Ao volante

Já conduzimos o novo Kia Picanto

A Kia apresentou em Lisboa a nova geração do Picanto. Nas próximas linhas, as nossas primeiras impressões.

Em Lisboa

Fomos conhecer a terceira geração do Kia Picanto, a proposta citadina da marca coreana. Um modelo que se insere no segmento A, segmento este que deixou de ser sinónimo dos carros “baratinhos” e passou a ser uma opção, não só pelo preço, mas também pelas dimensões compactas e pela apresentação cada vez mais cuidada.

O Kia Picanto é um desses exemplos.

2017 Kia Picanto traseira

João Seabra, diretor-geral da Kia Portugal, destaca precisamente essa mudança no mercado:

“Esta nova geração do Kia Picanto personifica as novas tendências no segmento A, no qual se verifica que a procura é cada vez mais orientada por uma escolha deliberada por um carro citadino e compacto, sem comprometer os atributos de estilo e versatilidade. Se antes esta era uma opção muitas vezes ditada por constrangimentos de preço, hoje a opção por um carro desta classe corresponde a um estilo de vida urbano e consciente.”

Este elevar de perceção do segmento justifica a aposta da Kia no aprimoramento do estilo e apresentação do seu pequeno modelo.

Por fora, o Picanto parte das premissas do antecessor, mas adiciona traços que elevam a sua agressividade visual. Algo que é visível, sobretudo, na nova frente. As óticas ganham contornos mais angulares, a grelha “nariz de tigre” cresce em dimensão e o Picanto ganha uma nova e mais agressiva entrada de ar inferior de formato trapezoidal.

Seguindo as últimas tendências, as óticas dianteiras e a grelha surgem agora unidas.

Se externamente pode ser considerado uma evolução do antecessor, no interior as mudanças são mais profundas. Tanto a apresentação como a perceção de qualidade subiu vários patamares.

O painel de instrumentos adota um formato mais horizontal, as saídas de ventilação têm um aspeto mais cuidado e a consola central foi totalmente redesenhada, assim como o volante. Este passa a integrar comandos com diversas funções. Outra novidade é a possibilidade do Picanto receber um ecrã táctil de 7 polegadas.

GT Line como novo topo de gama

Como está a acontecer no restante segmento, também o Picanto viu a sua gama ser diversificada. A nova versão GT Line (o modelo branco nas imagens), de inspiração desportiva, assumirá o papel de topo de gama. Destaca-se visualmente das restantes versões pelo para-choques dianteiro e traseiros específicos, saias laterais, jantes de 16 polegadas e dupla saída de escape.

Deverá chegar a Portugal durante o mês de junho.

2017 Kia Picanto GT Line frente

A gama ficará assim composta com três níveis de equipamento, duas motorizações e duas transmissões. As motorizações já conhecidas: o 1.0 litros (de três cilindros) com 67 cv e o 1.2 litros (de quatro cilindros) com 84 cv. Estes motores podem ser associados a uma transmissão manual de cinco velocidades ou, em opção, a um transmissão automática de quatro velocidades.

Face à anterior geração, o novo Picanto perde, no entanto, a versão GPL.

Mais para o final do ano, a gama de motorizações será estendida com a estreia do 1.0 T-GDI. Graças a adição de um turbo ao motor 1.0 litros, a potência sobe para os 100 cv e o binário para 172 Nm. Será uma das propostas mais potentes do segmento.

Os níveis de equipamento são três – LX, EX  e GT Line -, e mesmo no mais acessível LX, a lista é extensa. Ar condicionado manual, kit Bluetooth ou ligação USB destacam-se.

A versão EX acrescenta volante e punho da caixa de velocidades em pele, jantes em liga leve de 15 polegadas, faróis de nevoeiro dianteiros, vidros traseiros elétricos e cintos de segurança ajustáveis em altura. A versão GT Line traz jantes de 16 polegadas, apoio de braço dianteiro com compartimento de arrumação, pedais em alumínio e LED para luzes diurnas, piscas e óticas traseiras.

