A indústria automóvel está mesmo preocupada com o ambiente?
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A indústria automóvel foi novamente convocada. Colocou a «humanidade em movimento» no século passado, e agora responde a um novo desafio: não comprometer o futuro das gerações vindouras.

O problema está diagnosticado. Segundo dados da Comissão Europeia, os poluentes atmosféricos são responsáveis, todos os anos, por mais de 400 000 mortes prematuras na UE, incluindo cerca de 70 000 mortes diretamente relacionadas com o dióxido de azoto (NO2). Neste particular, o transporte urbano é um dos principais responsáveis.

Números que motivaram a Comissão a liderar esforços para reduzir progressivamente as emissões de poluentes. Entre outras, a norma Euro 7 é uma das faces mais visíveis deste combate, principalmente nas cidades, onde os problemas de saúde pública são mais prementes.

Convicção ou necessidade?

A norma Euro 7 — que regula as emissões poluentes dos automóveis na Europa — entra em vigor já em 2025. Muitas marcas acreditam que o grau de exigência desta normativa tornará os custos dos motores de combustão inviáveis. Perante este quadro regulatório, a eletrificação da indústria automóvel tem sido um dos caminhos apontados para a mobilidade do futuro.

Um caminho que nem sempre foi feito por convicção, mas por necessidade.

No caso da Volvo, a preocupação com o ambiente está inscrita no ADN da marca desde a sua fundação. Em 1945 — ainda as questões ambientais não estavam na ordem do dia — já a recondicionavam componentes para evitar desperdício de matérias-primas e energia — uma orientação que segue até aos dias de hoje.

A Volvo assinou a sua primeira declaração ambiental em 1972, na 1ª Conferência Ambiental da ONU em Estocolmo.

Um dos momentos mais importantes na história da marca sueca no combate à poluição e às alterações climáticas aconteceu em 1972. Pehr G. Gyllenhammar, CEO da marca sueca, reconheceu como missão combater o impacto ambiental negativo dos automóveis e da sua atividade industrial.

Os resultados desta orientação não tardaram a surtir efeitos. Foi a primeira marca automóvel do mundo a introduzir nos seus motores aquela que é, provavelmente, a tecnologia mais importante na história do combate às emissões poluentes: a sonda lambda (na imagem).

Responsável por tornar a combustão mais eficiente, a sonda Lambda (na imagem) conseguiu, sozinha, reduzir até 90% as emissões dos motores de combustão.

Avançando no tempo, em 1991, a Volvo foi também a primeira marca automóveis a banir os clorofluorcarbonos (CFC) dos seus automóveis. Molécula que é apontada como uma das principais responsáveis pela destruição da camada de ozono.

Dois anos depois a Volvo foi ainda mais longe, eliminando essas moléculas nocivas de toda a linha de produção.

Em 1996, a preocupação com o meio ambiente estendeu-se aos fornecedores. Foram estabelecidas metas e requisitos ambientais para o fornecimento de componentes, restringindo o recurso a determinados produtos químicos e práticas industriais danosas.

Para reduzir o impacto no meio ambiente, desde 2008 que as fábricas da Volvo recorrem apenas a energias renováveis.

Greenwashing ou compromisso real?

Há empresas que estão a ser acusadas de greenwashing — uma prática que consiste em anunciar medidas amigas do ambiente, sem correspondência ou benefícios efetivos para o ambiente.

A Volvo afirma que o seu compromisso ambiental está patente no passado, no presente e no futuro da marca.

Em 2018, anunciou o objetivo de atingir a neutralidade carbónica em toda a cadeia de valor até 2040 — em linha com os objetivos do Acordo de Paris. Até lá, a Volvo já se comprometeu em reduzir as emissões de carbono por veículo em 40% até 2025, sem esquecer as emissões das fábricas e cadeia de abastecimento.

O mais recente capítulo deste compromisso aconteceu este ano. A Volvo Cars foi um dos poucos construtores que assinou na Conferência do Clima COP26, a Declaração de Glasgow para as Zero Emissões dos automóveis e veículos pesados.

A Volvo Cars pretende ainda acelerar a redução da pegada de carbono de todas as suas operações — o objetivo é atingir um impacto climático neutro em 2040 — anunciando a introdução de um sistema interno de preços de carbono.

Hakan Samuelsson
Foi Håkan Samuelsson, CEO da Volvo Cars, que assinou a Declaração de Glasgow.

Isto significa que o construtor sueco vai cobrar a si mesmo 1000 coroas suecas (cerca de 100 euros) por cada tonelada de carbono emitida ao longo das suas operações.

