Glórias do Passado

Volkswagen Scirocco. Toda a história da «rajada de vento» de Wolfsburgo

O modelo que originalmente foi pensado como uma alternativa desportiva ao Golf nas décadas de 70 e 80, é atualmente produzido em Portugal. Recorda aqui as três gerações do Volkswagen Scirocco.

Como sabemos, a conferência anual da Volkswagen trouxe novidades não só quanto ao futuro da marca – que passará necessariamente pela mobilidade elétrica – mas também quanto ao presente. E neste particular, as notícias não são pacíficas: de acordo com o diretor de produto Arno Antlitz, modelos de nicho como o Scirocco correm o risco de serem descontinuados. Motivo mais que suficiente para fazermos uma retrospectiva dos 27 anos de produção do Volkswagen Scirocco – dos quais nove foram precisamente em Portugal.

Uma «tempestade» na gama da Volkswagen

A missão original do Scirocco era simples: ser um desportivo competente mas acessível, seguro e prático de utilizar no dia-a-dia, para substituir o Karmann Ghia Coupé. O primeiro esboço surgiu na forma de um protótipo com linhas bastante angulosas, estreado no Salão de Frankfurt de 1973.

 

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No ano seguinte, três meses antes do próprio Golf, chegava ao mercado alemão o Scirocco.

Apesar das formas coupé, reforçadas pelo vidro traseiro inclinado e pelos escassos 1.31 metros de altura, o Scirocco seguia a mesma filosofia estilística do Golf – ambos partilhavam a plataforma Grupo A1 da Volkswagen. Desenhado por Giorgetto Giugiaro, o Scirocco destacava-se pelos quatro faróis dianteiros (circulares), para-choques cromados com ponteiras em plástico e pela área envidraçada que crescia até ao pilar C.

A origem do nome Scirocco (em italiano) remete para uma corrente de ar tempestuosa, causadora de tempestades de areia no Norte da África. Curiosamente, o desportivo alemão partilha a designação com o Maserati Ghibli, que tem o mesmo nome mas em árabe.

Em termos de motorizações, o Scirocco estava disponível com um leque de motores entre os 1.1 e 1.6 litros de capacidade e até aos 110 cv de potência. A edição especial SL, com alguns pormenores como as faixas laterais ou o defletor dianteiro, marcou a despedida de um modelo que acabou por não sofrer grandes alterações na primeira geração.

Sete anos depois, o Type 2

Em 1981 veio a segunda geração do Scirocco. A plataforma e as linhas de produção mantiveram-se as mesmas, mas a componente estética foi entregue a Herbert Schäfer e à restante equipa de design da Volkswagen.

O objetivo passava por evoluir o conceito original, e assim foi: os 33 cm extra de comprimento permitiram ganhar mais espaço para os passageiros e ao mesmo tempo melhorar o coeficiente aerodinâmico. Além dos faróis redesenhados, esta segunda geração trouxe outra novidade: o spoiler no vidro traseiro.

Nesta geração, a potência máxima já chegava aos 139 cv, provenientes de um motor 1.8 litros. Na versão GTI, o Scirocco era capaz de ultrapassar os 200 km/h, e cumpria o habitual exercício dos 0-100 km/h em 8.1 segundos. Not bad!

Infelizmente, a segunda geração do Scirocco não conheceu o sucesso do seu antecessor – pouco mais de 290 mil unidades vendidas em 11 anos. Em comparação, a primeira geração vendeu meio milhão de exemplares (e em menos tempo…). Face a estes resultados, o desportivo foi descontinuado em setembro de 1992. O seu sucessor viria a ser um tal de Volkswagen Corrado

O desportivo «Made in Portugal»

Apesar das suas qualidades, o fraco desempenho comercial do Corrado levou a Volkswagen a repensar toda a sua estratégia para os pequenos desportivos. No Salão de Genebra de 2008, a marca de Wolfsburgo fez regressar o Scirocco, para uma terceira geração que é, muito provavelmente, a que mais significado tem para Portugal – a geração atual do Volkswagen Scirocco é produzida na fábrica da AutoEuropa em Palmela.

Dezasseis anos passaram entre a produção do Type 2 e do atual Typ 13, mas o conceito continua o mesmo: conceber um modelo mais desportivo e focado no prazer de condução. A plataforma é partilhada com o Golf V, e o atual Volkswagen Scirocco acabou por ganhar formas mais curvilíneas em detrimento das linhas retas que o caracterizavam. O facelift operado em 2014 trouxe mudanças ao nível dos para-choques e dos grupos óticos traseiros e dianteiros.

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As dimensões são, naturalmente, maiores que as do seu antecessor e o espaço interior também. O habitáculo recorre a soluções semelhantes ao Golf, num estilo mais desportivo.

Nesta terceira geração, o Scirocco estreou o motor 2.0 TSI com 213 cv, mas é na versão R, lançada em 2009, que as suas qualidades melhor se exprimem – o motor 2.0 FSI com 265 cv de potência e 350 Nm de binário permite uma aceleração fulgurante dos 0-100 km/h em apenas 5.8 segundos.

Agora, 9 anos depois do início da produção, a terceira geração do Volkswagen Scirocco poderá ter os seus dias contados, juntamente com o novo Beetle. Terá esta «rajada de vento» soprado pela última vez? Esperamos que não.

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