Tuning

Temos de acabar com o culto dos «fumarentos» em Portugal

A alteração de carros, vulgo tuning, tem demasiados limites em Portugal — estamos todos de acordo? Ainda assim há quem consiga ultrapassar todos os limites. A cultura dos fumarentos tem de acabar.

Cultura automóvel e paixão pelos automóveis. Uma das coisas que mais aprecio na cultura automóvel é a diversidade de gostos e de preferências que existe. Experimentem ir a um track-day e vejam com os vossos próprios olhos. Há espaço para todos, e para todos os gostos. É a festa dos automóveis.

Os adeptos dos clássicos, os adeptos dos carros italianos, os tipos da competição, a malta dos Honda Civic ou os doidos por marcas alemãs — apenas para mencionar alguns. Por muito diferentes que sejam os membros destas tribos, há um denominador comum: o gosto pelos automóveis. Independentemente do estrato social, da escolaridade, do gosto pessoal, das cores clubísticas, enfim… de tudo. Naquele dia, àquela hora, são todos iguais. São todos amantes de automóveis.

É quase impossível não admirar a diversidade que existe na cultura automóvel. Conseguíssemos nós colocar mais vezes as nossas diferenças de lado, no dia a dia, e o mundo seria um lugar melhor. Foi o meu momento Miss Universo…

Independentemente do meu gosto pessoal — vale o que vale… — admiro automóveis de todas as tribo. Até das tribos mais radicais como o Stance, OEM+, Rat Style entre outros estilos (de carro ou de vida…).

Segurança Rodoviária Multa por excesso de velocidade. E agora?

Depois há os fumarentos…

Aqui não. Seja qual for o ponto de vista, automóveis que emitem cortinas de fumo espesso e circulam na via pública não fazem sentido.

As reprogramações mal executadas, as modificações para lá dos limites, o fumo a perder de vista, são tudo coisas que não têm lugar na via pública. A procura por mais potência é legitima mas há limites que não podem ser ultrapassados.

Quando a procura por mais potência afeta a saúde pública esse limite foi ultrapassado.

Como disse no início do texto, há demasiados limites às modificações dos automóveis em Portugal — um assunto que dava pano para mangas — mas no caso dos carros Diesel, modificados para debitarem potências que em alguns casos duplicam a potência original, não há classificação possível.

Enquanto aceitarmos esta «tribo negra» e formos coniventes com a cultura dos fumarentos no seio das comunidades de amantes de automóveis (concentrações, track-days, clubes e grupos informais) mais tempo vamos levar até conseguirmos discutir de forma séria e comprometida o fenómeno das modificações de automóveis em Portugal.

Goste-se ou não das modificações de automóveis — nas suas mais diversas expressões — é uma indústria que gera muitos milhões de euros, e quem as pratica ou faz delas atividade profissional merece que lhe seja dada o devido destaque. Sem fumos.

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