Nissan ZEOD RC: revolução em delta

A Nissan apresentou o ZEOD RC, que está destinado a correr nas 24h de Le Mans em 2014, tornando-se no primeiro automóvel de competição capaz de efectuar uma volta ao circuito de Le Mans apenas com propulsão eléctrica.

Revolução poderá ser a palavra mais indicada para definir o Nissan ZEOD RC, mas trata-se, efectivamente, do segundo capítulo de uma revolução iniciada pelo projecto DeltaWing em 2009.

Desenhado originalmente como proposta concorrente para o futuro da Indycar, após não ter sido a proposta escolhida, o projecto tomou outro rumo em direcção aos campeonatos de resistência. O seu design peculiar em asa delta, respondia aos pârametros requisitados pela Indycar na procura de novas soluções para potenciar a eficiência.

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Na solução final, encontramos mais facilmente semelhanças com o mundo da aviação do que com um carro de competição convencional. Em vez de recorrer a «mega-asas» e spoilers para criar downforce, a forma final deixa que seja o fundo do carro a gerar todo o downforce necessário.

O design radical do DeltaWing reflecte em parte o que se passa na indústria automóvel, com estes a serem cada vez menos amigos do atrito, perdendo quilos de geração para geração, e a trocarem muitos centímetros cúbicos por pequenas motorizações sobrealimentadas, e com isso, conseguindo a eficiência exigida.

Juntando todos estes ingredientes, conseguimos um carro de competição tão rápido ou mais que os Indycars que queria substituir, mas gastando metade do combustível e dos pneus.

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A Nissan entra posteriormente no desenvolvimento deste projecto como parceiro, fornecendo a motorização do DeltaWing que chegaria a Le Mans em 2012. Um pequeno 4 cilindros sobrealimentado com apenas 1.6 litros a debitar 300cv. O cepticismo era grande, dadas as suas dimensões contidas, falta de aparato aerodinâmico e modesto número de equídeos. Mas quando começou a rodar verificou-se que era rápido, mesmo muito rápido, com capacidade para acompanhar os bem mais possantes protótipos da categoria LMP2.

Infelizmente, durante a corrida, o Toyota nº7 acabou por ter um encontro imediato com o DeltaWing, tendo percorrido apenas 75 voltas. Foi mais feliz na edição de 2012 da prova de Petit Le Mans, no circuito de Road Atlanta, conseguindo um fenomenal 5º lugar absoluto, bem dentro do território LMP2, a apenas 6 voltas do primeiro classificado (foram efectuadas cerca de 394 voltas no total pelo primeiro classificado).

Em 2013, a Nissan surpreende ao anunciar o abandono da sua parceria com a DeltaWing, provocando uma série de dúvidas e críticas, dada a excelente publicidade e fascínio que o DeltaWing gerara, além de todo o aspecto inovador deste projecto.

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Agora compreende-se porquê. O ZEOD RC é o DeltaWing da Nissan. O que já originou um processo legal pela DeltaWing, naturalmente.

Tal como o DeltaWing, o Nissan ZEOD RC mantém o motor de 1.6 Turbo, mas é acompanhado por dois motores eléctricos. Ou seja, trata-se de um híbrido, mas com algumas particularidades. Os pilotos são livres de escolher se querem ser propulsionados pelos motores eléctricos ou então em conjugação com o motor de combustão interna.

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Com tecnologia derivada daquela usada no Nissan Leaf Nismo RC, incluindo o sistema de travagem regenerativa, no decorrer de 11 voltas e considerando os 55 pontos de travagem que implicam, a Nissan afirma que o Nissan ZEOD RC conseguirá armazenar energia suficiente para conseguir uma volta completa ao circuito de Le Mans apenas recorrendo a propulsão eléctrica, mesmo implicando os 300km/h que deverá atingir na recta de Mulsanne.

Nissan-Leaf_Nismo_RC_Concept_2011_1

O Nissan ZEOD RC deverá ser mais rápido que as máquinas da categoria LMGTE. Dado o carácter experimental do ZEOD RC, e como é tradição em Le Mans, ficará na Garagem 56, reservada a veículos que trazem novas tecnologias para os circuitos, tal e qual como aconteceu com o DeltaWing em 2012.

A Nissan afirma que o Nissan ZEOD RC permitirá servir de laboratório para testar novas tecnologias para uma futura entrada da Nissan na categoria LMP1. Será sem dúvida o melhor local para testar ao limite toda a tecnologia integrada no Nissan ZEOD RC, e que, certamente, deverá influenciar a próxima geração de carros eléctricos da Nissan, que tem no Leaf o seu porta-estandarte. E não deveria ser esse o objectivo da competição automóvel? Experimentação e teste de novas soluções que possam “contaminar” os automóveis do dia a dia, tornando-os melhores?

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