Honda Civic 1.6 i-Dtec: consome pouco? Fomos descobrir

O desafio foi lançado como uma flecha para um alvo e não podia ser mais certeiro. Será que o Honda Civic 1.6 i-Dtec é tão poupado como anunciam? Fomos levá-lo a passear…

O passeio que o Honda Civic 1.6 i-Dtec tinha pela frente era o ideal para um dia de sol primaveril – sair de Sintra em direção a Lisboa, dar um passeio pelo centro da cidade, parar na redação do Razão Automóvel para o “teste dos olhares indiscretos”, sair da poluição da cidade em direção à pureza do Parque Natural da Arrábida e terminar a viagem no Portinho da Arrábida. Depois era só voltar à casa de partida com uma média de consumo (confortavelmente) abaixo dos 5 litros. Em percurso ideal a Honda garante 3,6 l/100 para a versão COMFORT e 3,7 l/100 para a versão SPORT. Parece fácil…

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Modo ECO ligado, pronto para o passeio!

Estava uma manhã soalheira, talvez das primeiras do ano que convidavam a um passeio prolongado. À porta da redação lá estava ele – um Honda Civic 1.6 i-Dtec. Branco, na versão Sport, com cara de poucos amigos e rodeado de olhares mais curiosos que o esperado, aguardava nervoso, o derradeiro teste que teria de enfrentar. Já tinha percorrido o IC19 em “pára-arranca”, um derradeiro teste aos consumos…e aos nervos! A média mantinha-se abaixo dos 5 litros, mas o dia ainda mal tinha começado.

Consumo médio: 4,0 l/100

Teste dos olhares indiscretos

Fazemos algumas maldades aqui no Razão Automóvel. Uma delas é estacionar as viaturas de ensaio à porta da redação e aguardar pelos olhares indiscretos dos que passam. Está a revelar-se um tipo de voyeurismo muito interessante! Os olhares são permanentes e tanto homens como mulheres observaram o diesel japonês, expoente máximo da heresia para os fiés seguidores do VTEC. O primeiro foi um fiscal da EMEL, mas o ticket estava em cima do tablier e dentro da validade, para desgosto do senhor.

O Honda Civic 1.6 i-Dtec está longe de ser gerador de consensos e a falta de consensos vai além do design exterior ou interior, passando também pelo motor. As opiniões dividem-se quanto ao design corajoso do exterior e ao estilo nave-espacial que marca o interior. Para muitos, o seu aspecto é desequilibrado e passa de uma frente com personalidade, para uma traseira sem noção. A verdade é que gostos não se discutem, mas uma coisa é certa – o Honda Civic 1.6 i-Dtec nunca será um diplomata alemão. Mas alguma vez foi? Deixemos esta discussão para outra rubrica.

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Enfrentar a cidade

Na cidade o Honda Civic 1.6 i-Dtec é bastante confortável e competente. O sistema Start&Stop, conjugado com o modo ECO garantem-lhe consumos bastante abaixo da média do segmento. Conseguimos mesmo circular abaixo dos 4 litros, ainda que por apenas alguns quilómetros – não fosse Lisboa a cidade das sete colinas! Para além do baixo consumo que verificamos no início da nossa viagem, este Honda Civic 1.6 i-dtec tem mais um trunfo que nos mostrou logo nos primeiros quilómetros – apesar do consumo reduzido, não vemos as prestações diminuídas. O consumo final na cidade acaba por subir para os 4,2 litros/100. Se a cidade for o seu habitat natural podemos contar com consumos abaixo dos 5 litros, mas o pé direito tem de ser um “senhor” e o modo ECO o nosso melhor amigo.

Motor pequeno mas com fôlego de grande

O sprint dos 0-100 faz-se em 10,5 segundos e a velocidade máxima é de 207 km/h, números muito positivos para um bloco que foi construído à volta da eficiência – ao nível das emissões a cifra fica-se pelos 98 g/km. Este Honda Civic 1.6 i-Dtec é provavelmente o melhor motor do seu segmento, não só pelos consumos, mas pela sua aceleração despachada e binário bastante disponível em baixa rotação – os 300 nm de binário máximo e 120 cv de potência são pontos fundamentais para o sucesso deste motor. Mesmo tendo sido vítima de um downsizing tardio, o Honda Civic 1.6 i-Dtec conseguiu conservar a veia irreverente do modelo na marca nipónica.

