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Mercedes Classe E Coupé 250 CDI: coleccionador de olhares

Fomos testar o Mercedes Classe E Coupé 250 CDI. Um automóvel onde adjectivos como elegância e distinção ganham outra dimensão. Começámos a jornada no Guincho e terminámos no Alentejo, por terras de Monforte. Aceitam uma boleia?

Há semanas em que parece que nada corre bem. Era capaz de jurar que, volta não volta, o Universo tira uns minutinhos para conspirar contra mim, num exercício de pura maldade e satisfação. O Sr. Universo – que como toda a gente sabe é uma pessoa muito ocupada – deixa de lado outros afazeres de menor importância, como expandir ou garantir o nascer de um novo dia, só para me aborrecer. Cada maluco com as suas…

“Um automóvel que exerce sobre nós um magnetismo diferente dos restantes. Porquê? Olhem para ele. É dos coupés mais elegantes do mercado.”

Tudo começou com uma avaria no meu carro na segunda-feira. Na terça-feira, um dos nossos fotógrafos ficou sem máquina. Na quarta-feira, bem na quarta acho que não se passou nada. E finalmente, na quinta-feira desmarcaram-nos dois testes. Numa semana fiquei sem carro, sem carros de imprensa e sem fotógrafo. A parte do fotógrafo resolveu-se no próprio dia, a parte dos carros de imprensa é que nem por isso.

Felizmente, à última da hora – num momento de distracção do Sr. Universo só pode… –  uma estrela brilhou sobre nós na forma de um telefonema da Mercedes. Tinham à nossa espera um Classe E Coupé 250 CDI. Portanto foi mesmo um estrela, literalmente! Como diria o incontornável Fernando Pessa: E esta hein?

A minha visão do Universo é demasiado egocêntrica, não é?  São capazes de ter razão. O Sr. Universo está-se seguramente nas tintas para mim. Mas recordo-vos que escrevi estas linhas ainda sob influência astral do Mercedes Classe E Coupé 250 CDI. Um automóvel que exerce sobre nós um magnetismo diferente dos restantes. Porquê? Olhem para ele. É dos coupés mais elegantes do mercado.

“Aquilo que o motor não faz, fez a Mercedes. De vidros fechados e em ritmo de auto-estrada (elevado…) a marca alemã fez um trabalho notável no isolamento dos queixumes da unidade motriz.”

E a versão que tive para ensaio tinha os goodies todos, nomeadamente o pack AMG Plus (3.333€). Um pack que atribui ao Classe E Coupé uma presença mais marcante e desportiva, que se transmite ao condutor. Como? Ao seu volante, até nós ficamos mais confiantes. É fácil ficar egocêntrico ao volante do Classe E Coupé, afinal de contas, em cada esquina e em cada rua vamos coleccionando olhares, uns mais indiscretos que outros.

Depois do pequeno-almoço no Guincho, fizemos toda a marginal de Cascais de vidros e tecto panorâmico recolhido (1.423€). A ausência de pilar central revelou-se uma mais valia, aumentando o prazer de condução em modo dolce far niente – confesso que prefiro andar de vidros abertos do que com o ar-condicionado ligado.

“Sem que os meus sentidos dessem conta, rolava a velocidades que me podia obrigar a travar amizade com a Brigada de Trânsito.”

A caixa automática 7G-Tronic (2.154€) ajuda a manter tudo num registo o menos trabalhoso possível. Passagens suaves, quase imperceptíveis, que infelizmente não encontraram neste motor 250 CDI de 204cv de potência e 500Nm de binário máximo, um par à altura. Não estou a falar de perfomances, estou a falar de suavidade. É uma unidade que podia ser um pouco menos audível.

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Aquilo que o motor não faz, fez a Mercedes. De vidros fechados e em ritmo de auto-estrada (elevado…) a marca alemã fez um trabalho notável no isolamento dos queixumes da unidade motriz. Sem que os meus sentidos dessem conta, rolava a velocidades que me podia obrigar a travar amizade com a Brigada de Trânsito. Não é nada pessoal, mas prefiro travar amizades de outra forma.

Em menos de nada cheguei a Monforte, uma pequena vila do Alto-Alentejo, distrito de Portalegre. Terra de gente que conhece a terra, que ama a terra, e que gosta de falar. Oh se gostam! De onde vem? De quem é filho? Foram algumas das perguntas com que fui bombardeado enquanto restabelecia os níveis de cafeína no sangue.

A mente já acusava algum cansaço, mas o corpo não. Apesar dos bancos desportivos e dos pneus de baixo perfil do pack AMG Plus, o conforto continua a merecer boa nota neste Mercedes Classe E Coupé.

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Terminada a pausa, fiz-me novamente à estrada em direcção ao à vila do Crato. Naquele fim-de-semana decorria por lá um festival com o nome da terra. Ocasião ideal para rever algumas caras conhecidas, ao sabor de produtos da terra e com boa música de fundo. É assim que gosto de travar amizades, à volta de uma mesa – não é na berma da estrada, com um agente da autoridade a pedir-me os dados pessoais.

“Quase a chegar a Lisboa olhei pela primeira vez para o computador de bordo, registava uma média de 6.9 litros/100km. Uma boa notícia, sem dúvida”

No regresso para Lisboa, com a alma cheia daquelas histórias que nos ajudam a enfrentar os dias de trabalho mais cinzentos, decidi vir por estrada nacional. Não sendo um desportivo puro e duro, há mais naquele chassi do que aquilo que nós algum dia vamos querer explorar. A neutralidade do chassi é assinalável e a velocidade que conseguimos imprimir nas curvas é imprópria para os menos habituados a estes ritmos.

Sem malabarismo, truques ou manias o Classe E Coupé deixa-se levar sem dramas, ou não fizesse ele parte de uma das linhagens mais aristocráticas da industria automóvel. Portanto, classe meus senhores, est un prérequis!

Quase a chegar a Lisboa olhei pela primeira vez para o computador de bordo, registava uma média de 6.9 litros/100km. Uma boa notícia, sem dúvida, mas no depósito já não restava muito gasóleo, portanto, hora de abastecer e de coleccionar mais alguns olhares.

Olhando em perspectiva, depois de um fim-de-semana ao volante de um automóvel desta categoria, retiro o que disse. O Sr. Universo até tem sido bastante benevolente comigo. Uma bondade que em boa verdade, tem um preço nada bondoso: 71.531€ (valor da unidade ensaiada).

Há estrelas que neste universo não são para qualquer bolso, as que nascem em Estugarda infelizmente são dessa espécie.

Fotografia: Gonçalo Maccario

MOTOR 4 Cilindros
CILINDRADA 2.143 cc
TRANSMISSÃO Automática 7 Vel.
TRAÇÃO Traseira
PESO 1397 kg.
POTÊNCIA 204 CV / 3.800 rpm
BINÁRIO 500 NM / 1800 rpm
0-100 KM/H 7,3 seg
VEL. MÁXIMA 247 km/h
CONSUMO COMBINADO 4,9 lt./ 100 km (valores da marca)
PREÇO 61.004€ (valor base)

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