Emissões

Fim dos motores a Diesel e gasolina será em 2040?

O Reino Unido é o país mais recente a anunciar planos para a proibição de venda de automóveis novos com motores de combustão interna.

Não faz muitas semanas, França anunciou as suas intenções de proibir a venda de automóveis novos com motores gasolina e gasóleo a partir de 2040. Hoje, o Reino Unido avança com uma proposta semelhante, apontado para o mesmo ano. Já a Alemanha, o maior mercado automóvel europeu, e a casa do maior fabricante mundial, não quer esperar tanto tempo, indicando o ano de 2030. E a Holanda ainda foi mais longe, ao colocar o ano de 2025 como o ponto de transição abrupta, para que se vendam apenas automóveis «zero emissões».

Em qualquer um dos casos, tratam-se de medidas inseridas num plano mais geral para a redução das emissões de CO2 dos países citados, como também permite o combate à poluição crescente dos principais centros urbanos, onde se tem assistido à deterioração progressiva da qualidade do ar.

No entanto, estes planos deixam no ar mais perguntas que respostas. Será apenas permitido vender veículos 100% elétricos, ou veículos que permitem deslocação elétrica, como híbridos plug in? E como lidar com os veículos pesados? Será economicamente viável uma transição tão abrupta para a indústria? E o mercado, estará pronto para esta mudança?

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Mesmo tendo como referência apenas o ano de 2040, ou seja, pouco mais de 20 anos no futuro – o equivalente a três gerações de automóveis -, espera-se que a tecnologia para veículos elétricos tenha evoluído de forma expressiva, sobretudo no que toca a armazenamento e carregamento. Mas será suficiente para se tornar no único meio de propulsão do automóvel?

Previsões dos fabricantes revelam números bem mais modestos

A União Europeia já tem planos em marcha de ataque às emissões – o próximo passo é já em 2021, em que as emissões médias dos fabricantes terão de ser de apenas 95 g/km de CO2 – que obrigam, previsivelmente, a uma crescente eletrificação do grupo motriz automóvel. Mas apesar da pressão que coloca nos fabricantes de automóveis, obrigando a investir em simultâneo em dois tipos distintos de motores – combustão interna e elétricos -, não deixa de existir um percurso de transição. O que permite uma adaptação progressiva, tanto dos fabricantes como do mercado, a esta nova realidade.

Volkswagen I.D.

Mesmo os planos mais ousados dos fabricantes revelam como o caminho para uma mobilidade exclusivamente elétrica levará o seu tempo. O Grupo Volkswagen anunciou que pretende lançar 30 veículos elétricos até 2025, resultando na venda de um milhão de veículos «zero emissões» por ano. Pode parecer muito, mas equivale apenas a 10% da produção total do grupo. E os números avançados por outros fabricantes revelam valores que oscilam entre os 10 e os 25% do total da sua produção que serão dedicados a veículos 100% elétricos durante a próxima década.

Apelar à carteira, não à consciência ambiental

O mercado também não está preparado para uma transição desta magnitude. Apesar das vendas crescentes de veículos de zero emissões, e mesmo adicionando ao mix os híbridos plug in, estes modelos significaram apenas 1.5% do total de automóveis novos vendidos na Europa, no ano passado. É certo que o número tem tendência a crescer, nem que seja pela enxurrada de propostas que se avizinha nos próximos anos, mas será possível passar para 100% em duas décadas?

Por outro lado, temos países como a Suécia e a Dinamarca em que uma percentagem significativa das suas vendas automóveis já são de veículos elétricos. Mas tal só acontece porque os veículos elétricos são subsidiados generosamente. Ou seja, o sucesso dos veículos zero emissões é mais uma questão de conveniência do que uma verdadeira preocupação ambiental.

Veja-se o caso da Dinamarca, que se apresenta como um dos países europeus com os carros mais caros, devido à tributação aplicada ao automóvel – 180% de taxa de importação. Taxa que os veículos elétricos estavam isentos, o que permitia preços de aquisição muito mais vantajosos. O país já tinha anunciado de que essas benesses iriam ser progressivamente retiradas e os resultados já são visíveis: no primeiro trimestre de 2017 as vendas de carros elétricos e híbridos plug in caíram 61%, apesar do mercado dinamarquês estar a crescer.

A paridade a nível de custos entre um automóvel elétrico e um automóvel com motor de combustão interna equivalente irá acontecer, mas tardará ainda muitos anos. Até lá, os governos teriam de sacrificar receita fiscal para aumentar a venda de veículos elétricos. Estarão dispostos a tal?

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