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Como funcionam as caixas de dupla embraiagem?

As caixas de dupla embraiagem parecem fazer as delícias dos condutores, sobretudo europeus, mas já são presença assídua um pouco por toda a parte

Competentes em condução desportiva, e cómodas — ainda que por vezes ríspidas — em percursos onde outros valores se elevam. As caixas de dupla embraiagem aparentam reunir o melhor dos dois mundos: uma performance superior às caixas manuais em condução empenhada; e o “descanso do pé esquerdo” providenciado pelas caixas automáticas em ritmo de passeio.

Hoje todas as marcas oferecem esta milagrosa “caixinha de mudanças”, que assume as mais diversas designações: PDK na Porsche; DSG na Volkswagen; SST na Mitsubishi; ou DGK na BMW. Nomes à parte, o seu principio de funcionamento é o que vamos tentar explicar nas próximas linhas de mais uma rubrica da Autopédia.

O ponto de partida para a nossa conversa poderia ser esta pergunta: Qual é a forma mais rápida de mudar da 2ª relação da caixa para a 3ª relação da caixa de forma simples?

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A resposta pode parecer patética, nada cientifica nem iluminada mas é: ter as duas engrenadas ao mesmo tempo! Eu disse que resposta era tola… Mas é isso mesmo que a caixa de dupla embraiagem faz — ter duas relações engrenadas ao mesmo tempo.

Quando o condutor circula, por exemplo, em 3ª velocidade, a caixa já tem engrenada a 4ª velocidade. Porém, apenas uma destas mudanças está a transmitir efetivamente movimento às rodas, fazendo uso de uma das embraiagens.

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Quando uma está «ativa» a outra está «inativa» e não transmite potência às rodas. Assim, quando é dada a ordem de mudança de relação, em vez de entrar em cena um complexo sistema de engrenagens, acontece algo muito simples: uma embraiagem entra em ação e outra entra em “repouso”. Rápido e eficiente. Mudámos de relação! Aliás… mudámos de embraiagem.

Uma das embraiagens fica encarregue das relações pares (2,4,6…) enquanto a outra fica encarregue das mudanças ímpares (1,3,5…). Depois é uma questão das embraiagens se irem revezando por forma a auxiliarem a caixa no cumprimento da sua função: desmultiplicar o movimento da cambota e transmiti-lo às rodas.

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Parece simples, não é?

Mas é só o principio de funcionamento que é simples. Porque fazer isto funcionar durante a vida útil de um veículo é uma missão complicada.

Senão vejam a complexidade que reside dentro desta caixinha que é uma maravilha da técnica:

O resultado é aquele que todos nós conhecemos: transmissão de potência contínua às rodas, melhores acelerações e melhores consumos.

Um conceito que seria perfeito se não tivesse algumas limitações de ordem prática. Nomeadamente a falta de progressividade das embraiagens em ambiente urbano, a relativa facilidade com que o sistema entra em “safe-mode” devido a sobreaquecimento do sistema de embraiagens quando sujeito a uma condução mais empenhada, ou a relativa dificuldade em “digerir” as reduções mais impetuosas.

De resto, nada a apontar além de virtudes. A menos que sejas um verdadeiro amante da condução e não prescindas daquela ligação homem/máquina que só uma verdadeira caixa manual pode oferecer.

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