Entrevista

RACC 2012 – Paulo Freire e Joaquim Capelo a fundo no dilúvio da Catalunha!

E se vos disséssemos que há uma equipa luso/angolana no Rali de Espanha? A primeira e única com esta dupla nacionalidade e uma das duas únicas equipas portuguesas ainda em prova.

Privados, amadores (mas experientes) e sem apoios, lançaram-se pelas curvas sinuosas de um Rali que tem afastado os melhores e onde participam as estrelas de um Mundial marcado pelas dificuldades de um mercado em declínio.

Os Ralis começam sempre de forma humilde para esta dupla, que sem vaidade afirma: “O mais importante é acabar o Rali”. Quem sabe o que é uma incursão pelas estradas de um Rali, sabe que, acima de tudo, é preciso responsabilidade – para um privado, que não é profissional e não conta com o apoio logístico das equipas oficiais do WRC, as consequências de andar no limite podem ser devastadoras.

A coragem de avançar
Um olhar para a tabela deste Rali do Mundial e conseguimos perceber que as equipas portuguesas são só três. Esta dupla luta até ao fim, sem apoios ou ventos favoráveis da pressão mediática dos média, para que seja possível sustentar o que para muitos é difícil de alcançar – a entrada numa prova do Mundial.

Já não é a primeira vez que Paulo Freire pisa a fundo o acelerador de um carro de ralis, a sua experiência atrás do volante começou há muitos anos e para além de terra batida e estradas que entram por aldeias adentro, também correu nos radicais, troféus, entre muitos outros e ladeado pelas bancadas de circuitos.

Joaquim Capelo é o navegador. Foram muitos os dias passados em frente à televisão da casa do co-piloto, a ver e rever os vídeos dos troços enviados pela organização. Sentados no sofá, analisaram muitas horas de vídeo – as notas bem tiradas são essenciais, um pequeno erro pode atirar o EVO X para fora de estrada. Apesar de ser uma equipa pequena, partiu com o trabalho de casa muito bem feito para a Catalunha.

Um Rali que não queria dar o braço a torcer
“O primeiro dia foi muito duro, manter o carro na estrada foi um desafio constante” – Paulo Freire, que já conta com sete anos de Rali da Catalunha, revela o díficil que foi chegar ao fim do primeiro dia. Foram vários os pilotos afastados logo no arranque deste Rali, a lama intensa foi o prato – envenenado – do dia.

Na sexta-feira chegaram à última SS, na marginal de Salou e efectuaram o 33º tempo. Esta classificativa tinha 2,000 mts e destinava-se ao espectáculo nos jardins da marginal de Salou.

Um segundo dia mais lento. Maldito escape!
Os troços em asfalto são rápidos e a aderência superior mas a saída das curvas pode ser traiçoeira – uma ida com a roda traseira à berma num corte de curva na SS3 levou a uma batidela que estrangulou o escape, uma vítima da diferença da altura de piso. Amanhã e com o problema resolvido prometem andar a fundo!

Os melhores portugueses em prova
Entrar num Rali não é nada de novo para estes dois aventureiros. Essa entrada faz-se de forma discreta e apesar da experiência que já pesa não dão nada por garantido, nem mesmo chegar ao fim do Rali. São de longe os melhores portugueses em prova, mas em Portugal nada se ouve falar.

Paulo demonstra a sua tristeza – vê bandeiras portuguesas ao longo das provas a acenar, mas a comunicação social prefere divulgar a desgraça, do que o exemplo de portugueses que investem e levam o nome de Portugal além das suas fronteiras. Este mundial não é uma futilidade – 720 milhões de fãs seguem-no religiosamente por todo o mundo.

Uma equipa que veio para ficar
Depois da experiência de uma experiência fora de portas, fica a promessa – novidades para 2013 ainda estão para vir, mas uma coisa é certa, estes senhores vão andar a queimar gasolina e a derreter pneus na próxima edição do Rali de Portugal. Podem contar com a equipa do RazãoAutomóvel na fila da frente a apoiar esta dupla!

Texto: Diogo Teixeira

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