, dois modelos da Mitsubishi. Mas esses vocês já conhecem. Este é que foi uma novidade para nós…

Mercedes-Benz MB 100 D AMG… AMG?

O modelo que vos trazemos hoje não é bizarro mas é no mínimo curioso. Trata-se de um Mercedes-Benz MB 100 D. Um modelo nascido no seio divisão de veículos comerciais da Mercedes-Benz, e que recebeu em 1989 uma preparação completa (exterior, interior e mecânica) com o carimbo da AMG.

mercedes-benz mb-100-d-amg
Nascia assim a Mercedes-Benz MB 100 D AMG.

A AMG não poupou esforços no desenvolvimento deste modelo. Por fora, as alterações mais marcantes diziam respeito à carroçaria bi-color (algo muito em voga na década de 80), aos novos faróis e luzes traseiras redesenhados e às jantes exclusivas AMG de 8×15 polegadas, calçadas com pneus de cariz desportivo, uns Dunlop G/T qualifier.

Por dentro, as alterações foram ainda mais profundas.

Os bancos de origem deram lugar a novos assentos desportivos forrados a couro e alcântara. O número de lugares disponíveis no interior e a disposição dos mesmos dependia das necessidades do cliente.

O Mercedes-Benz MB 100 D AMG podia receber uma mesa de reuniões, um telefone móvel e até um sistema de vídeo VHS.

Mercedes-Benz MB 100 D AMG
Esteticamente não resultava mal, pois não?

Claro que tudo isto tinha um custo. A AMG pedia mais de 95.000 marcos alemães por este furgão, um valor estratosférico naquela altura – cerca de 50.000 euros na moeda atual, sem refletir a taxa de inflação desde 1989.

Aparentemente, não faltaram interessados na aquisição deste furgão tão… sui generis!

Mercedes-Benz MB 100 D AMG
No lugar do condutor, destacava-se o volante em couro, exclusivo da AMG. Afinal de contas, estamos a falar de um AMG…

Performance avassaldora… ou não

Como não podia deixar de ser, a AMG mexeu na mecânica. As MB 100 D recorriam a um motor 2.4 litros Diesel atmosférico (OM 616) com 72 cv de potência. Um motor à «prova de bala» que já tinha servido no conhecido Mercedes-Benz W124 240 D. À «prova de bala» mas demasiado lento…

Foi por isso que AMG decidiu recorrer aos préstimos de um turbo. Graças a esta adição, a potência deste motor escalou para os 100 cv de potência e 193 Nm de binário máximo às 2.600 rpm. Um número bastante respeitável para a época. Aliás, no catálogo da AMG figuravam diversos kits de potência para motores Diesel.

Além de ter servido de transporte para executivos e altos quadros de multinacionais, a Mercedes-Benz MB 100 D AMG também esteve presente no DTM, onde foi o veículo escolhido para transportar pilotos, convidados e demais elementos das equipas.

Pode ser que se alguém vir este artigo lá para os lados de Affalterbach, talvez a AMG mude de ideias relativamente à possibilidade de lançar uma versão «hardcore» da pick-up Mercedes-Benz Classe X, que está agora a chegar ao mercado nacional.

Versão de transporte no DTM.
Sejam bem vindos à AMG.

Sabes responder a esta?
Quantos cilindros tinha o Mercedes-Benz E60 AMG “Hammer”?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Mercedes-Benz E60 AMG “Hammer”: para homens…

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