Invasão SUV

O Volkswagen T-Roc é o novo Scirocco

O Volkswagen Scirocco deixou de ser produzido e não terá sucessor direto. Mas e se o seu sucessor fosse algo completamente diferente?

Após nove anos em produção o Scirocco chega ao fim. Deixou de ser produzido na Autoeuropa recentemente e o seu lugar foi ocupado na linha de produção pelo T-Roc, o novo SUV da Volkswagen. Não é por isso que afirmo que o T-Roc é o novo Scirocco — é apenas uma coincidência ambos os modelos terem o mesmo local de produção.

Na realidade, o Volkswagen Scirocco termina a sua carreira sem haver um sucessor direto e nenhum está planeado para os próximos anos. O mercado mudou e já não há espaço para carros como o Scirocco.

É impossível justificar o investimento em carros como o Scirocco quando esse valor pode ser desviado para um novo SUV que garante maiores vendas e retorno. Os números não mentem. O coupé alemão teve em 2009 o seu melhor ano de produção — mais de 47 mil unidades —, e acabou com pouco mais de 264 mil unidades produzidas ao longo dos nove anos de produção. O T-Roc, só para abrir as hostilidades, será produzido ao ritmo de 200 mil unidades por ano. Em menos de 18 meses já haverá mais T-Roc na rua do que Scirocco.

O novo “normal”

Não tem discussão — cada vez mais, os SUV e crossover são o novo “normal” e o fenómeno não mostra sinais de abrandamento. Pelo menos até ao final da década todas as projeções indicam mais vendas e mais modelos.

E se pensam que os SUV/Crossover estão a tomar o lugar apenas dos MPV, adicionando ao lado prático um superior apelo estético, pensem outra vez. A verdade é que os SUV estão a roubar quota de mercado a praticamente todas as tipologias: MPV, berlinas de dois e três volumes e até aos coupé — sim, os coupé. Já devem estar a pensar que perdemos a cabeça: como é que um SUV se pode comparar e estar a roubar vendas a coupé ou roadster? Não tem nada a ver.

Comprar um SUV em vez de um coupé?

Ojetivamente têm razão. São carros totalmente incomparáveis. Pegando apenas pela experiência de condução e aptidões dinâmicas não poderiam ser mais distintos. Mas temos de ver esta questão por um outro prisma. Não pelos carros que são, mas por quem os compra.

Coupé e roadster são desenvolvidos com um foco superior na performance e qualidades dinâmicas — seja pela eficácia ou pelo gozo da sua agilidade. Mas sejamos honestos, todos sabemos que muitos dos que compram este tipo de carros (e outros) não são entusiastas da condução e nem lêem a Razão Automóvelincompreensível, eu sei. 

Uma vasta maioria compram-nos apenas e só pelo estilo ou por uma questão de imagem — sim, há snobs para tudo. Não é à toa que alguns roadster são conhecidos como «hairdresser cars» — uma expressão inglesa que se traduz em carros para cabeleireiros.

Para quê estar a comprar um carro de imagem pouco prático quando agora se pode ter um SUV ou crossover cheio de estilo que causa o mesmo efeito?

Atualmente os SUV são a tipologia com a maior diversidade visual. Desde os desenhos mais utilitários como um Duster até aos mais ousados como um C-HR, parece haver um SUV para todos os gostos. Junte-se a vasta personalização que permitem e conseguem oferecer ao consumidor o mesmo tipo de apelo emocional e aspiracional que antes eram pertença dos coupé e roadster.

O T-Roc é o Scirocco… dos SUV

Aparte as discussões nos media, nas redes sociais e nos fóruns sobre o segmento em que o Volkswagen T-Roc realmente encaixa — B ou C, eis a questão —, temos de olhar para ele de outra forma que talvez ajude a compreender melhor o seu posicionamento e razão de ser.

Existe uma relação semelhante entre o T-Roc e o Tiguan como existia entre o Scirocco e o Golf. O T-Roc é, metaforicamente e literalmente, mais colorido do que o Tiguan com quem partilha a base. Tal como o Scirocco destaca-se por um estilo mais acentuado e dinâmico — um claro foco no estilo e imagem ou como dirá qualquer marketeer que se preze, no lifestyle.

Irá apelar não só a potenciais clientes do Golf, Golf Sportsvan e do Tiguan, como poderá afastar dos poucos coupé e roadster do mercado aqueles que procuram um automóvel com mais estilo, e com o bónus de não perder espaço ou praticidade.

Se antes já era difícil justificar o investimento num coupé ou roadster, hoje em dia é ainda mais complicado. Para quê investir num coupé que venderá poucas dezenas de milhares de unidades por ano quando podemos ter um SUV “coupé” com tanto ou mais estilo e vendê-lo cinco a 10 vezes mais?

 

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