Glórias do Passado

Este é o Porsche mais barato que podes comprar. Ok… mais ou menos.

O que é que o Opel Zafira e a Porsche têm em comum? Mais do que imaginas.

Como sabes, a Porsche Engineering – departamento da marca alemã dedicado à pesquisa e desenvolvimento de soluções de engenharia para a indústria automóvel (e não só…) – sempre foi um dos pontos fortes da marca ao longo da sua história. Aliás, a história da Porsche enquanto empresa prestadora de serviços de engenharia é muito anterior à sua história enquanto construtora de automóveis.

Em 1995 começaram as conversações entre a Porsche e a Opel para o desenvolvimento de um monovolume.

Antes do lançamento do Porsche 356, que foi o primeiro modelo a ostentar o nome da marca, já existia Porsche há anos. Sabias que o Porsche 356 deve o seu nome ao facto de ter sido o projeto nº 356 da marca? Ou seja, antes do Porsche 356, já tinham sido desenvolvidos 355 projetos – não necessariamente automóveis.

Se recuarmos até à década de 90, a Porsche enquanto construtora de automóveis estava quase reduzida à insignificância (uma história que vale a pena contar «tim-tim por tim-tim» aqui na Razão Automóvel, mas não hoje…). Até meio da década de 90 a Porsche esteve em plena ressaca de uma década de delírio absoluto em termos de vendas. Nos finais das décadas de 70 e 80, ter um Porsche 911 era sinal de sucesso, sofisticação e bom gosto. Todos os yuppies tinham um.

Engenharia de topo

Mas como qualquer ressaca, essa ressaca foi dolorosa. E quase levou a Porsche à falência. Os «Gurosan» da Porsche vinham do seu departamento de engenharia, que continuava a oferecer um know-how impressionante, oriundo da aposta constante no desporto motorizado e na contratação dos engenheiros mais talentosos.

Ao longo da história, foram muitas as marcas que recorreram aos préstimos da Porsche para desenvolver soluções de engenharia. A Volkswagen é um desses clientes históricos, mas há mais. Também podemos referir a SEAT (pré-Volkswagen) e até a Mercedes-Benz (graças ao E500).

Entre estes clientes, há um que tem escapado praticamente despercebido ao longo dos anos – até na Internet a informação é escassa. Mas como nós somos profissionais a desenterrar histórias… Como já devem ter percebido, estamos a falar da Opel.

Um monovolume com ADN Porsche

Em 1995 começaram as conversações entre a Porsche e a Opel para o desenvolvimento de um monovolume. Estávamos no apogeu do segmento dos monovolumes. Toda a gente queria ter um – chegaram a circular rumores que a fábrica da Autoeuropa até ia produzir uma versão do Volkswagen Sharan com o logótipo da Audi (já procurei imagens desses rumores mas, tal como eu, a Internet ainda era uma criança).

Opel Zafira Porsche
O Opel Zafira em exposição no Museu da Porsche

A Opel precisava de um monovolume compacto que oferecesse sete lugares e que não ficasse muito caro de produzir – tanto os motores como os componentes deviam ser reaproveitados de outros modelos. Um caderno de encargos simples de entender mas (muito) difícil de cumprir. Foi então que a Opel foi bater à porta da Porsche Engineering. “Meus caros, precisamos de monovolume compacto, barato, prático, confortável e que se comporte dignamente em estrada. São capazes de fazer isso?”.

A Porsche não só foi capaz de fazer tudo isso, como ainda arranjou maneira de «esconder» a terceira fila de bancos debaixo do habitáculo – se a memória não me falha, o Opel Zafira foi o primeiro monovolume compacto a recorrer a esta solução. Tanto o chassis como o esquema de suspensões do Zafira também tinham assinatura da Porsche. As peças, essas eram praticamente todas oriundas do Opel Astra. A produção arrancou em 1998.

O Opel Zafira tinha uma base tão boa que a marca alemã decidiu lançar uma versão desportiva – sim, podem rir-se à vontade. Chamava-se Opel Zafira OPC e recorria a um motor 2.0 litros Turbo com 192 cv. Era o monovolume mais rápido do mercado, atingia os 220 km/h e demorava apenas 8,2 segundos dos 0-100 km/h. Respeitinho!

A superioridade do Zafira era tanta que quando foi lançado, deixou toda a concorrência a «ver navios». O Renault Scénic, contemporâneo desta geração do Zafira, parecia um ferry-boat comparado com o modelo alemão. E vale a pena lembrar que a Renault foi a fundadora do segmento dos monovolumes, portanto, pode dizer-se que a marca francesa foi vencida no seu próprio jogo… pela Porsche!

Por volta dessa altura, a Opel lançou também outro monovolume – esse sem ajuda da Porsche. Chamava-se Opel Sintra e sinceramente só me lembro dele porque ostentava o nome de uma bela cidade portuguesa. Se querem ver uma imagem da «coisa» cliquem aqui – não o coloco aqui diretamente porque não quero sujeitar ninguém a esse sofrimento sem consentimento prévio. #clickbait 😂

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