Citroen C4 Cactus: regresso à criatividade

O Citroen C4 Cactus é o passo mais ilustrativo, do reencontro histórico entre valores de criatividade e originalidade que sempre nortearam a marca. Será dado a conhecer ao público no salão de Genebra.

A Citroen reinventa-se seguindo dois caminhos antagónicos – após abraço prolongado ao convencional. A marca francesa quer agora estabelecer pontes entre o minimalismo austero do histórico 2CV, com o vanguardismo inigualável e sofisticado do primeiro DS. Tudo concentrado neste Citroen C4 Cactus, um modelo muito mais «fora da bolha» do que aparenta.

Se por um lado, a já considerada sub-marca DS, eleva-se em direcção ao lado premium do mercado. Por outro, e contrapondo a crescente e sofisticada complexidade dos modelos DS, a gama C da Citroen reinventa-se, em direcção oposta, procurando simplificar o automóvel assente em 4 pilares essenciais: mais design, melhor conforto, tecnologia útil e menores custos de utilização. E o primeiro «filho» desta nova filosofia está nas imagens.

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Tudo começou em 2007, com o concept C-Cactus, primeiro passo neste novo caminho e que procurava ser a resposta às perguntas: quais as expectativas dos condutores em relação aos seus automóveis nos dias de hoje; e que características e equipamentos realmente interessam aos consumidores?

O resultado tratou-se de um exercício de simplificação e redução ao essencial. Ilustração perfeita é o interior, reduzindo para metade as partes necessárias quando comparado com automóvel convencional, excluindo tudo o que não era essencial para o conforto, bem estar ou segurança dos ocupantes. Na altura, o salto conceptual revelou-se talvez grande demais, demasiado radical para o mercado, mas as permissas do que seria o recém apresentado C4 Cactus estavam lá. Confirmando-se agora.

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Seis longos anos depois (consequência da crise económica), surgiu, já na condição de show-car, o C4 Cactus, revelando-se bem mais maduro a nível conceptual, conseguindo o equilíbrio entre expectativas e capacidade de aceitação do mercado e aparte o bling-bling típico de salão, previa com exactidão o C4 Cactus de produção que agora damos a conhecer.

O Citroen C4 Cactus apresenta-se como um hatchback compacto (dois volumes e cinco portas), com dimensões a meio caminho entre o segmento B e segmento C. Tem 4.16 metros de comprimento, 1.73 metros de largura e, apesar de evocar o universo crossover/SUV, tem apenas 1.48 metros de altura. Mais pequeno que o Citroen C4, mas iguala-o na distância entre-eixos, ou seja, 2.6 metros.

Pode até ter C4 no nome, mas recorre à plataforma PF1, a mesma que serve o Peugeot 208 e 2008. E porquê? Para reduzir custos de produção – umas das permissas essenciais por detrás do C4 Cactus – e ao mesmo tempo diminuir o consumo de combustível. E, com menos peso para transportar a lógica dita que menos energia será necessária para o mover. No C4 Cactus, a redução de peso é um exercício fascinante, pelas decisões que implicou. Por exemplo, no processo de simplificar, a plataforma PF1 foi otimizada para não lidar com velocidades superiores a 190 km/h.

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Teve consequências diversas, como a escolha das motorizações, onde a mais potente tem apenas 110 cv e não se perspectiva nada mais possante. Como tal, ao não ter de contemplar rodas maiores, sistemas de travagem e suspensão reforçados, entre outros aspectos no seu desenvolvimento para lidarem com mais equídeos, estes sistemas puderam ser redimensionados, resultando em reduções de peso expressivas.

No geral, para integrar versões mais possantes, maior parte dos automóveis vêm com componentes sobredimensionados, mesmo nas versões de acesso, algo que não acontece neste modelo. Permitindo reduzir custos e diminuindo a necessidade de produzir variantes de um mesmo componente. Como tal, estando preparados para esforços superiores, também acabam por ser mais pesados.

