Emissões

BMW, Mercedes e Volkswagen chegam a acordo com governo alemão

Os construtores alemães e o governo alemão chegaram a um acordo para limitar as emissões NOx dos automóveis Diesel Euro 5 e Euro 6.

Foi apelidada de “Cimeira do Diesel” a reunião de emergência entre o governo alemão e os construtores alemães, realizada ontem, para lidar com a crise à volta das emissões e dos motores Diesel.

Desde o Dieselgate em 2015 – o escândalo de manipulação de emissões por parte do grupo Volkswagen – têm sido constantes as notícias de suspeitas, de investigações e até confirmações de que o problema era mais vasto. Mais recentemente, os anúncios de proibição de circulação de automóveis Diesel por parte de várias cidades alemãs motivou este encontro entre governantes e construtores.

Construtoras alemãs vão recolher mais de 5 milhões de carros na Alemanha

O resultado dessa reunião foi a elaboração de um acordo entre os construtores alemães – Volkswagen, Daimler e BMW – e o governo alemão. Esse acordo implica a recolha de mais de cinco milhões de automóveis Diesel – Euro 5 e Euro 6 – para uma atualização de software. Esta reprogramação permitirá reduzir as emissões NOx (óxidos de azoto) em cerca de 20 a 25%, segundo a VDA, o lóbi automóvel alemão.

O que o acordo não faz é restaurar a confiança do consumidor nos motores Diesel.
Arndt Ellinghorst, analista da Evercore

Deutsche Umwelthilfe quer banir Diesel

A redução deverá permitir evitar a proibição de circulação que algumas cidades alemãs planeavam. No entanto, o grupo ambiental Deutsche Umwelthilfe (DUH) afirma que o acordo reduzirá apenas em 2-3% as emissões NOx, revelando-se, no entender desta organização, insuficiente. O DUH afirma ainda que continuará a perseguir o objectivo de banir o Diesel em 16 cidades alemãs, através dos tribunais.

Incentivos para trocar automóveis mais antigos

Nesta mesma “cimeira” foi acordado que os construtores oferecerão incentivos pela troca de automóveis Diesel mais antigos que não podem ser atualizados (anteriores a Euro 5). A BMW já tinha anunciado anteriormente que ofereceria 2000 euros adicionais na troca por veículos mais recentes. Segundo a VDA, o custo destes incentivos excederá os 500 milhões de euros para os três construtores, a adicionar aos custos de mais de 500 milhões de euros das operações de recolha.

Também os construtores acordaram no investimento em mais postos de carregamento para veículos elétricos, e na contribuição para um fundo destinado a reduzir as emissões NOx por parte dos governos locais.

Eu compreendo que muitas pessoas pensem que a indústria automóvel alemã seja o problema. O nosso trabalho é clarificar que fazemos parte da solução.
Dieter Zetsche, CEO da Daimler

Fora deste acordo estão os construtores estrangeiros, que têm a sua própria associação, o VDIK, e que ainda não conseguiram fechar um acordo com o governo alemão.

Aumento das vendas de viaturas a gasolina pode aumentar níveis de CO2

A indústria alemã tem sido cada vez mais pressionada devido aos escândalos crescentes relacionados com o Dieselgate e a manipulação dos valores de emissões. Os construtores alemães – e não só – necessitam da tecnologia Diesel como um passo intermédio para cumprir as futuras normas de emissões. Têm de ganhar tempo não só para introduzir as suas propostas elétricas, como também esperar que o mercado chegue a um ponto onde os elétricos possam garantir um mix de vendas mais favorável.

Até lá o Diesel continua a ser a melhor aposta, no entanto, os custos são um problema. Devido à sua maior eficiência, resultando em menores consumos, significa 20-25% de emissões de CO2 a menos que os carros a gasolina. A queda de vendas dos Diesel na Alemanha – algo que se está a verificar um pouco por toda a Europa – significará a curto e médio prazo um aumento provável dos níveis de CO2.

Peso da indústria automóvel na Alemanha

Lidar com a crise Diesel na Alemanha tem sido um ato delicado. A indústria automóvel representa cerca de 20% dos empregos no país e garante mais de 50% do superavit comercial. A quota de automóveis Diesel no mercado alemão foi de 46% o ano passado. A quota de veículos Diesel na Alemanha era de 40,5% em julho deste ano.

A importância da indústria automóvel [na Alemanha] é extremamente elevada. A Volkswagen é mais importante para a economia da Alemanha do que a Grécia. A indústria automóvel tem de encontrar uma solução com o governo sobre como lidar com as questões à volta desta transformação estrutural.
Carsten Brzeski, economista ING-Diba

Fonte: Autonews / Forbes

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