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Volkswagen Eos: de carro de passeio a monstro de 500 cv em três passos

Lembram-se do Volkswagen Eos? O descapotável, de capota metálica, produzido na Autoeuropa até 2015, ganha uma segunda vida através dos canadianos da HPA.

Podia-se dizer muito sobre o Volkswagen Eos, mas dificilmente seria um paradigma de performance. O agradável descapotável – made in Portugal – era fundamentalmente um carro de passeio, mas a HPA (Highwater Performance Auto), preparadora canadiana especializada em Volkswagen e Audi, viu no simpático Eos uma oportunidade para exercitar os seus talentos.

Como transformar o Volkswagen Eos num monstro de performance? Uma receita em três passos.

Encontrar os “cavalos escondidos”

A base do projeto é um Eos 3.2 VR6, de 250 cavalos, modelo exportado, sobretudo, para o mercado norte-americano, onde se inclui o Canadá. A HPA já trabalha sobre este motor desde praticamente a sua fundação em 1991, coincidindo com o lançamento do VR6 (na altura com 2.8 litros).

Se procurarem por estórias sobre os motores da Volkswagen, certamente irão deparar-se com muitos episódios sobre motores com “cavalos escondidos”. Para pagar menos impostos na Alemanha, diziam… De qualquer forma, não haverá cavalos escondidos suficientes no VR6 para duplicar os 250 cavalos.

Como conseguir tal feito? Simples. “Basta” adicionar um turbo. Este “caracol”, de grandes dimensões, provém da Borg-Warner e permitiu ganhos épicos. No total, o 3.2 VR6 passou a debitar 500 cavalos e 813 Nm de binário! É muita fruta.

Não existem números concretos, mas estima-se que os 0 aos 100 km/h sejam agora atingidos em menos de 4.0 segundos. E aquele binário permite retomas de aceleração capazes de impressionar um Porsche 911 Turbo.

Segundo a HPA, o 3.2 VR6 do Eos, na hierarquia de motores preparados por eles, está a meio da gama. Um VR6 com 650 cv e um turbo apenas é possível, e as versões twin-turbo preparam-se para receber um monstro de 800 cv.

HPA Volkswagen Eos

Colocar todos os cavalos no asfalto

Colocar 500 cavalos no chão recorrendo somente ao eixo dianteiro – o único eixo com tração no Eos -, seria uma tarefa inútil. Felizmente, a HPA não é apenas conhecida pela preparação dos seus motores, como também pela sua experiência em lidar com o hardwaresoftware do sistema de tração total 4Motion e da caixa DSG.

O 4Motion, proveniente da Haldex, foi adaptado e reconfigurado ao Eos, de modo a entregar potência ao eixo traseiro de forma mais consistente e durante mais tempo.

O mesmo exercício na caixa DSG – dupla embraiagem e seis velocidades – permitiu ao Eos, e a qualquer outro modelo que recorra a esta caixa, aumentar a rapidez das passagens de velocidade, adicionar uma função “launch control” e aumentar o limite das rotações que pode atingir. No caso do Eos, devido aos 500 cavalos produzidos, foram efetuadas outras alterações não especificadas.

Mais atitude

O Volkswagen Eos apresentava um desenhado equilibrado, consensual e agradável. Um dos poucos CC (Coupé Cabriolet) a conseguir tal feito. Basta olhar para os concorrentes da altura – grande parte deles desenhos desproporcionados, que revelavam a dificuldade da tarefa de “encaixar” um teto rígido de grandes dimensões na traseira do veículo.

Mas mesmo assim, falta atitude ao desenho do Eos, pelo menos atitude visual que indique que este Eos não é um Eos regular. O objetivo não era o de criar um desportivo espalhafatoso que gritasse “olhem para mim”, mas sim o de acentuar um pouco mais os genes da agressividade.

HPA Volkswagen Eos

A solução da HPA foi radical. Livrou-se da frente do Eos e substituiu-a pela frente, decididamente mais agressiva, do Volkswagen Scirocco. E diga-se de passagem que o transplante facial resultou bastante bem. Foi necessário efetuar as mais variadas adaptações, como prolongar o tamanho do capot, mas o resultado final quase parece de fábrica. É definitivamente um sleeper, ou por outras palavras, um lobo em pele de cordeiro. A receita ideal para surpreender máquinas de outro calibre na estrada.

O projecto ainda não se encontra finalizado. O exterior ver-se-á livre de todos os símbolos e o interior verá alguns dos revestimentos substituídos.

Imagens: Road and Track

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