Resultado? A versão de acesso acusa apenas 965 kg, menos 210 kg que o Citroen C4 1.4, ou menos 170 kg que a versão de acesso do “irmão” Peugeot 2008, de dimensões semelhantes. Composta por aços de alta resistência e alguns suportes em aluminio, o trabalho efectuado na PF1 foi complementado por outras medidas simplificadoras e redutoras. O capô é em alumínio, as janelas traseiras abrem em compasso (menos 11 kg) e o banco traseiro é único (menos 6 kg). Menos 6 kg também foram retirados do teto panorâmico, ao prescindir da cortina que o cobriria e motores eléctricos associados, recorrendo, em alternativa, a um tratamento do teto equivalente ao das lentes de óculos de sol de categoria 4 (a mais alta), fornecendo a protecção necessária dos raios UV.

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A leveza geral permite motorizações com números modestos, contendo 2 motores a gasolina e 2 diesel. A gasolina encontramos o 3 cilindros 1.2 VTi, com 82 cv, naturalmente aspirado. A versão sobrealimentada do mesmo motor, e a mais potente da gama, com 110 cv denomina-se 1.2 e-THP. No lado dos diesel, encontramos duas variantes do já conhecido 1.6, o e-HDI, com 92 cv e o BlueHDI, com 100 cv. Este último é para já o mais económico, ao anunciar 3.1 l/100 km e apenas 82g de CO2 por 100km. Duas transmissões estão disponíveis, manual e ETG (manual automatizada) de 6 velocidades.

Números modestos e contidos que vão de encontro à filosofia de design empregue: simplicidade, linhas puras e carácter não agressivo, em contra-corrente no que observamos em outras marcas. A «cara» do modelo continua os motivos estreados no C4 Picasso, com a colocação das DRL, acima e separadas das ópticas principais.

Superfícies puras e suaves, sem vincos disruptores caracterizam o C4 Cactus. O destaque acaba por ser a presença dos Airbumps, onde a funcionalidade e estética se fundem. Basicamente são proteções em poliuretano, contendo bolsas de ar, revelando-se mais eficazes contra pequenos impactos, reduzindo directamente custos em caso de reparação. Podem ser escolhidos em 4 tons distintos, permitindo combinações diversas com as cores da carroçaria e ocupando vasta área na lateral, sendo também aplicados nos para-choques.

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O interior continua a temática exterior. Para possibilitar maior conforto, providenciou-se mais espaço e “limpou-se” o habitáculo de tudo o que não era necessário, garantindo um ambiente mais amistoso e relaxante. O painel de instrumentos e maior parte das funções ficam resumidas a 2 écrans. Consequentemente, apenas 12 botões estão presentes no habitáculo. Os bancos da frente são mais largos e parecem ser apenas um, inspirando-se no confortável sofá. A limpeza do habitáculo levou mesmo à colocação do airbag frontal do passageiro no teto, permitindo um tablier mais baixo e mais espaços de arrumação.

O C4 Cactus aponta para os lados mais acessíveis do mercado, mas não se abstém de tecnologia e gadgets. Pode vir equipado com Park Assist (estacionamento automático em paralelo), câmara traseira e Hill-Start Assist (assistência para arrancar em subida). Outra novidade inclui a integração dos esguichos para limpar o párabrisas no próprio limpa párabrisas, permitindo redução do gasto de fluido para metade.

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A Citroen anuncia aproximadamente menos 20% de custos de utilização quando comparado com outros modelos de segmento C. Tudo parece ter sido pensado, até a aquisição do C4 Cactus, com este a estrear modelos de negócio semelhantes aos que encontramos com os telemóveis, com mensalidades fixas ou variáveis tendo em conta os quilómetros percorridos. Estes serviços poderão variar de país para país.

A Citroen revela com o C4 Cactus uma ligação forte com a sua história repleta de originalidade. Com o objectivo de reduzir as dores de comprar e manter um automóvel, e sem entrar numa lógica low-cost convencional como encontramos na Dacia, o C4 Cactus revela-se original na abordagem e execução. Estará o mercado preparado?