Picanto estreia nova plataforma

A nova base promete mais rigidez, menos peso e melhor aproveitamento de espaço. Apesar de tudo, o comprimento, largura e altura mantém-se relativamente ao antecessor. A única diferença reside na distância entre eixos que cresce 15 mm até aos 2.40 m. O packaging da nova plataforma é também superior ao permitir melhores cotas internas que o colocam entre os mais espaçosos do segmento. A bagageira cresce de 200 para os 255 litros, tornando-o no modelo do segmento A com a maior mala, ainda que a diferença seja pequena.

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De notar o aumento de rigidez estrutural que a nova plataforma permite – cerca de 12% -, graças ao maior recurso a aços de alta resistência e adesivos estruturais. Apesar da base mais sólida, o peso baixou cerca de 28 kg, ficando-se pelos 902 kg.

Impressões ao volante

Experimentámos o novo Kia Picanto, na sua versão 1.0 EX. A cidade é, sem dúvida, o seu habitat natural. O Picanto tem apenas 1.595 m de largura, um dos mais estreitos do segmento. Apesar do curto teste, tal pormenor revelou-se útil no ultrapassar de algumas dificuldades no trânsito.

Como seria de esperar, a manobrabilidade é excelente e os comandos são de tato leve, o que é uma benesse em condução citadina.

Também a boa visibilidade ajuda para a facilidade de condução do Picanto. A disponibilidade de espaço atrás é bastante razoável, ainda assim mais indicada para duas pessoas do que para as três homologadas. A bagageira pode ser a maior do segmento, mas o “degrau” de acesso é demasiado alto.

O rebatimento dos bancos – fácil e assimétrico 60/40 – aumenta a capacidade para os 1010 litros.

Em andamento nota-se um bom nível de conforto a bordo, com o Picanto a conseguir lidar eficazmente com tudo o que encontrou pela frente.

Desde ligeiras perturbações no asfalto, aos piores exemplares de estradas de paralelos alfacinhas “entrelaçados” com carris dos elétricos. Mesmo a enfrentar o mais degradado dos pisos, o interior manteve-se incólume. É percetível a elevada robustez do pequeno Picanto, assim como o bom nível de insonorização. Esse muito bom nível evidenciou apenas um constante bater da chapeleira com a transposição de irregularidades.

A facilidade de condução, conforto e robustez contrasta com o desempenho tímido do motor de 1.0 litro e três cilindros. Claro que, com 67 cavalos, não seria de esperar um carro rápido. Ainda assim revelou-se adequado para à sua missão citadina.

2017 Kia Picanto frente

Mas quando decidimos puxar um pouco mais por ele, seja para chegar mais rápido ou enfrentar gradientes mais expressivos, faz-se ouvir de forma excessiva e pouco agradável. A unidade testada era basicamente 0 km, pelo que, talvez seja uma questão de acrescentar alguns milhares de quilómetros para a soltar e atenuar alguns dos seus traços menos agradáveis.

Os comandos leves, como a direção, são uma benesse em condução citadina, como referimos. Seria desejável, no entanto, que, com o aumento de ritmo ou em condução mais vivaz, a mesma ganhasse algum peso. Permitiria ser mais preciso nos movimentos e incutiria mais confiança aos condutores. Dito isto, deixamos para uma oportunidade futura o teste mais completo a todas as competências dinâmicas do Picanto.

2017 Kia Picanto e Kia Picanto GT Line

Os preços do Kia Picanto

A Kia oferece um desconto de 1400 € para a campanha de lançamento do novo Picanto. Os preços, por isso, começam nos 11 720 € para o 1.0 LX, 12 420 € para o 1.0 EX e 14 170 € para o 1.2 GT Line. As versões com caixa automática estão disponíveis nas versões 1.0 EX, 1.2 EX e 1.2 GT Line, a que correspondem 13 870 €, 14 920 € e 15 920 € respectivamente. Como sempre, a Kia apresenta uma garantia de 7 anos ou 150 mil quilómetros.


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