Técnica

Nem só de gases vivem os turbos: BMW patenteia primeiro turbo híbrido do mundo

O motor de combustão interna tem ao longo da última década, como sabem, colecionado alguns inimigos. Daquele tipo de inimigos que não perdem uma oportunidade para passarem a certidão de óbito (prematura...) ao nosso amado motor.

Mas falham sempre nas previsões? Felizmente – e para nosso gáudio… – a capacidade de reinvenção da indústria automóvel teima em manter viva a esperança de continuarmos a conviver com este tipo de motorizações durante mais alguns (largos…) anos.

Mas essa esperança não nasce espontaneamente. Nasce e cresce,  há mais de 100 anos, sempre que é dado um passo no sentido de desenvolver novas tecnologias que tornam os motores mais eficientes e ecológicos. E nos últimos anos com o recurso intensivo à electrónica — em locais que pareciam inacessíveis e exclusivos da mecânica pura e dura  — a evolução tem sido brutal.

Falo por exemplo de inovações como o comando variável das válvulas por intermédio de impulsos electro-magnéticos, ao invés do controlo tradicional pelas árvores de cames – inventado e patenteado pelo grupo FIAT. Ou a injecção directa, hoje comum nas motorizações a gasolina.

E a esta lista que podia ser muito mais extensa, juntámos agora uma nova inovação: o primeiro Turbo híbrido do mundo. Trazido até nós pelas mãos da BMW.

Depois de meses de alguma especulação, alegadamente a BMW patenteou o primeiro Turbo híbrido do mundo. Como sabem, o turbo, para comprimir o ar necessário à combustão e assim aumentar o débito de oxigénio na câmara de combustão, precisa da força dos gases de escape para impulsionar a turbina. Isto era tudo muito verdade até ao dia de hoje. A esta equação juntem-lhe agora um motor eléctrico.

O principio de funcionamento continua a ser o mesmo, só que doravante, ao invés de termos de esperar por um fluxo de gases de escape capaz de fazer “girar” o turbo — o chamado turbo-lag  — esse diferencial de tempo é esbatido pela entrada em funcionamento de um motor eléctrico que mete a turbina do turbo a girar mais rapidamente, aumentado de imediato a potência graças à entrada de mais ar no motor, e consequentemente aumentando o fluxo de gases de escape, deixando de ser necessária assim a intervenção do motor eléctrico.

Mas isto não fica por aqui… Assim que o motor eléctrico deixa de fazer falta, este motor eléctrico passa a funcionar como um gerador de energia, armazenando-a nas baterias para posterior utilização.

É claro que a minha explicação é simplista, na verdade estamos a falar de um sistema extremamente complexo de embraiagens e engrenagens com velocidades de rotação capazes de atingir as 24.000rpm/min e mais de 900ºC de temperatura. Pelo que não é um conceito fácil de colocar em prática, como podem ver pelo diagrama em anexo ou pela explicação técnica feita pelos nossos colegas do Forúm F30post.com.

E quando é que poderemos ver esta jóia da tecnologias nas nossas estradas? Há quem aponte o BMW M3 como o mais sério candidato a estrear esta inovação. Recordo-vos que fontes próximas da marca chegaram a apontar a utilização de três turbos no motor da nova berlina desportiva da marca de Munique. Talvez a entrada em cena desta tecnologia diminua essa necessidade. Sinceramente, não sabemos. O tempo o dirá.

De todo o modo, longa vida ao motor Otto! E que o aroma a gasolina nos acompanhe e perfume as nossas garagens durante muito tempo.

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