Desporto Motorizado

Porque é que as pistas de Drag Racing têm 1/4 de milha?

AVISO: Não há nenhuma explicação oficial para distância do Drag Racing. O fenómeno Drag Racing começou de forma ilegal, e portanto livre de quaisquer regras. Mas há uma história para contar... aqui na Razão Automóvel há sempre histórias para contar.

É domingo. Deves estar agarrado ao telefone a fazer swipe pelas redes sociais, entediado e com cara de enjoado. Acertei?

Espero que não. Mas se for o caso, a Razão Automóvel é o melhor remédio para acabar com o tédio e dar algum alento a esse dedo que está a perder a fé nas redes sociais.

Vamos falar de Drag Racing?

Mas antes de começar quero dizer-te o seguinte: vamos lançar um canal de Youtube. As mensagens que nos enviaram a pedir um canal de Youtube foram todas lidas. E nós também sentíamos essa necessidade…

Reunimos a equipa, estudámos o que de melhor se faz no Youtube (lá fora e cá dentro…), pensámos no formato, e começámos a trabalhar. Há meses que andamos em gravações. Temos de admitir: queremos que seja um grande canal! Não porque queremos ser os maiores ou os melhores, mas porque sentimos que temos essa responsabilidade.

RAZÃO AUTOMÓVEL: Razão Automóvel integra júri do World Car Awards

Somos um dos meios de informação mais lidos do país, somos membros permanentes do Carro do Ano em Portugal e os únicos representantes portugueses no World Car Awards — ao lado de alguns dos mais prestigiados especialistas do mundo automóvel. Não é para ser uma brincadeira, dizer uma larachas e fazer um vídeo. O respeito que temos por vocês é regra nº1 da Razão Automóvel.

Resumindo. Queremos transportar para o Youtube, a Razão Automóvel que já te habituaste a ler nos últimos 5 anos. Qualidade, isenção, informação e paixão pelos automóveis.

Vamos ter testes, reportagens, Vlogs, apresentações internacionais, clássicos, os vossos carros(!) e muitos conteúdos exclusivos.

Confesso. Tenho mais jeito para comunicar atrás de um monitor do que à frente de uma câmara. Mas o caminho faz-se caminhando e portanto faço o apelo: subscreve o nosso canal!

Os primeiros passos serão pequenos, mas só quem não conhece a nossa história é que poderá apostar contra nós. A ti, só podemos agradecer o apoio incondicional!

Vamos voltar ao Drag Racing?

Desculpa a ladainha (estiquei-me…), mas estamos mesmo apostados em fazer do nosso canal de Youtube uma referência. No dia em que deixarmos de querer evoluir será o nosso fim…

Voltando ao Drag Racing, podia responder imediatamente à questão do título: Porque é que as pistas de «Drag Racing» têm 1/4 de milha? Mas acreditamos que vale a pena ler a história completa.

Vamos recuar até à década de 30, altura em que as planícies do lago de Bonneville, um enorme deserto de sal, no estado do Utah (EUA), era a «Meca» dos amantes da velocidade.

Era aqui que os amantes da velocidade, vindos de todo o lado, se juntavam para responder à mais velha pergunta desde que foi construído o segundo carro da história: qual é o mais rápido?

As corridas de velocidade em Bonneville ganharam uma importância tão grande que cedo sentiu-se a necessidade de organizar os eventos de forma profissional. Foi criada a SCTA — Southern California Timing Association —, a entidade responsável por organizar as corridas que ali se disputavam.

Entre os membros da direção desta associação, estava um jovem: Wally Parks. Foi ele que em 1937 fundou a Road Runners Club.

Wally Parks
Wally Parks (imagem:NHRA North Central Division 3)

A Road Runners Club era, acima de tudo, um grupo de amigos que se juntava para disputar arranques, lado a lado — característica que viria a definir o Drag Racing. Mas voltaremos a Wally Parks mais à frente…

O Drag Racing e o pós-guerra

Em 1945, ao fim de 6 anos, o mundo saia finalmente de um dos seus períodos mais negros da sua história. Terminava a II Guerra Mundial, Adolf Hitler era derrotado, e os Aliados repuseram a paz mundial.

Um feito que teria sido impossível sem a intervenção americana.

Quando os soldados americanos regressaram da guerra, para muitos não foi fácil regressar à rotina. A paz e o crescimento económico do pós-guerra era tudo quanto ambicionavam mas faltava algo… faltava a adrenalina.

