Leilão

Mazda RX-7: o único Grupo B com motor Wankel

O Grupo B deu-nos as máquinas mais furiosas e carismáticas e nem o Mazda RX-7 e o seu motor Wankel escaparam ao seu fascínio.

Este ano o motor Wankel na Mazda celebra 50 anos e os rumores sobre o regresso deste tipo particular de motor à marca estão mais fortes que nunca. Até haver (novamente) confirmação se teremos ou não nova máquina com motor rotativo, continuamos a descobrir as ramificações da saga Wankel.

E esta é uma das menos conhecidas. Vai a leilão no próximo dia 6 de setembro em Londres, pela RM Sotheby’s, um raro Mazda RX-7 Evo Grupo B, de 1985. Sim, é um Mazda Grupo B.

Na década de 80, o piloto alemão Achim Warmbold esteve por trás da Mazda Rally Team Europe (MRTE), na Bélgica. Inicialmente os seus esforços concentraram-se no desenvolvimento do Mazda 323 Grupo A, mas esse projecto seria rapidamente sucedido pelo mais ambicioso Mazda RX-7 Grupo B com motor Wankel.

Ao contrário dos monstros que surgiam nesta categoria – tração às quatro, motor central traseiro e sobrealimentado -, o Mazda RX-7 permaneceu bastante “civilizado”. Na sua base estava a primeira geração do desportivo (SA22C/FB), e tal como o carro de produção mantinha a tração traseira, o motor na frente e nem um turbo à vista. Longe dos protótipos como o Lancia Delta S4 ou o Ford RS200.

O motor, o conhecido 13B, manteve-se naturalmente aspirado. Para obter mais potência, o teto máximo de rotações teria de subir. Os 135 cavalos às 6000 rpm do modelo de produção passaram a 300 às 8500!

Apesar da ausência de um turbo e da tração total, o Mazda RX-7 Evo, como seria denominado, conseguiu obter um terceiro lugar no Rali da Acrópole (Grécia) em 1985. Apenas esteve presente no campeonato mundial de ralis durante 1984 e 1985 e verdade seja dita, este projecto nunca recebeu grande apoio por parte da casa-mãe. A Mazda deu preferência ao desenvolvimento do 323 Grupo A – motor de quatro cilindros com turbo e tração às quatro rodas. E historicamente, seria uma decisão sábia.

MRTE 019, o Mazda RX-7 que nunca chegou a competir

O Grupo B terminaria em 1986 e com ele, qualquer hipótese de novos desenvolvimentos para o RX-7. Devido às regras existentes, 200 unidades para homologação seriam necessárias, mas a Mazda só teria de construir 20, pois a marca nipónica já tinha estatuto de homologação nos Grupos 1, 2 e 4. Dos 20, presume-se que apenas sete tenham sido completamente montados, e um desses ficou destruído num acidente.

A unidade a leilão é o chassis MRTE 019, e ao contrário de outros RX-7 Evo, este nunca correu. Após o fim do Grupo B, esta unidade permaneceu na Bélgica, nas instalações da MRTE. No início da década de 90, o MRTE 019 seguiu para a Suiça – através do importador oficial da Mazda -, juntamente com os outros chassis e peças dos RX-7.

Após alguns anos desapareceu de cena, passando a fazer parte de uma coleção privada, antes de voltar a mudar de mãos para o dono atual. Foi com este último, David Sutton, que o MRTE 019 passou por um processo leve de restauro, que durou seis meses, de modo a garantir que todos os detalhes do carro estava corretos e não tinham sido adulterados. O resultado final é um Mazda RX-7 Evo em condições e com as especificações originais de fábrica.

Segundo a RM Sotheby’s, é garantidamente o único Mazda RX-7 Evo Grupo B original em existência e talvez o único Grupo B não usado.

Sabes responder a esta?
Qual destes carros também foi vendido com um motor Wankel?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Não foi só a Mazda que usou motores Wankel…

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