Apresentação

Primeiras impressões do novo Kia Stinger

A Razão Automóvel esteve na premiere europeia do novo Kia Stinger. Primeiras impressões? Contamos-te tudo neste artigo.

Em Genebra, Suíça

Verdade seja dita. Só os mais cépticos é que podem ficar surpreendidos com a apresentação de um modelo desta natureza por parte da Kia: um GT desportivo, potente e com acabamentos «premium».

Há muito que a marca coreana revelou as suas intenções, e o Stinger é a prova de que a Kia não estava a brincar. Um modelo que será lançado no final deste ano e que pretende rivalizar com o BMW Série 4 Gran coupé e com o Audi A5 Sportback, os tubarões do segmento. E nós fomos até Milão conhecê-lo, poucos dias após ter sido revelado pela primeira vez no Salão de Detroit.

Neste evento tivemos oportunidade de apreciar o design exterior e ainda de comprovar todas as soluções adotadas no interior do Stinger. Uma viagem que não ficaria completa sem falarmos com alguns dos principais responsáveis da marca coreana. Fizemos tudo isso e muito mais.

Será que a Kia está a colocar a fasquia demasiado alta?

Não é fácil ir «a jogo» com as marcas premium. É até arriscado, dirão alguns – até aqui estamos todos de acordo. Mas a verdade é que a Kia nos últimos anos, tanto em termos de qualidade como em termos de fiabilidade, tem vindo a demonstrar que não recebe lições de ninguém. Prova disso mesmo é a presença da marca coreana nos principais indices de fiabilidade e satisfação dos clientes, seja no mercado europeu ou americano.

Confrontámos David Labrosse, responsável pelo planeamento de produto da Kia, com a pergunta em destaque e a resposta fez-se recordando o trajeto da marca nos últimos anos.

“O Kia Stinger nasce de uma grande vontade da marca em fazer algo verdadeiramente apaixonante. Muitos não acreditavam que seriamos capazes de fazer algo assim, mas fomos! Tem sido um trabalho longo e árduo que não começou agora, começou com o lançamento da primeira geração do Ceed, em 2006. O Stinger é o culminar de um trabalho muito importante”

Desde então, a Kia é a única marca na Europa que cresce há 8 anos consecutivos – só em Portugal, no ano passado a Kia cresceu 37,3%, alcançando pela primeira vez mais de 2% da quota de mercado. “Acreditamos que podemos estar no mesmo patamar das marcas premium, oferecendo produtos que valem não só pelo preço competitivo mas também pelo design, tecnologia e segurança”, disse-nos o nosso anfitrião, Pedro Gonçalves, diretor de vendas e marketing da Kia Portugal, revelando ainda outra ambição: colocar a Kia no top10 das marcas mais vendidas no nosso país.

Primeiras impressões do Kia Stinger «ao vivo»

No Instagram já nos perguntaram se o Stinger é mais bonito ao vivo do que nas imagens, e definitivamente podemos dizer que é mais agradável ao vivo. Nas imagens, por muito boas que sejam, não é possível ter a percepção das proporções efectivas do carro. Ao vivo é sempre diferente.

E falando de percepções, a opinião generalizada dos presentes é que o design do Kia Stinger foi muito bem conseguido. Para conseguir este resultado, a Kia contou com os préstimos do designer Peter Schreyer, entre outros modelos, pai do Audi TT (primeira geração), e que desde 2006 integra as fileiras da marca coreana. Se os novos Kia são esteticamente apelativos agradeçam a este senhor.

Peter Schreyer conseguiu de forma exemplar dar dinamismo e tensão nas linhas a uma carroçaria com mais de 4,8 metros de comprimento. Uma tarefa nem sempre simples, mas que na nossa opinião (discutível, naturalmente) foi cumprida com distinção. Seja qual for a perspectiva, o Stinger apresenta sempre linhas tensas, desportivas e consequentes.

Falar da Kia e falar de Peter Schreyer é falar também da famosa grelha «nariz de tigre», um elemento transversal a todos os modelos da marca, criada por este designer em 2006 para dar à Kia um ar de família – uma espécie de «duplo rim» da BMW versão coreana. E talvez seja no Stinger que esta grelha encontre a sua máxima expressão, coadjuvada naturalmente por ópticas bem desenhadas.

Fintar centenas de jornalistas para entrar no Stinger

Entre televisões, sites e revistas de automóveis de toda a Europa estávamos nós, a Razão Automóvel. Fazendo as contas por alto, eram mais de uma centena de jornalistas para apenas um Stinger – isso mesmo, um! Bem que a Kia podia ter trazido mais um Stinger de Detroit…

Dito isto, como devem calcular, não foi fácil entrar no Kia Stinger. Foram precisos alguns olhares e algumas palavras menos amistosas (depois de nos terem passado à frente demasiadas vezes) para nos conseguirmos sentar ao volante.

Se no design exterior não há dúvidas que a Kia já definiu muito bem o seu ADN, no design interior já não é bem assim. Neste particular a marca coreana continua a procurar a sua identidade. A percepção com que ficámos é que o Kia Stinger foi beber inspiração a Estugarda, nomeadamente à Mercedes-Benz – amiúde, uma opinião partilhada pelos jornalistas portugueses da especialidade que também marcaram presença no evento.