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O Honda Civic 1.6 i-Dtec é quase como um vencedor de metas à nascença, porque para além do motor apresentar prestações e consumos inéditos no segmento, os engenheiros da Honda ainda conseguiram reduzir a fricção mecânica deste bloco em 40% – quando a circular às 1500 rpm – comparativamente com o mais potente 2.2 i-Dtec de 150 cv que também está disponível para este modelo. É certo que o 2.2 i-Dtec deverá entusiasmar mais pelas prestações que apresenta, mas os consumos têm um peso muito forte num comparativo entre estas duas motorizações do modelo. Esta redução da fricção a baixa rotação é o ingrediente certo para um consumo reduzido em percursos caóticos como os das cidades em hora de ponta.

Consumo médio: 4,2 l/100

Ares da montanha: Ecológicamente divertido?

Os quilómetros percorridos na A2 em direção ao Parque Natural da Arrábida foram esclarecedores – o Honda Civic 1.6 i-dtec é um campeão dos consumos. Ao fim de alguns quilómetros o consumo médio baixava para os 4,1 litros e quando a equipa do RA se preparava para sair da auto-estrada em direção à Serra, o computador de bordo anunciava 4,0 litros aos 100.

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Cedo nos deparamos com o percurso ideal para testar as aptidões dinâmicas do Honda Civic 1.6 i-Dtec. Com o surgir da estrada sinuosa do Parque Natural da Arrábida, o andamento foi mais vivo até ao nosso destino. É claro que os consumos saem penalizados, mas ainda assim e pelo evoluir dos consumos, o Honda Civic prometia surpreender a equipa do RA.

O chassis é competente e podemos abordar as curvas sem medo de uma traseira ou frente “perdida”. Fácil de domar e ágil, o Honda Civic 1.6 i-Dtec não obriga o condutor a recorrer à caixa de velocidades para acompanhar um ritmo que se quer rápido – no entanto, com o modo ECO ligado, somos forçados a utilizar a caixa mais vezes, o que é compreensível. Os bancos têm um bom apoio lombar e tornam a viagem bastante confortável.

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O volante regulável em altura e profundidade, recebe nesta versão SPORT por nós ensaiada uma pega em pele, bem como um punho em pele para a alavanca da caixa de 6 velocidades. Os pedais em alumínio, em conjunto com estas inserções em pele que referi, não são um incentivo a uma condução económica…mas para isso também já basta o preço do gasóleo. Mas…e os consumos com andamento vivo à mistura? Subiram 1 litro aos 100.

Honda Civic 1.6 2013 3

Consumo médio: 5,2 l/100

5 anos em desenvolvimento

Chegados ao Portinho da Arrábida, era hora de apreciar a paisagem e o Honda Civic 1.6 i-Dtec. Mas antes de olharmos para o seu interior, o exterior mereceu a nossa atenção. Como já tínha escrito inicialmente este Honda Civic nunca será um diplomata alemão, no entanto não deixa de ter o seu público – alguém que ser diferente sem correr o risco de parecer que conduz algo barato e mal construído. O Honda Civic 1.6 i-Dtec apresenta uma qualidade construção de nível superior e o aspecto, por mais diferente que seja do normal, é positivo.

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A Honda contactou diversos proprietários do modelo da última geração e tentou perceber o que tinha falhado ao nível do design. Foi um produto democraticamente desenvolvido no seio de Hondistas seleccionados pela marca, mas mesmo assim continua a receber criticas fortes dentro e fora da sua comunidade de fiéis seguidores. O Honda Civic 1.6 i-Dtec peca também por ser um diesel, mas ainda mais por ter um motor pequeno, pelo menos perante os mais puristas. Mas esta posição alinhada com a concorrência, assumida pela Honda (segundo muitas vozes) tarde de mais, tem-se revelado um sucesso – foram vendidos 512 Honda Civic 1.6 i-Dtec entre Janeiro e Março de 2013 representando um crescimento de vendas de 30,6% em relação ao período homólogo do ano anterior.

Interior: versatilidade é ponto forte

Não é novidade que este novo Honda Civic tem um interior tão versátil como um canivete suíço. Para além da boa insonorização e qualidade de construção, os espaços de arrumação e os “bancos mágicos” Honda são uma mais valia. Podemos levar tudo dentro carro – basta escolher se queremos levar alguma coisa que caiba entre os bancos com assento rebatível(!) ou algo que tenhamos de esconder dentro da base falsa da mala. Não duvidando da sua durabilidade, os plásticos da consola não são os melhores do seu segmento e são um pormenor a rever num futuro próximo.

