Renault Mégane RS RB7: dia de tourada

A Renault anunciou recentemente que iria lançar o sucessor do Renault Mégane RS RB7. Não podíamos deixar de dizer adeus ao RB7 e a melhor forma de o fazer foi mesmo sentados nas suas baquets.

Campeã Mundial de F1 por três vezes (2010/2011/2012) e vencedora de três títulos mundiais de construtores a acompanhar as glória de Mark Webber e Sebastian Vettel, este último, o mais jovem tricampeão de F1 (2010, 2011 e 2012). A melhor forma de festejar a vitória de 2011? Lançar o Renault Mégane RS RB7 em 2012 e com muito carinho e amor, dar-lhe uma boa dose de taurina e fazer dele o carro de tração dianteira mais rápido em Nürburgring. É a esta história do Renault Mégane RS RB7 e o meu texto poderia ficar por aqui. Mas não, vou levar-vos até à despedida oficial do Renault Mégane RS RB7, pois aqui no Razão Automóvel, preparamos-lhe um último dia de glória, um dia de tourada!

Cortesia

Renault Mégane RS RB7

Preto, com aplicações em amarelo, maxilas de travão Brembo atrás das jantes pretas de 17 polegadas com rebordo vermelho, vinil em xadrez no tejadilho e um autocolante da Red Bull Racing “Formula One Team” nas portas. O Renault Mégane RS RB7 é extravagante, vistoso e tudo mais o que lhe queiram chamar, ele não leva a mal. Ali estava ele e eu de chave da mão sozinho num parque de estacionamento subterrâneo. Ao lado, descansava, ligado à corrente, um envergonhado Renault Fluence Z.E azul claro. Ri-me, era um cenário inédito! “Alguém que tape os olhos ao Fluence, pois vou entrar na arena!”, pensei.

Não tinha uma multidão a aplaudir mas o espírito de miúdo que tomou conta de mim, fez a festa por milhares de pessoas. “RECARO” na baquets foi o suficente para começarem os festejos. Em pele, estas baquets são naturalmente perfeitas. Para quem está habituado a atirar-se para dentro de um automóvel “à vontade”, não conte com tantas facilidades, o acesso aqui é para homens de barba rija.

Renault Mégane RS RB7

Por dentro temos um interior clássico e sem grandes manifestações dos sinais do tempo, leia-se, botões por todo lado. É simples – tem um ecrã monocromático (já lá vamos), um velocímetro que marca velocidades que nunca atingi, meia dúzia de botões para quem quiser ligar o rádio, refrescar-se com o ar condicionado ou até emparelhar o telemóvel. O interior, não acompanha a placa “CHEGUEI” que existe no exterior. Por dentro este é um automóvel para ser conduzido, concentrado no condutor. Ok, talvez os cintos amarelos façam jus ao exterior…mas adiante.

Lide a Cavalo(s)

Depois das iniciais cortesias ao meu ego infantil, segui para uma lide inédita na qual comecei por montar 250 cavalos ao mesmo tempo. Aqui no Razão Automóvel, todos temos habilidades especiais – por exemplo, o Guilherme Costa consegue deixar o seu automóvel destravado no centro de Lisboa e consequentemente obrigar a polícia a desviar o trânsito na Alameda das Linhas de Torres. Pela frente tinha um percurso misto até à redação do RA e de lá partiríamos para um destino muito especial. Seria um voltar às velhas glórias da Renault, fora dos circuitos.

Renault Mégane RS RB7

Na cidade o Renault Mégane RS RB7 tem um comportamento civilizado, sendo possível circular “normalmente” e sem arranques bruscos. O conforto é aceitável e os consumos elevados mas nunca proibitivos, digamos apenas que estes últimos são dignos de um bravo desportivo. O sistema Start&Stop provoca um silêncio ensurdecedor quando entra em ação, estamos a circular no modo “Normal”, com o motor a debitar 250 cv e 340 nm de binário.

O modo Sport é acionado quando carregamos no botão do controlo de estabilidade, é aquele momento em que para além de o controlo de tração e estabilidade ficar menos ou nada intrusivo, ainda recebemos a recompensa pelo gesto majestoso e másculo de o querer desligar – mais 20 nm de binário (360 nm) e 15 cv. É a taurina a entrar em ação, uma boa dose de Red Bull para despertar a fera. Se pensarmos bem, o Renault Mégane RS RB7 está a dizer-nos: “Ah estás armado em piloto? Segura lá em mim então”.

