Desporto motorizado

A época em que Stuck e a Audi mostravam o rabo à concorrência

Aquele momento em que descobrimos que os alemães também têm sentido de humor. Tudo aconteceu em 1989, no campeonato americano IMSA.

Antes de vos mostrarmos o «boneco que baixa as calças», vamos contextualizar o assunto.

Na década de 80 a Audi ganhava todas as competições onde se envolvia. Todas. Na Europa, durante grande parte da década de 80 era indiscutível a supremacia dos Audi quattro no Mundial de Ralis. Foi assim enquanto por lá estiveram.

Mas havia um problema. Nos EUA, um mercado importante para a Audi, ninguém queria saber do Mundial de Ralis para nada.

Audi Quattro

Tendo isto em consideração, a Audi decidiu inscrever-se no campeonato Trans-Am com um Audi 200 quattro Trans-Am. Um modelo com tração às quatro rodas (óbvio), motor 2.1 l com mais de 600 cv e Hans-Joachim Stuck ao volante. Resultado? Oito vitórias em 13 corridas.

Audi 200 quattro Trans-Am

A tareia que Audi deu nos americanos foi tão grande que a Trans-Am decidiu banir todos os carros que tivessem sistema de tração integral e motor «não-americano». O equivalente àquele puto mimado que é dono da bola e que vai para casa com a bola debaixo do braço sempre que está a perder… (se me estás a ler, isto é para ti André Marques!)

Banidos? Não tem problema

Banida do Trans-Am — afinal de contas, eles eram os donos da bola — a Audi mudou-se de «armas e bagagens» para um campeonato semelhante, porém com uns regulamentos menos restritivos: o IMSA GTO.

Chassis tubular, motores sobrealimentados, sistema de tração integral, esquema de suspensões livre, enfim… de carros de turismo os IMSA GTO só tinham mesmo o aspeto. Resultado? Novo domínio da Audi.

Todos contra Hans-Joachim Stuck

Felizmente, no que toca a espetáculo os americanos dão 1000 a 0 aos europeus. E perante a supremacia do Audi 90 IMSA GTO um dos adversários fez um autocolante com a cara de Hans-Joachim Stuck (piloto da Audi) e um sinal de proibido por cima.

Hans Joachim-Stuck
O autocolante que inspirou Hans-Joachim Stuck a equipar o seu Audi com um boneco que mostra o rabo.

A resposta de Hans-Joachim Stuck não podia ser mais humorada e peculiar. A equipa da Audi encontrou um boneco que baixava as calças e instalou-o no vidro traseiro do Audi 90 IMSA GTO.

Boneco que mostra a rabo
Foi assim que a Alemanha perdeu a guerra mas também foi assim que a Audi ganhou corridas (desculpem, foi mais forte que eu!).

Como é que funcionava o sistema de baixar as calças? — não acredito que acabei de escrever isto. O mecanismo era simples: Hans-Joachim Stuck tinha uma manete junto à porta que estava ligada por um cabo ao boneco no vidro traseiro. Sempre que ultrapassava um concorrente, pimba… mostrava o rabo à concorrência. Hilariante!

Neste vídeo (mais abaixo), Hans-Joachim Stuck refere que ainda usa este boneco no seu carro do dia-a-dia. E desmancha-se a rir enquanto fala disso…

Vejam como funcionava:

Com toda esta história do boneco que baixa as calças, fiquei com vontade de voltar à temática dos Audi nos campeonatos de velocidade americanos. Quando se junta turbocompressores KKK e motores de cinco cilindros há sempre muito que contar. Mas isso fica para outro dia… afinal de contas, a bola é minha 😉


NOTA: Conseguiram perceber, no vídeo, qual é o nome que Hans-Joachim Stuck deu ao boneco?

Sabes responder a esta?
Conduzimos um carro de ralis, sabes qual foi?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Conduzimos o carro mais antigo do Mundial de Ralis (Parte 1)

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