Epidemia nacional: os azelhas da faixa do meio

Há uma praga que assola as estradas nacionais. Uma praga que não escolhe idades, géneros ou condição social. Gosto de chamar-lhes: os azelhas da faixa do meio.

Diz-se que tendencialmente o eleitorado português é de centro-esquerda. Não sei se é por convicção política, mas essa preferência parece estender-se também à condução. As estradas portuguesas estão pejadas de automobilistas que simplesmente ignoram a faixa da direita. Será complexo político? “Ai que horror, mas que faixa tão «fascista»”.

São milhares de quilómetros de asfalto quase virgem, ali mesmo ao lado, ignorados pela esmagadora maioria dos condutores. Se quiséssemos continuar no campo político, poderíamos argumentar que a construção da terceira faixa de rodagem é um vergonhoso exemplo de despesismo público. Milhões de euros deitados ao lixo que dos quais ninguém – ou quase ninguém…- usufrui.

“Este tipo de condutores são uma epidemia nacional, e por isso desafio-vos a partilhar este artigo”

Mas como o mal já está feito podíamos fazer uma petição pública – muito em voga… – e propor à Assembleia da República que as faixas da direita fossem transformadas em ciclo-vias. Lisboa-Porto de bicicleta a pedal, quem é que alinha?

conduzir circular na faixa do meio central 3

Era bonito, não era? Nem por isso. A faixa da direita faz-nos falta, muita falta mesmo. E é preciso que essa praga de condutores que deliberadamente circulam apenas no bloco central – perdão, faixa central!, entendam isso a bem da segurança de todos. Engraçado como até os comentadores políticos apelam ao bloco central pela estabilidade e segurança do país. Mais uma vez a política e a segurança rodoviária vêem os seus caminhos cruzados.

Quantos de nós já não teve de sair da faixa da direita, ir à faixa do meio e finalmente passar para a faixa da esquerda, apenas para consumar uma ultrapassagem? Todos. E tudo porque há uns indivíduos que por algum motivo (desconheço qual) acham que as outras faixas são «lava». Lembram-se de quando éramos miúdos? “O chão é lava, quem pisar a lava morre”. Parece que fazem o mesmo na estrada, com a diferença que a estrada não é local para brincadeiras.

Ou será que conduzir na faixa do meio é moda? Se não é parece. Ali vão eles, devagar, orgulhosos, como se nada fosse, com mais uma faixa à direita completamente livre. Eu que até nem sou de dar nomes às coisas, atribui-lhes um nome. Na falta de melhor nome, chamo-lhes os «azelhas da faixa do meio».

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Este tipo de condutores são uma epidemia nacional, e por isso desafio-vos a partilhar este artigo. Pode ser que consigamos converter alguns à maravilha que é circular descansados na faixa da direita sem ter de controlar o trânsito pelos espelhos. Quero acreditar que todos os automobilistas conhecem o Código da Estrada, mas caso não conheçam, aqui fica excerto do diploma onde o «braço da lei» contribui para a nossa nobre causa (cliquem na imagem para aceder à versão completa do Código da Estrada):

circular na faixa do meio

Espero com este texto, contribuir humildemente para a convivência e paz social de todos os indivíduos que compõem a sociedade rolante. Mais um capítulo da minha jornada, onde tento evangelizar os condutores nacionais para as boas práticas ao volante. Logo eu, que nem sirvo de exemplo. Mas já dizia o adágio popular “bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz…”.

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