900 Nm às 1000 rpm

Audi SQ7 ou… como ensinar ballet clássico a um pugilista

Imaginem o Mike Tyson a dançar ballet clássico. Pois bem, o novo Audi SQ7 é o equivalente em versão automóvel. Motor 4.0 TDI V8 é estreia absoluta.

Em Centre Ville Guebwiller, Alemanha

Imaginem que o Mike Tyson era capaz de dançar ballet clássico. Força colossal aliada à agilidade e precisão. Pois bem, o novo Audi SQ7 é o equivalente a isso em versão automóvel. Foi a sensação com que ficámos neste primeiro contacto.

Força colossal e dimensões XXL. Basta uma breve leitura da ficha técnica do novo Audi SQ7 para ficarmos com a certeza que estamos perante um SUV gigantesco, tanto em potência como em dimensões. Com 2330 kg de peso, 435 cv de potência e 900 Nm de binário máximo às 1000 rpm(!), o Audi SQ7 cumpre os 0-100 km/h em apenas 4.8 segundos.

Se estes valores impressionam na ficha técnica, ao volante impressionam ainda mais. Como é que a Audi conseguiu fazer deste peso-pesado um sprinter tão competente? Vou dar-te a resposta nas próximas linhas.

Motor 4.0 TDI desenvolvido a partir do “zero”

Se bem te recordas, o Diesel mais potente do mercado já pertencia à Audi — vê aqui o Top 5 das motorizações Diesel da atualidade. Não satisfeita, a marca alemã decidiu desenvolver a partir do zero um novo motor 4.0 litros TDI V8 bi-turbo coadjuvado por um compressor volumétrico elétrico (EPC).

novo audi sq7 2017 4.0 tdi (6)

Como já tinha referido, a ficha técnica deste motor impressiona: são 435 cv de potência máxima às 3750 rpm e um binário máximo de 900 Nm constante entre as 1000-3250 rpm. Ou seja, tem o binário máximo disponível desde o arranque!

Alcançar estes valores só foi possível graças à estreia de um compressor volumétrico acionado eletricamente (o tal EPC) responsável por alimentar os dois turbocompressores mecânicos quando não há pressão de gases suficiente para fazer girar as suas turbinas. Resultado? Melhora a entrega de binário e elimina praticamente o tradicional “turbo lag”.

SQ7 TDI

Quanto aos dois turbocompressores mecânicos, estes são ativados de acordo com o conceito sequencial de carga: um atua nos baixos e médios regimes e o segundo apenas é ativado nos altos regimes (acima das 2500 rpm). Outra das particularidades do sistema EPC é ser alimentado por um sistema elétrico de 48V que num futuro muito próximo será responsável pela alimentação de outros sistemas (mas já lá vamos…).

Sensações ao volante

Mandei a ficha técnica para o banco de trás e arranquei com SQ7 em modo Dynamic (o mais desportivo). Como que por magia os 2330 kg de peso desapareceram e fui catapultado para os 100 km/h em menos de cinco segundos. É quase como arrancar a fundo num apartamento de duas assoalhadas.

Audi SQ7 TDI

Daí para a frente a linearidade do motor é tanta que disfarça a pujança dos 435 cv. Entretanto olhei para o velocimetro e “o quê?! Já nos 200km/h?“. Ou seja… não esperem sensações avassaladoras como se de um desportivo se tratasse, esperem isso sim(!), um motor muito redondo, sempre disponível, capaz de catapultar este SUV de 2,3 toneladas com uma naturalidade que desafia as leis da física. Mais que brutal, é colossal.

“Abrandando o ritmo e selecionando o modo Confort, é um Audi Q7 como tantos outros: bem construído, confortável e tecnológico.”

Com tanto «poder de fogo», as curvas chegam mais rápido do que é normal num automóvel com mais de cinco metros. Felizmente a Audi não limitou a atenção à unidade motriz e brindou-nos com uma dinâmica excepcional — de outra forma este Q7 jamais receberia a denominação SQ7. A auxiliar a travagem encontramos uns enormes discos em cerâmica mordidos por pinças de quatro pistões.

Chegada a altura de inserir o Mike Tyson (foi assim que baptizei o SQ7) nas curvas, somos surpreendidos com a precisão não de um pugilista, mas de uma bailarina clássica. As barras estabilizadoras ativas (acionadas por um motor elétrico capaz de gerar 1200 Nm de força torcional) limitam a inclinação da carroçaria e as quatro rodas direcionais apontam o Audi SQ7 exatamente para onde desejamos.

À saída da curva, o sistema de tração quattro e o diferencial traseiro desportivo com vetorização de binário encarregam-se de colocar toda a potência no chão.

Ao conjunto destes sistemas a Audi chama “controlo de suspensão em rede”. Todos os sistemas são operados por uma unidade de controlo partilhada que centralizada as funções garantindo a máxima coordenação de todos os sistemas. Com tudo isto, será que me esqueci que estava a conduzir um SUV com mais de duas toneladas? Sim, por momentos sim.

Conclusão deste primeiro contacto

A marca de Ingolstadt conseguiu aliar neste SUV de sete lugares a força física de um pugilista com a leveza de movimentos de uma bailarina. O tipo de coisas que só se conseguem com recurso a tecnologia de ponta, com destaque para o sistema de 48V responsável pela alimentação do EDC e das barras estabilizadoras ativas — num futuro próximo este sistema elétrico será usado para alimentar os sistemas de condução autónoma e para aproveitar energia cinética gerada (que de outra forma seria desperdiçada).

Abrandando o ritmo «apressado» e selecionando o modo Confort, o SQ7 é um Audi Q7 como os outros: bem construído, confortável e tecnológico. Quanto aos consumos, nos breves momentos que andei em modo «normal» consegui alcançar médias em torno dos 9,0 litros — nada mau para um pugilista.

Por tudo isto a Audi pede 120 000 euros, aos quais na minha opinião é quase obrigatório juntar as barras estabilizadoras ativas, o eixo traseiro direccional e o diferencial desportivo (opcionais ainda sem valor confirmado). Ou é ou não é! Espero por ele em Portugal para mais um «round de bailado», desta vez pelas estradas nacionais…


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