Faleceu Américo Nunes, o “Senhor dos Porsche”

Américo Nunes (1928-2015) terminou hoje a sua mais longa corrida. Como sempre, vitorioso.

Faleceu hoje Américo Nunes, um dos melhores pilotos da história do automobilismo nacional. Sempre fiel à marca Porsche, Nunes construiu um palmarés invejável ao longo de uma carreira de 20 anos, dividida entre ralis e velocidade, obtendo um total de 9 títulos de Campeão Nacional.

De bate-chapas a “Senhor dos Porsche” – alcunha que ganhou devido à sua fidelidade à marca de Estugarda – Américo Nunes construiu toda a sua carreira com base no esforço, na dedicação e num talento inegável para a condução. Devido às suas origens humildes, Nunes teve que compensar com suor e talento, aquilo que outros conseguiam por superior condição económica – a título de exemplo, o seu primeiro Porsche foi uma unidade acidentada que Nunes recuperou com as suas próprias mãos.

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Devido a estas contrariedades, as corridas surgiram tardiamente na sua vida, apenas aos 33 anos de idade. No entanto, o talento natural de Nunes saltava à vista de qualquer um, e foi apenas uma questão de tempo até que Evaristo Saraiva – seu amigo de longa data e piloto de motociclismo – convencesse Nunes a entrar nos ralis: “tens o Porsche e podemos pagar as despesas a meias”.

Ainda que algo hesitante, Nunes acabou por se entusiasmar e decidiu participar com Evaristo no campeonato de iniciados de 1962, organizado pelo clube Arte e Sport ao volante de um 356 B Coupé Karmann. Era impossível aos dois amigos vislumbrar a importância do passo que estavam a dar.

“Ainda hoje, o maior prazer que me poderiam dar, seria fechar a Cabreira, a Senhora da Graça ou Arganil e deixarem-me ir uma noite para lá, com lua, com chuva ou com nevoeiro…” Américo Nunes

Sem saberem estavam a dar início a uma aventura que se prolongaria por duas décadas e que se saldaria por nove títulos nacionais e 183 vitórias, absolutas e no grupo, entre velocidade e ralis.

Em 1980, Américo Nunes cumpriu a última época completa, tendo assinado algumas excelentes exibições, sempre em confronto com carros e pilotos de gerações mais recentes. Nunes viria a retirar-se definitivamente após o rali das Camélias de 1983, prova que cumpriu ao volante de um Porsche 911 de 3 litros.

Até há bem pouco tempo atrás, Américo Nunes ainda conduzia diariamente um Porsche 911 Carrera 2 (993) do qual não abdicava e que ironicamente era mais potente do que qualquer um dos carros que conduziu durante a sua carreira enquanto piloto.

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Fonte: Ricardo Grilo, “Américo Nunes O Senhor dos Porsche” (2008) Imagens: Sportclasse

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