Anders Gustafsson: “o nosso foco são as pessoas”

Estivemos à conversa com Anders Gustafsson, vice-presidente sénior do Grupo Volvo para a região EMEA. Falou-se do passado, do presente, mas principalmente do futuro da marca sueca.

Há conversas que valem a pena. E a conversa que tivemos com Anders Gustafsson, o vice-presidente sénior do Grupo Volvo para a região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) no mês passado está entre essas “conversas que valem a pena”. Foi num tom informal que um dos responsáveis máximos da Volvo esteve durante mais de duas horas à conversa com um grupo de jornalistas portugueses e nos colocou a par dos desafios futuros da Volvo. Mas vamos começar pelo passado…

O passado

Foi há pouco mais de 6 anos que os chineses da Geely compraram a Volvo à marca norte-americana Ford – num negócio avaliado em mais de 890 milhões de euros. Recordamos que a situação da Volvo em 2010 era preocupante a todos os níveis: plataformas desajustadas, fraca eficiência ao nível produtivo, baixo volume de vendas, etc. Um trajeto descendente em tudo semelhante ao de outra marca sueca, também detida por uma marca americana. Isso mesmo, adivinharam: a Saab.

Estamos em Cascais com Anders Gustafsson, Senior Vice President da Volvo. A conversa será sobre o futuro da marca | #volvo #andersgustafsson #portugal #cascais #razaoautomovel

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A única coisa que restava à Volvo era a sua história, o seu know-how técnico e uma base de distribuição (pontos de venda e assistência) a precisar de reestruturação em alguns mercados.

O presente

Foi com base nestes pressupostos que a Geely investiu mais de 7 mil milhões de dólares na modernização da estrutura produtiva da marca, no desenvolvimento das novas plataformas e na atualização da gama de modelos. Resultado? A Saab fechou portas e a Volvo está novamente em terreno positivo – a bater recordes sucessivos de vendas. Ainda assim, segundo este responsável “é muito fácil vender carros, difícil é ganhar dinheiro com isso”.

Foi por isso que a Volvo começou o seu processo de reestruturação pela parte industrial: “é fundamental o controlo apertado dos custos e daí o nosso investimento em novas plataformas que servirão de base a todos os futuros modelos da marca e que nos permitirão obter grandes poupanças de escala”.

É por isso que a estratégia atual da Volvo assenta apenas em duas plataformas: a Compact Modular Arquitecture (CMA), que o Grupo desenvolveu para os modelos compactos (série 40) e a Scalable Product Architecture (SPA), que a marca estreou no XC90, e que é a plataforma para os modelos médios e grandes. “Para sermos rentáveis precisamos de ser competitivos também em segmentos mais baixos, com maior escala e volume de vendas. Daí a nossa aposta numa gama completa de veículos compactos ”.

Outra das apostas da Volvo é no tratamento diferenciado dos seus clientes: “queremos a marca junto das pessoas, junto dos nossos clientes. Não queremos ser a marca da maior potência, nem das melhores performances, queremos ser a marca da sustentabilidade, da preocupação com aquilo que realmente interessa: as pessoas”, daí a aposta da marca no Volvo Personal Service, um serviço de assistência personalizado, que garantirá a cada cliente Volvo o seu próprio técnico de manutenção pessoal. Serviço que a marca vai começar a introduzir já em julho nos seus concessionários.

O futuro

É com uma gama completamente renovada – em 2018 o modelo à venda mais antigo da marca será o XC90, que foi lançado o ano passado – que a Volvo começa a olhar para o horizonte da indústria para lá de 2020. “Por essa altura é nosso objetivo que não hajam vítimas mortais a bordo de um Volvo”. Perante uma plateia não muito convencida, Gustafsson reiterou que “na Volvo acreditamos convictamente que é uma meta exequível”, garantindo que a marca vai estar na linha da frente no desenvolvimento da condução autónoma.

Para além da condução autónoma, a Volvo também está fortemente empenhada na electrificação da sua gama de modelos. Até 2020 a marca terá a oferta de versões 100% elétricas e plug-in híbridas elétricas (PHEV) em todas as suas gamas. “Acredito que os motores de combustão interna ainda vão «andar por aí» durante muitos anos. Há um longo caminho a percorrer nos eléctricos.”

“É por tudo isto que olhamos para o futuro da Volvo com muito optimismo. Aliás, não olhamos, preparamos. Eu e a minha equipa estamos constantemente em viagem a visitar o terreno para entender quais são as necessidades especificas dos nossos clientes”, rematou Anders Gustafsson.

Perguntámos a este responsável se não tinha receio que revelada a estratégia da marca, outra marca a repetisse. “Creio que não (risos). A Volvo é uma marca com um ADN muito próprio desde sempre focado nas pessoas, basta ver a nossa preocupação histórica com a segurança. O nosso foco são as pessoas. Daí que não esteja muito preocupado, apenas atento, ao que faz a nossa concorrência”.

Entretanto, temos encontro marcado com Anders Gustafsson para daqui a 3 anos e meio. Altura em que esperamos que ele nos diga “nós tínhamos razão, acabaram as vítimas mortais ao volante de modelos Volvo”.

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