Isso é mau? Não é bom nem é mau – mas seria melhor se também neste aspeto a marca fizesse o seu próprio caminho. Como alguém disse um dia “a cópia é a forma mais sincera de elogio”. Essas parecenças notam-se nas saídas de ar da consola central e nas junções das portas com o painel frontal. Não temos dúvidas que os interiores da Mercedes-Benz povoaram o imaginário da Kia durante o desenvolvimento do Stinger. Quanto à qualidade dos materiais, nada a apontar.

Ficou ainda por experimentar o sistema de infotainment do Stinger – infelizmente estava desligado, eventualmente porque a marca está a ultimar o software que dá vida ao ecrã no topo da consola central.

Ainda falta a «prova dos nove»

Tanto por dentro como por fora, o Kia Stinger passou na nossa primeira avaliação com distinção. Falta porém um ponto muito importante: a dinâmica de condução. Na impossibilidade de o conduzirmos, tivemos de perguntar a quem já tinha tido esse privilégio como é que o Stinger se comporta.

Uma vez mais, foi o David Labrosse que nos respondeu. “Soberbo! Simplesmente soberbo. Conduzi-o em Nurburgring e fiquei impressionado com todos os aspectos do carro”. Sem querer com isto duvidar da honestidade das palavras deste responsável, a verdade é que também não esperava outra resposta… mal seria.

Há, no entanto, bons motivos para acreditar que em termos dinâmicos o Stinger vai dar cartas à concorrência. Tal como no design, também no capitulo dinâmico a Kia foi «roubar» à concorrência um dos melhores quadros da indústria automóvel. Falamos de Albert Biermann, ex-responsável pelo departamento M Performance da BMW.

Tem sido sob a batuta deste engenheiro que o Kia Stinger tem cumprido milhares de quilómetros no Nurburgring (e também no Círculo Polar Ártico) para encontrar o melhor balanço entre conforto e dinâmica. Travões bem dimensionados, suspensões trabalhadas, chassis rígido, direção progressiva com assistência elétrica adaptativa, motores potentes, tração traseira e um baixo centro gravítico. Face a estas premissas, seria uma surpresa se o Stinger não fosse dinamicamente competente. Sr. Albert Biermann, todos os olhos estão postos em si!

Que futuro para o Stinger

A pedido de um dos nossos leitores (um abraço para o Gil Gonçalves), perguntámos à Veronique Cabral, gestora de produto do Stinger, se a Kia não equacionava outras derivações de carroçaria para este modelo, nomeadamente uma shooting brake. A resposta desta responsável foi um não – desculpa Gil, nós tentámos!

Não satisfeitos, colocámos a mesma questão ao David Labrosse e a resposta passou a “nim”. Uma vez mais as palavras deste responsável foram bastante honestas:

“Uma carroçaria shooting brake? Não está previsto, mas é uma possibilidade. Acima de tudo, depende da resposta do mercado ao Stinger. Depende como é que os jornalistas vão reagir, e sobretudo, como é que os clientes vão reagir à chegada de um modelo destas caracteristicas por parte da Kia. Depois disso, caso se justifique, decidiremos sobre isso.”

Poucos minutos depois desta conversa tocou o telemóvel de Pedro Gonçalves, do outro lado da linha, em Portugal, um comercial da marca informava que um cliente tinha acabado de encomendar o Stinger. “Mas ainda não há preços para Portugal”, respondeu Pedro Gonçalves. “Eu sei que não” disse o comercial, “mas o cliente gostou tanto do carro que já encomendou um (risos)”. Pode ser que se esta procura se mantiver, o Stinger Shooting Brake ainda veja a luz do dia.

Quanto às motorizações não há dúvidas. Em Portugal a proposta dominante será a versão equipada com o motor 2.2 Diesel de 202 cv que já conhecemos do Sorento. No nosso país, as vendas do Kia Stinger com o motor 2.0 litros a gasolina “Theta II” de 250 cv serão residuais, e as vendas da versão 3.3 litros “Lambda II” com 370 cv vão poder contar-se pelos dedos de uma mão (na melhor das hipóteses). Todos estes motores vão estar associados a uma caixa automática de oito velocidades.

Imagem. O primeiro passo de um longo caminho

A Kia sabe que tem um bom produto, tem bons preços e que os clientes são sensíveis a argumentos como os sete anos de garantia. Sabe tudo isso e sabe também que a imagem de uma marca leva muitos anos a ser construída, e que por agora, a imagem da sua marca face às marcas com que se propõe concorrer ainda é uma desvantagem.

“Há uns anos atrás, sabíamos que os clientes que escolhiam a Kia, faziam-no por uma questão de racionalidade, qualidade e preço. Queremos que nos continuem a escolher por esses motivos, mas queremos também que os clientes nos escolham pela emoção que os nossos produtos transmitem. Essa emoção é hoje uma realidade”, confessou-nos David Labrosse.

“Este novo Kia Stinger é mais um passo nesse sentido. No sentido da construção de uma marca com uma imagem de valor. Em 2020 teremos um novo ciclo de produto, e vamos certamente recolher nessa altura bons frutos do trabalho que agora está a ser feito”, terminou.

Se eu fosse às marcas europeias, observada atentamente o que a Kia anda a fazer. Claramente há uma estratégia e um rumo bem definido. Só este ano a Kia vai lançar oito novos modelos no mercado, um dos quais é o Stinger. Brevemente saberemos se a estratégia continuará a dar frutos. Estamos convencidos que sim.

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