Será que os alemães vão conseguir acompanhar a Tesla?

Foi quase chegar, ver e vencer. O Model S da Tesla apresentou-se como um vislumbre do futuro, intrometeu-se num feudo raras vezes perturbado dos premium alemães, e fez com que os tradicionais líderes tecnológicos do mundo automóvel parecessem estar irremediavelmente atrasados.

Todo o hype e entusiasmo gerado à volta da Tesla é desproporcional à sua dimensão. Ainda subsistem dúvidas sobre a sua viabilidade a médio e longo prazo, onde a inexistência de lucros continua a ser uma constante, mas o impacto na indústria está a ser profundo, chegando a abalar até as robustas fundações teutónicas.

A Tesla não é apenas um construtor de automóveis elétricos. A visão do seu CEO, Elon Musk (na imagem), é bem mais abrangente. Além dos automóveis elétricos, a Tesla constrói as suas próprias baterias, estações de carregamento e com a recente aquisição da SolarCity, entrará no mercado de produção e armazenamento de energia. Uma abordagem holística a um futuro totalmente independente dos combustíveis fósseis.

Elon Musk criou mais que uma empresa. Criou um estilo de vida. Chega a roçar o culto ou religião, um paralelismo semelhante com a Apple de Steve Jobs, pelo que convém tomar atenção.

Existe um misto de respeito e alguma inveja pelo que a Tesla alcançou por parte dos construtores alemães, ainda que não o assumam às claras. Seja pelas ousadas reivindicações do seu marketing, seja pelo ignorar das regras da indústria, seja até por transformarem o banal em algo fantástico. De uma forma ou outra, a Tesla até agora, tem conseguido levar a sua avante. É a líder na ofensiva ao mercado dos veículos elétricos.

Soam os alarmes na indústria automóvel

Como combater este novo rival, de mentalidade e cultura distinta, típico das startups de Silicon Valley em contraponto aos construtores alemães, moldados e definidos pela engenharia alemã, desde os primórdios do automóvel?

A verdade é que não conseguem, enquanto a Tesla não deixar de ser uma marca boutique de luxo, incapaz, para já, de lucrar, e por isso constantemente financiada. Um risco que muitos investidores estão dispostos a correr, pois o único caminho sustentável para a Tesla é o do crescimento. Os construtores tradicionais, por outro lado, ao entrarmos na era da mobilidade autónoma e elétrica, arriscam-se a canibalizar o seu próprio negócio.

Primeira resposta: BMW

Demonstrando esses receios, podemos observar os primeiros resultados da sub-marca i da BMW. Antecipou-se aos seus rivais domésticos, e criou do zero, com enormes recursos, o i3, um veículo totalmente elétrico e de conteúdo altamente tecnológico, seja do lado do hardware ou do software.

Apesar dos esforços da marca, na promoção e venda do que seria o futuro tanto ao nível de produto como serviços, o i3 não tem encontrado o sucesso esperado.

“(…)e não podemos esquecer marcas como a Volvo e a Jaguar, que têm feito um trajeto impressionante nos últimos anos.”

Sim, o i3 não é um rival directo do Model S. Mas mesmo com um formato distinto, compacto, e um posicionamento inferior, vende menos que o Model S mesmo no continente europeu. Nos EUA, os resultados ainda são mais críticos, com as vendas a caírem apenas no segundo ano no mercado.