Com o crescimento económico galopante vivido naquela época, ninguém queria saber dos carros usados. Toda a gente queria carros novos. Toda a gente excepto os jovens… alguns deles ex-soldados, vindos da guerra.

hot rod história drag racing
Outrora um carro convencional…

Agora juntem a esta equação crescimento económico galopante, pleno emprego, carros baratos e conhecimentos mecânicos adquiridos no exército. Foi a tempestade perfeita!

hot-rod
As pin-ups que se popularizaram na fuselagem dos aviões de guerra encontraram nos hot-rod uma segunda vida.

Por todos estes motivos, a cultura «Hot Rod» conheceu nesta época a sua época dourada. E como é óbvio, a sua dimensão cresceu de forma tão rápida que depressa deixou de ser um exclusivo do lago de Bonneville. Nos EUA, os Hot Rod estavam por todo o lado.

Já não se tratava apenas da preparação dos carros. Era mais do que isso. Era um modo de vida, uma afirmação pessoal.

As corridas ilegais começaram a ser frequentes. Umas vezes de forma organizada, outras vezes de forma expontânea, bastava dois hot-rods encontrarem num sinal vermelho que o desfecho era aquele que todos nós sabemos. Mas também haviam corridas organizadas em aeródromos. Aeródromos, arranques… Isto soa-vos familiar, não soa?

Mas porquê 1/4 milha?

Como vimos, as corridas de Drag Racing nasceram de forma ilegal, à revelia de quaisquer regras. É aqui que abandonamos os factos e começamos com as suposições.

Segundo consta, naquela época a distância média de um quarteirão nos EUA era de 201 metros (1/8 de milha). Como a maioria dos semáforos costumavam ser separados por dois quarteirões, as corridas acabavam sendo disputadas numa distância de 1/4 de milha (402,34 metros). Faz sentido, não faz?

Drag Racing
Talvez o tributo mais famoso às origens do Drag Racing. Dispensa apresentações…

Mas há outros motivos. O facto da distância ser relativamente curta favorecia outros fatores importantes para a popularidade desta atividade «fora da lei»:

  • Competitividade. Se a distância fosse maior, ganharia sempre o carro mais potente. Assim era premiado o talento do condutor.
  • Espetáculo. Os 400 metros permitem a quem assiste ver o início e o fim da corrida.

A profissionalização do Drag Racing

Não se esqueceram do jovem Wally Parks de que falei há pouco, pois não? Wally Parks é considerado o «Pai do Drag Racing», tal como Rui Veloso é considerado o «Pai do Rock Português».

Em 1950, Parks esteve envolvido na construção de uma das primeiras pistas de drag racing, a «drag strip» de Santa Ana. No ano seguinte, aproveitando a visibilidade que a revista Hot Rod lhe dava — da qual era editor — Parks criou a National Hot Rod Association (NHRA), estabelecendo os primeiros regulamentos técnicos para as provas de Drag Racing. Um passo que foi dado com o apoio total das autoridades governamentais, uma vez que era a única forma de tirar as corridas da rua.

Para mim o Drag Racing é a combinação de muitos fatores. Hobby, diversão, negócios à séria, engenharia, desafio e superação.

Wally Parks, Fundador da NHRA
Ford 1932. Campeão da 1ª Word Series da Drag Racing (1953)

Das corridas de arranques ilegais, o Drag Racing herdou quase tudo: os tais 400 metros (ainda que sejam disputadas corridas noutras distâncias) e o arranque parado. Preservou-se a tradicional «quarter mile» pelas razões que apontámos anteriormente e também por questões económicas.

Distâncias maiores resultam em velocidades superiores e em distâncias de travagem mais longas, logo… mais alcatrão e mais custos.

Top Fuel Drag Racing
Atualmente, os carros de Drag Racing das categorias superiores, como os Top Fuel, são capazes de cumprir o 1/4 de milha em 4,5 segundos, atingindo mais de 500 km/h de velocidade máxima.

Wally Parks morreu em 2007, teve uma vida longa e sempre ligada aos automóveis. Além de «Pai do Drag Racing» foi também um dos fundadores da Road & Track, uma das referências da Razão Automóvel.

Questionado numa entrevista sobre aquilo que o motivou a desenvolver esta modalidade, a sua resposta foi clara e apaixonante:

Simplesmente não queria crescer.

Wally Parks, Fundador da NHRA

Tal como Wally Parks, nós também acreditamos que há algo de mágico no arranque de um carro. Os pneus a dobrarem, o som da mecânica, a agitação das peças, a aceleração… enfim. Vivam os automóveis e conduzam com prudência! E não se esqueçam… subscrevam o nosso canal!

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