É crucial para as ambições climáticas mundiais que se estabeleça um preço global justo para o CO2. Precisamos todos de fazer mais. Acreditamos que as empresas devem assumir a liderança e estabelecer um preço interno para o carbono. Ao avaliar os automóveis do futuro de acordo com a sua rentabilidade já deduzida pelo preço do CO2, esperamos poder acelerar medidas que nos ajudem a identificar e a reduzir já hoje as emissões de carbono.

Björn Annwall, diretor financeiro da Volvo Cars.

O valor anunciado é substancialmente mais elevado que o recomendado pelas organizações mundiais, onde se inclui a International Energy Agency, ficando inclusivamente acima da curva reguladora. A Volvo Cars defende ainda que nos próximos anos hajam mais governos a implementar preços do carbono.

Responsabilidade ambiental, responsabilidade social

Cuidar do meio ambiente, não se esgota na defesa deste ou no combate às alterações climáticas. Para a Volvo, esta ação deve traduzir-se numa procura pelo bem estar social.

É por este motivo que a Volvo adotou a tecnologia blockchain — que utiliza uma complexa rede de dados — para rastrear e controlar a proveniência das matérias primas que encontramos nos elétricos da marca, desde a produção até à fábrica. De forma sustentável e sem recurso a mão de obra ilegal.

Segundo a Volvo, só assim é possível garantir que os produtos da marca são, simultaneamente, responsáveis pelo «ambiente» e também pela «sociedade». Um compromisso que não diz respeito apenas aos seres humanos, mas a todas as formas de vida.

Em 2030, todos os automóveis da Volvo vão ser elétricos. O processo já começou, e segundo a marca, todas as gerações estão convocadas.

Qual polui mais: 100% elétrico ou a combustão interna?

Para perceber se efetivamente o carro 100% elétrico é ou não um passo em frente na mitigação de emissões, a Volvo realizou um estudo que compara as emissões de um carro a combustão interna, com um 100% elétrico.

Neste estudo foi usado um Volvo C40 Recharge e um Volvo XC40 a gasolina, num cenário no qual o abate destes veículos ocorre aos 200 mil quilómetros. Este estudo apresenta duas conclusões importantes.

A primeira diz-nos que um 100% elétrico que é carregado utilizando o mix energético disponibilizado pela média dos 28 países da União Europeia (onde cerca de 60% da energia é obtida através de combustíveis fósseis), vai emitir menos 29% de CO2 do que um veículo idêntico com motor de combustão interna. Se for carregado apenas e só com energia verde, emitirá menos 54% de CO2 durante a sua vida útil, face a um automóvel com motor de combustão interna equivalente.

Volvo C40 Recharge
Volvo C40 Recharge na linha de produção.

A segunda é sobre a fase de construção. O Volvo C40 Recharge polui mais 70% durante a construção do que um Volvo XC40 a gasolina. Mas essa poluição será compensada durante o período de vida útil do automóvel.

Neste estudo, a Volvo concluiu (gráfico abaixo) que o break-even num cenário de utilização perfeito (apenas recorrendo a energia verde) ocorre aos 49 mil quilómetros. Considerando o mix energético da UE-28 aos 77 mil quilómetros, ou aos 110 mil quilómetros tendo em conta o mix das fontes da energia global.

ambiente volvo c40 recharge
© Volvo Cars – Carbon footprint report Volvo C40 Recharge.

Uma produção sem emissões

Para reduzir as emissões durante a produção, a Volvo está a firmar parcerias para o desenvolvimento de aço sem recurso a combustíveis fósseis, bem como a optar por fornecedores que produzam baterias utilizando apenas energias renováveis.

O objetivo é reduzir em 40%, até 2025, as emissões geradas por um automóvel 100% elétrico durante o seu ciclo de vida. Na cadeia de valor da Volvo, a redução de emissões também é uma prioridade, sendo que até 2025 devem baixar 25%. Atualmente todas as fábricas da Volvo na Europa utilizam apenas energia renovável. A partir de 2030 a Volvo só irá produzir carros 100% elétricos.

Quer saber mais? Leia o nosso especial: “A eletrificação é apenas a ponta do iceberg”.


História

Sustentabilidade. Mais do que uma missão, uma tradição.

Em 1972, a marca sueca assinou a sua primeira declaração ambiental. O CEO em funções, Pehr G. Gyllenhammar, reconheceu que os automóveis tinham um impacto ambiental negativo e que teriam de trabalhar para o diminuir. Quatro anos depois a Volvo apresentou uma invenção revolucionária, que reduziu as emissões nocivas em até 90%: a sonda Lambda.

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