Antevisão

Tração traseira na Audi?

A procura por maiores economias de escala poderá levar a Audi a adoptar uma arquitetura de tração traseira.

Por vezes, é preciso transformar os obstáculos em oportunidades. Dois anos após o Dieselgate, é isso que o Grupo Volkswagen está a fazer. A fatura está a sair cara ao grupo, com custos que já se aproximam dos 15 mil milhões de euros e obrigou a um processo de escrutínio interno. Desta reavaliação interna, poderão surgir novas oportunidades.

Processos que pretendem não só reduzir os custos operacionais como também reavaliar todos os projectos, presentes e futuros.

O fim da MLB

Entre as amplas ramificações desta reinvenção do grupo alemão, estão também as sinergias no desenvolvimento.

Tal como vimos no desenvolvimento da MQB – que serve de base a modelos do segmento B ao E, fornecendo a Volkswagen, SEAT, Skoda e Audi -, as economias de escala são essenciais para garantir mais eficiência e redução de custos. Considerando que se trata do maior grupo automóvel do planeta, que vende à volta de 10 milhões de veículos por ano, pequenas reduções podem ter grandes impactos.

Como tal, avizinha-se o fim da plataforma MLB (Modularer Längsbaukasten), que é a base dos atuais A4, A5, A6, A7, A8, Q5 e Q7. Praticamente um exclusivo da Audi, que a desenvolveu a solo, trata-se de uma plataforma de tração dianteira com o motor posicionado longitudinalmente (na MQB o motor é transversal) à frente do eixo dianteiro.

Permite uma melhor adaptação a sistemas de tração total, mas por outro lado, acarreta custos extra. Obriga ao desenvolvimento específico de componentes para adaptar o posicionamento de motores comuns a outros modelos do grupo, assim como o uso de transmissões exclusivas.

Também considerando os modelos que equipa, que chegam facilmente às largas centenas de cavalos, revela-se uma solução longe da ideal. Daí que a resposta possa ser a adopção de outro tipo de plataforma.

Os Audi com tração atrás

Sim, a Audi acabou de apresentar o novo A8 ainda equipado com a MLB Evo. E muito provavelmente as próximas gerações do A6 e do A7 também continuarão a recorrer a ela. Teremos de esperar mais uma geração de modelos (6-7 anos) para ver esta mudança crítica na Audi.

No grupo Volkswagen já existe uma plataforma capaz de tomar o seu lugar. Chama-se MSB (Modularer Standardantriebsbaukasten) e foi desenvolvida pela Porsche. É a que equipa a segunda geração do Porsche Panamera e também equipará futuros Bentley. A sua arquitetura base mantém o motor longitudinal dianteiro, mas em posição mais recuada e com tração traseira.

2017 Porsche Panamera Turbo S E-Hybrid - frente

Desenvolvida para equipar modelos de grande dimensão, os futuros Audi do segmento E (A6) para cima deverão assentar sobre esta plataforma. Pelo que as versões de duas rodas motrizes terão de ser obrigatoriamente de tração atrás.

De quattro para Sport

No final do ano passado assistimos à mudança de nome da quattro GmbH, a subsidiária responsável pelo desenvolvimento dos modelos S e RS da Audi, para simplesmente Audi Sport GmbH. Lamentou-se o abandono do lendário nome, mas, recentemente, no Goodwood Festival of Speed, Stephan Winkelmann, o diretor da Audi Sport revelou as motivações por detrás da mudança:

Quando olhamos para o nome, decidimos que Quattro podia ser enganador. Quattro é o sistema de tração às quatro e é uma das coisas que tornaram a Audi grande - mas na nossa opinião não era o nome correto para a empresa. Consigo imaginar que possamos ter carros com duas rodas motrizes ou tração traseira no futuro.
Stephan Winkelmann, diretor da Audi Sport GmbH

Estará aqui um sinal do que poderá advir para o futuro da marca dos quatro anéis? Um  Audi S6 ou RS6 com tração traseira? Olhando para as suas arquirrivais, como a BMW e a Mercedes-Benz, estas têm apostado cada vez mais na tração total para melhor lidar com o aumento constante de cavalos dos seus modelos. Não estamos à espera que a Audi abandone o seu sistema quattro. No entanto, o Mercedes-AMG E63 permite desconectar o eixo dianteiro, enviando tudo o que tem para dar para o eixo traseiro. Será este o caminho escolhido, Audi?

Sabes responder a esta?
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