O botão ao centro deixa o touro enraivecido

Com o modo Sport ligado é praticamente impossível circular na cidade. O pedal do acelerador aumenta muito significativamente a sua resposta ao peso do nosso pé e todo o carro se transforma num vândalo – o motor faz agora mais barulho do que nunca e só me apetece conduzi-lo como se o tivesse roubado!

A Pega

Ao fim de algum tempo familiarizado com o Renault Mégane RS RB7 e os seus devaneios partimos para o local das nossas belas fotografias, a Serra de Sintra. Pela frente tínhamos um traçado histórico, um limite de velocidade e uma estrada pública. Com o modo Sport ligado e sem quebrar limites pois a estrada não estava fechada, avançamos. O motor ecoava nas curvas e contra curvas da estrada sinuosa da Serra de Sintra, ladeados de palácios e a paisagem soberba recordamos outros tempos da Renault, tempos em que a letra “B” a seguir a “grupo” dava arrepios na espinha. O Renault Mégane RS RB7 é um carro muito especial, uma escola de condução como antigamente. O seu chassis cup, o diferencial autoblocante, a caixa perfeitamente escalonada e os potentes travões, são uma ode à perfeição. Mas estou apenas a sonhar claro, há limites para cumprir.

As lombas proporcionam uma boa massagem nas costas

Rapidamente nos esquecemos das pessoas a apontar nas ruas, da criança que me disse adeus e foi puxada pela mãe num gesto “não fales com essas pessoas” ou mesmo do motard que passou na autoestrada por mim e abanou o capacete em gesto negativo. Sim é preto e amarelo, sim tem autocolantes e diz Red Bull, mas #$%&”! é simplesmente incrível!

Renault Mégane RS RB7

Nunca terei a sensação de ter dominado o touro em pleno. Talvez num circuito e com toda a segurança fosse possível ao fim de algumas voltas, mas aqui o respeito pelas regras impera e por mais que o Renault Mégane RS RB7 insista em levar-nos à transgressão, não podemos ceder. Os níveis de aderência são tão elevados, que demoraria muito tempo até encontrar o equilíbrio perfeito entre a coragem e a humildade. Se um dia tiverem a sorte de comprar um, acreditem, nunca mais serão a mesma pessoa, nem o mesmo condutor. O Renault Mégane RB7 conserva o espírito das escolas de condução de outros tempos, aliado a uma tecnologia que permite que cumpra as normas de segurança dos dias de hoje.

R.S Monitor – Um Touro “hi-tech”

Como nota final deste teste/experiência não posso deixar de referir que o R.S Monitor é o verdadeiro brinquedo infernal. Com raízes na telemetria dos fórmulas, o R.S Monitor dá-nos leituras dignas da competição. No ecrã monocromático podemos medir forças G, cronometrar voltas e sprints.

Renault Mégane RS RB7

E já que falamos em sprints e velocidade, o Renault Mégane RS RB7 cumpre o sprint dos 0-100 em 6 segundos e o velocímetro sobe vertiginosamente até aos 254 km/h. O preço é uma mais valia – por menos de 40 mil euros – 38.500€ – duvido que encontrem um desportivo melhor do que este Renault Mégane RS RB7. Limitado a 300 unidades, 10 disponíveis para o mercado português, o Renault Mégane RS RB7 é um (futuro) clássico.

Longa vida para este Renault Mégane RS RB7 e felizes os seus proprietários! Quanto a nós, resta-nos esperar pelo seu sucessor. Entretanto testaremos outro Renault RS mais pequeno e amarelo, mas nem por isso menos entusiasmante. Fiquem ligados, pode ser que haja um lugar especial para vocês nesse teste!

MOTOR 4 Cilindros
CILINDRADA 1998 cc
TRANSMISSÃO Manual, 6 Vel.
TRAÇÃO Dianteira
PESO 1387 kg.
POTÊNCIA 265 CV / 5500 rpm
BINÁRIO 360 NM / 3000 rpm
0-100 KM/H 6,1 seg.
VEL. MÁXIMA 255 km/h
CONSUMO 7,5 lt./ 100 km
PREÇO 38.500€

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