Antevisão

Um elétrico, novos motores e um Mazda… Stinger? O futuro da marca japonesa

A Mazda está de boa saúde e recomenda-se. Mas haverá tempo para relaxar numa indústria em constante evolução?

Se bem se lembram, em 2012, sob o signo SKYACTIV – uma abordagem holística na concepção da sua nova geração de modelos -, a Mazda reinventou-se. Novos motores, plataforma, conteúdos tecnológicos e tudo envolvido com a apelativa linguagem visual KODO. Resultado? Nos últimos cinco anos, não só vimos nascerem produtos de maior qualidade como isso se começou a refletir nas vendas.

Nesse período, as vendas cresceram cerca de 25% a nível mundial, passando de 1.25 para 1.56 milhões de unidades. A aposta clara nos SUV foi um ingrediente fundamental para esse crescimento. Coube, inclusive, ao SUV CX-5 ser o primeiro modelo totalmente SKYACTIV.

Agora, abaixo do CX-5 temos o CX-3, e acima o CX-9 destinado ao mercado norte-americano. E existem ainda mais dois: o CX-4, vendido na China – está para o CX-5 como o BMW X4 está para o X3 -, e o recém-anunciado CX-8, a versão de sete lugares do CX-5 destinada, para já, ao mercado japonês. Segundo a Mazda, os seus SUV passarão a representar 50% das vendas globais.

Há vida para além dos SUV

Se a venda dos SUV darão muitas alegrias a curto prazo, há que preparar o futuro. Um futuro que será bem mais exigente para os construtores que têm de lidar com regulamentos de emissões mais restritos.

Para enfrentar este novo cenário a Mazda deverá apresentar novidades no próximo salão de Tóquio, que abre portas no final de outubro. Novidades que deverão incidir precisamente na sequela para o conjunto de tecnologias SKYACTIV, denominada SKYACTIV 2.

Mazda SKYACTIV motor

Já são conhecidos alguns detalhes do que poderá ser parte desse pacote tecnológico. A marca prepara-se para dar a conhecer, já em 2018, o seu motor HCCI, que aposta no incremento da eficiência dos motores de combustão interna. Já explicámos em mais pormenor no que consiste esta tecnologia.

Das restantes tecnologias pouco se sabe. Na recente apresentação do Mazda CX-5, os poucos pedaços de informação revelados permitiram perceber que são de esperar mais novidades noutros campos que não apenas os motores.

Um Mazda… Stinger?

Tal como o fantástico RX-Vision de 2015 deu a conhecer a evolução da linguagem de design KODO, o salão de Tóquio deverá ser o palco da apresentação do novo concept da marca nipónica. Presumimos que tal concept sirva de mostruário do conjunto de soluções SKYACTIV 2.

2015 Mazda RX-Vision

A surpresa poderá vir sobre a forma desse concept. E envolve o Kia Stinger. A marca coreana gerou um impacto substancial após a apresentação do seu modelo mais rápido de sempre, e ficámos a saber agora que a Mazda poderá estar a preparar algo em moldes semelhantes para mostrar em Tóquio. Barham Partaw, designer da Mazda, ao saber que em Portugal já existiam encomendas para o modelo coreano, mesmo sem ter ainda chegado ao mercado, em jeito de desabafo referiu que “deveriam ter esperado um pouco mais”. O quê?!

E o que isso significa? Um esguio “fastback” com tração traseira por parte da Mazda? Captou definitivamente a nossa atenção.

Onde encaixa o Wankel?

Apesar dos esforços da marca na preparação de uma nova geração de motores de combustão interna – que continuarão a representar a maior parte das vendas na próxima década -, também o futuro na Mazda passa pelos veículos elétricos.

Podemos avançar, desde já, que não será um rival do Tesla Model S ou até do mais pequeno Model 3. Segundo Matsuhiro Tanaka, chefe do departamento de pesquisa e desenvolvimento da marca na Europa:

“[Um veículo elétrico] é uma das possibilidades que estamos a examinar. Os automóveis pequenos são ideais para as soluções 100% elétricas, porque os automóveis maiores também exigem baterias maiores excessivamente pesadas, e isso não faz sentido para a Mazda”.

PRIMEIRO CONTACTO: Conduzimos o novo Mazda CX-5, um SUV para entusiastas da condução

Ou seja, deveremos esperar, em 2019, um rival do Renault Zoe ou do BMW i3 – este último com uma versão com extensor de autonomia. Existe uma grande possibilidade de assistirmos a uma solução semelhante por parte da Mazda para o seu futuro elétrico.

E como já devem estar a adivinhar, é precisamente aqui que o Wankel “encaixará” – ainda há pouco tempo detalhámos essa possibilidade. Mais recentemente, na revista oficial da marca, a Mazda quase parece confirmar o futuro papel do Wankel como gerador:

“O motor rotativo pode realmente estar à beira do regresso. Como única fonte de propulsão, pode ser comparativamente mais gastador, conforme as rotações sobem e descem e as cargas variam. Mas a uma velocidade constante a um regime otimizado, tal como um gerador, é ideal.”

2013 Mazda2 EV com Range Extender

No entanto, o Wankel poderá ter outras aplicações no futuro:

“Existem outras possibilidades futuras. Motores rotativos funcionam de forma soberba a hidrogénio, o elemento mais abundante no universo. É também muito limpo, já que a combustão de hidrogénio apenas produz vapor de água.”

Já vimos no passado alguns protótipos nesse sentido, desde um MX-5 ao mais recente RX-8. Apesar das expectativas que a própria marca parece continuar a alimentar, onde se inclui a apresentação do fantástico RX-Vision (em destaque), parece estar fora da agenda, definitivamente, um sucessor directo para máquinas como o RX-7 ou RX-8.

 

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