Emissões

Diesel: Indústria automóvel alemã investigada pela UE por cartelização (atualizado)

O Der Spiegel refere que os construtores automóveis alemães estão a ser investigados pela UE por suspeitas de cartelização.

O escrutínio meticuloso que está a ser efetuado a vários construtores pós-Dieselgate, culminaram no final da semana passada, com notícias, avançadas pela revista alemã Der Spiegel, de que a União Europeia abriu uma investigação por suspeitas de cartelização entre cinco dos principais construtores alemães – Audi, BMW, Mercedes-Benz, Porsche e Volkswagen.

A investigação foi iniciada após o próprio grupo Volkswagen ter admitido possíveis ações anticoncorrenciais num documento enviado às autoridades da concorrência europeias no início deste mês. Também a Daimler, que detém a Mercedes-Benz, emitiu um documento semelhante. Este conluio, que parece existir desde a década de 90, envolve 60 grupos de trabalho secretos e cerca de 200 empregados das cinco marcas.

Alegadamente, nessas reuniões secretas foram coordenadas discussões relativamente à tecnologia automóvel, discutindo-se desde os custos de componentes e tecnologia, fornecedores, assim como questões relativas ao controlo de emissões nos motores Diesel. Segundo a publicação alemã, um dos objectivos do conluio seria o de obstruir a concorrência, acordando preços para componentes e outros aspetos técnicos – até os tetos de automóveis descapotáveis.

O tamanho dos tanques… é importante

A confirmarem-se as alegações, seriam estas a base do escândalo Dieselgate, com os construtores a concordarem nas tecnologias que consideravam apropriadas para limpar os gases de escape dos automóveis a Diesel. Durante as inúmeras reuniões, discutiu-se os sistemas de redução catalítica selectiva (SCR), que ajudam a reduzir os óxidos de azoto (NOx), debatendo-se o custo e até o tamanho dos tanques de AdBlue (reagente à base de ureia) que fazem parte do sistema SCR.

Porquê discutir e decidir sobre o tamanho dos tanques de AdBlue? Alegadamente, decidiu-se que os tanques deveriam ser de pequena dimensão, permitindo não só integrá-los melhor no interior dos automóveis como também reduzir o seu custo.

Uma decisão aparentemente inocente, mas a opção por tanques pequenos limitou a eficácia do AdBlue na limpeza dos gases de escape, por não ter líquido nas quantidades necessárias. Logo, em teoria, pode ter sido uma das razões que levou à criação de processos que desativassem o sistema em certas condições, de modo a que os tanques não ficassem rapidamente vazios, resultando em emissões NOx não controladas.

As acusações são graves, e caso sejam provadas, as multas podem chegar a 10% da faturação, significando valores na casa dos 15-20 mil milhões de euros, dependendo do construtor. A BMW já emitiu um comunicado a negar veemente tais acusações e o grupo Volkswagen vai reunir-se de emergência.

 

Acordo entre construtores automóveis e governo alemão

Paralelamente a esta investigação por cartelização agora iniciada, o governo alemão estabeleceu um acordo com representantes da indústria automóvel para “limpar” os veículos Diesel Euro 5 e Euro 6, através de uma atualização de software, de modo a evitar a proibição de veículos Diesel avançada por algumas cidades alemãs. O custo deste plano deverá ascender a dois mil milhões de euros na Alemanha, com a indústria a ter acordado em absorver os custos de 100 euros por carro.

De modo preventivo, a Daimler, proprietária da Mercedes-Benz, avançou com uma recolha de três milhões de veículos, e hoje a Audi anunciou a recolha de 850 mil (motores V6 e V8) para atualização do software.

O plano definitivo deverá ser apresentado no início do próximo mês de agosto, e deverá permitir cortar as emissões de NOx em cerca de 20%.

Fonte: Autocar, Autonews

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