Mitsubishi Evo XI 2013: A nossa antevisão | Híbrido e Diesel?!

Desde que se iniciámos o RazãoAutomóvel, esta é das primeiras notícias que escrevo de com uma lágrima no canto do olho. Não me apetece escrever aquilo que vou ter de escrever: o próximo Mitsubishi EVO XI será híbrido, e eventualmente, diesel. Pronto já disse. Agora Recomponham-se sff! Eu vou tentar fazer o mesmo…

Na verdade ainda muito pouco se sabe sobre o novo Evolution XI. Mas entre as várias dúvidas, já há uma certeza, a marca nipónica  confirmou que o novo Evo será híbrido. Agora resta saber – entre outras coisas como a potência, o peso, o formato da carroçaria etc., qual será a “dieta” da unidade térmica que trabalhará em colaboração com a o motor eléctrico herdado do concept-car Mitsubishi PX-MieV. Alimentar-se-à de gasolina ou de gasóleo? E é aqui que o drama começa…

Algumas publicações online apontam para a segunda hipótese, dando quase certa a entrada em cena de um motor Diesel. Nós, por aqui, como somos pessoas de fé, acreditamos que o próximo Evo será a gasolina como manda a tradição. Não só porque imaginar um EVO a meter gasóleo no depósito é uma imagem desoladora, mas também por questões racionais.

Um Evolution no seu ambiente natural. Que continue assim!
O Lancer Evolution XI sempre foi um automóvel comercializado à escala global, e como sabem a penetração do gasóleo em determinados mercados é marginal (EUA ou Japão, por exemplo). Pelo que seria mais razoável, tendo em conta esse pressuposto, lançar o modelo com uma motorização a gasolina ao invés de uma motorização a gasóleo. O Evo sempre foi e esperamos que continue a ser um modelo à escala global.

Apesar desta eventual heresia – transformar o EVO num hibrido Diesel – alguns pontos estarão certamente salvaguardados. É o caso do desempenho dinâmico e das reprises. Mas vamos por partes… Na parte do desempenho dinâmico não há facilitismos. A Mitsubishi, ao que tudo indica, não se poupará a nada. As baterias serão unidade constituídas por células de iões-lítio de última geração e portanto com ciclos de carregamento mais rápidos, com maior débito energético e acima de tudo, mais leves. Algo muito importante quando falamos de desportivos.

Mas as inovações, neste campo, não acabam por aqui. Segundo fontes da marca, as baterias alimentarão não o eixo posterior – como é usual, veja-se o Volvo V60 Híbrido ou o Peugeot 5008 – mas sim o eixo dianteiro. E porquê? Para que o eixo com maiores doses de potência seja aquele que garante melhor desempenho dinâmico, ou seja, o traseiro, portanto é para aí que vai a potência do motor de combustão. Se assim não fosse teríamos um Evo difícil de inserir em curva, incapaz de rodar sobre o eixo traseiro e sobretudo terrivelmente subvirador. Mas mais que isso: aborrecido. Razões q.b. para utilizar um sistema pioneiro, mais caro sem dúvida, mas ao mesmo tempo o único capaz de desempenhar a função.

Resta saber quantos quilos irá ganhar o novo Evo e de que forma irão os engenheiros nipónicos conseguir uma distribuição equitativa das massas sobre os dois eixos. Dito tudo isto, o novo Evo será eventualmente, e por defeito, tendencialmente um tracção traseira e sempre que necessário, um tracção total. Leia-se por necessário sempre que se verificarem perdas motrizes nas rodas traseiras, ou seja sempre que seja necessário o auxilio do motor eléctrico para acelerações mais fulgurantes.

Falando das reprises, é objectivo da marca que a nova jóia da coroa consiga cumprir o exercício dos 0-100km/h em menos de 5segundos. Um exercício que torna-se exponencialmente mais complicado a partir dos 6.5seg. As leis da física assim o ditam, portanto caso o novo modelo consiga de facto fazer o sprint até aos 100km/h abaixo dos 5segundos, será uma marca formidável. Resta saber quanto fará quando tiver as baterias descarregas…

Será este o último Evolution digno desse nome?
Falando novamente do motor. Sabendo (ou especulando…) que o motor eléctrico debitará uma potência em torno dos 130cv é de esperar uma potência combinada de 350cv. Sendo que o motor de combustão deverá ser responsável pelos restantes 220cv. Quanto à arquitectura, a escolha recairá sempre sobre um bloco de quatro cilindros. A grande questão, neste campo, é saber qual será a cilindrada do mesmo. O nosso palpite é que poderá haver recurso a uma evolução do já conhecido 1.6 Mivec. Desta feita com recurso à turbo-compressão. Que por acaso até é a actual cilindrada dos actuais WRC. Ao nível do marketing do produto poderá ser uma mais valia, caso a marca queira regressar ao palco do mundial de ralis. De onde, alias, nunca deveria ter saído.

Em jeito de conclusão devo dizer o seguinte:
1-Desde que não seja diesel;
2-Desde que não seja demasiado pesado;
3-Desde que mantenha o apuro dinâmico;
4-Desde que numa utilização mais intensiva não se tenha de parar por causa das baterias;
5-Desde que a orquestra sinfónica dos escapes acompanhe a aura do carro;

Venha de lá esse Evolution XI! Têm é de respeitar estas premissas… até porque há aí muito boa gente que ainda não perdoou a Mitsubishi por ter retirado do Evo X o motor 4G63. E é bom que os japoneses não nos aborreçam novamente…

Diesel é que não! Porque depois de ter andado num Nissan Leaf devo confessar que os motores eléctricos até têm os seus encantos.


Texto: Guilherme Ferreira da Costa

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