Alfa Romeo 4C, um pontapé na crise

A indústria europeia ganha novo fôlego.

É desejável a retoma do consumo, mas todos se encontram conscientes de que isso terá de ser feito devagar. Os tempos mudaram definitivamente. Importa racionalizar custos, produzir menos com mais qualidade e ao mesmo preço e aumentar a disponibilidade em oferecer inovação num maior curto espaço de tempo. O desafio não será fácil. No entanto há ainda quem acredite ser capaz de fazer milagres. O patrão do grupo Volkswagen, Ferdinand Piech não desiste da aquisição do construtor Alfa Romeo, afirmando recentemente que “connosco a Alfa venderia o dobro”.

A marca italiana respondeu no prestigiado Salão de Genebra com a apresentação do surpreendente modelo 4C que todos pensavam nunca sair de um protótipo. E aí está o Alfa Romeo 4C passado à realidade para ser lançado no próximo ano a um preço entre os 42 e 45 mil euros antes de impostos. Este é o modelo que poderá rivalizar com o Lotus Évora, um dos modelos mais fantásticos de conduzir e porventura mais bem conseguidos da marca britânica.

Ferdinand Piech ainda não percebeu que um Alfa é um automóvel realmente diferente, mesmo que os possamos considerar espartanos no seu interior, não permitindo por exemplo globalizar as mesmas peças, tabliers e equipamentos em vários modelos e até em marcas diferentes. Também a marca não se pode rever ou mesmo reabilitar numa produção espalhada pelo mundo, em fábricas construídas a pensar na deslocalização.

Com o sucesso do Alfa Romeo 8C- limitado a 1000 exemplares, 500 em fechado e outros tantos descapotáveis – a marca italiana começou a apostar na sua revitalização enquanto marca de auréola com um cunho marcadamente desportivo e, acima de tudo, por um design de grande personalidade que a distingue há décadas. O fantástico 8C atirou para o mercado os descendentes Mito e mais recentemente a reedição do Giulietta.

Mas faltava algo mais semelhante, sem tantas limitações de produção e mais acessível aos consumidores. Chegou o tempo para o Alfa 4C – além de surpreendentemente belo, este coupé de dois lugares mistura os ideários de um desportivo de excelência com as necessidades economicistas. A marca italiana junta alta tecnologia na construção do chassis e carroçaria com a utilização de alumínio reforçado a carbono para conseguir elevada resistência, segurança e, em simultâneo peso reduzido que não ultrapasse os 850 quilos e, assim conseguir de um motor de 1,8 litros (1750 cm3) performances de um concorrente de 3,0 litros.

Este motor de 1,8 litros já estreado nos modelos 159, Giulietta e Lancia Delta terá no 4C, os mesmos 240 cavalos, mas vai conseguir atingir os 100 km/hora abaixo da fasquia dos 5 segundos, podendo mesmo ficar pelos 3,5 segundos, e ultrapassar os 250 km/h como velocidade máxima, mantendo consumos também mais baixos que a concorrência do segmento.

O Alfa 4C com 4 metros de comprimento, terá o motor colocado de forma central e tracção atrás, tal qual os melhores desportivos da marca.

O futuro Alfa Romeo reúne todos os ingredientes para ser um veículo de sucesso que passa naturalmente por um esforço de produção relativamente económica, em relação à tecnologia que se pretende adoptar e a uma produção anual que não deverá ultrapassar as 1200 unidades. 45 Mil euros mais impostos significarão um preço médio da ordem dos 53 mil euros na maioria dos países da união europeia, enquanto em Portugal poderá rondar entre os 74 a 80 mil.

Mas para o Grupo Fiat o lançamento deste desportivo poderá marcar o início de outros já mostrados como:
– O Lancia Stratos, porventura o mais semelhante ao do passado, ainda que agora assente num chassis Ferrari (igual ao do Alfa 8C) encurtado e com o mesmo motor de 8 cilindros em V a debitar mais de 540 cavalos;
– O Lancia Fulvia, também muito semelhante ao que fez história nos Mundiais de Ralis antes dos Delta e que deveria ter uma mecânica muito semelhante ao do agora apresentado Alfa 4C, no topo da gama.

Texto: José Maria Pignatelli (Participação Especial)

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