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O painel de instrumentos é bastante intuitivo e quando circulamos no modo ECO as duas faixas de rodagem tracejadas, que ladeiam o indicador electrónico de velocidade, ganham vida – de verde a azul escuro consoante o nosso consumo seja baixo ou mais elevado. Esta dinâmica de cores em movimento leva o condutor a querer, instintivamente, moderar o peso no pé direito. Quando engrenada a marcha atrás o computador de bordo dá lugar à imagem da câmara traseira – com uma visibilidade afectada pela faixa que divide o vidro traseiro, esta câmara disponível no Honda Civic 1.6 i-Dtec é uma mais valia – ao fim de algumas manobras já nem olhamos para trás (salvo seja…).

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Ainda no interior, confesso que tive alguma dificuldade em emparelhar o telemóvel. O Honda Civic 1.6 i-Dtec tem um computador de bordo intuitivo, mas é necessário rever as indicações que são dadas ao utilizador dentro deste menu em específico. Porque me bati bastante com o bluetooth, decidi convencer o Guilherme Costa a emparelhar o telefone dele – para tirar a limpo esta questão nada melhor do que um alentejano de gema como cobaia. O resultado foi evidente: ou os alentejanos são mesmo lentos ou eu tenho uma veia alentejana que desconheço…

Versão Sport é equilibrada

A versão por nós ensaiada foi a SPORT. Esta versão coloca o preço do Honda Civic 1.6 i-Dtec nos 25.600 euros, contra os 24.350 euros da versão CONFORT. Para os mais exigentes ainda existe a versão Lifestyle por 27.100 euros. Não nos parece que seja sensato investir mais do que o pedido pelo Honda Civic 1.6 i-Dtec Sport, porque já nos começamos a aproximar da versão diesel mais potente e esta versão SPORT está bem equipada.

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Os sensores de estacionamento não são de série mas a câmara traseira serve para evitar alguns desastres. No entanto, com a visibilidade traseira reduzida que o Honda Civic oferece, o melhor é mesmo optar pelos sensores, não vá o diabo tecê-las…A lista de equipamento na versão SPORT é vasta o suficiente para ocupar demasiado espaço, mas merecem destaque as jantes de 17″ (225/45), espelhos retrovisores rebatíveis electronicamente e os gadgets que alinham com a melhor concorrência – cruise control, leds dianteiros, faróis de halogénio automáticos com função coming home, vidros eléctricos traseiros e dianteiros, USB, entrada AUX, assistência ao arranque em subida, assistência à estabilidade e travagem, ar condicionado automático bi-zona, entre outros.

De volta à base: resumo final

O Honda Civic 1.6 i-Dtec foi uma boa companhia e surpreendeu pela positiva. O seu motor é de facto muito amigo da carteira do condutor e o maior inimigo das gasolineiras. O resultado final foram 4,7 litros aos 100, com muito andamento vivo à mistura e períodos mínimos de 3,9 e máximos de 5,2. A circular de forma mais desportiva o consumo deve estabilizar acima dos 5 litros, no entanto é possível numa utilização diária obter resultados inferiores a 4,5 litros aos 100, recorrendo a uma condução moderada e com o botão ECON acionado. Os consumos não ficam muito longe dos 3,6 anunciados pela Honda para a versão COMFORT. Esses 3,6 são obtidos em percurso ideal e sem as jantes de 17″ a estragar as contas. Para a versão SPORT a Honda garante 3,7 litros – a discrepância de 1 litro aos 100, depois de um estilo de condução económico misturado com um mais desportivo, parece-nos demasiado pequena para ser alvo de críticas.

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Consumo final: 4,7 l/100

Se é certo que o design não agrada a todos, o mesmo já não se pode dizer de tudo o resto. O Honda Civic 1.6 i-Dtec é uma proposta séria a ter em conta na altura de mudar de automóvel. Nos dias que correm, a carteira agradece! Deixem a vossa opinião sobre este ensaio aqui e no nosso Facebook.

MOTOR 4 Cilindros
CILINDRADA 1597 cc
TRANSMISSÃO Manual, 6 Vel.
TRAÇÃO Dianteira
PESO 1487 kg.
POTÊNCIA 120 CV / 4000 rpm
BINÁRIO 300 NM / 2000 rpm
0-100 KM/H 10,5 seg.
VEL. MÁXIMA 207 km/h
CONSUMO 3,7 lt./ 100 km
PREÇO 25.100€

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