BMW em viragem: para onde e porquê?

A cada dia que passa, as notícias sobre uma viragem na BMW são cada vez mais frequentes – o futuro de uma marca que se está a desenvolver num cenário de contração económica.

Numa altura em que a Europa vive num clima de incerteza em relação ao seu futuro e o mercado não absorve a produção como devia, marcas como a BMW aproveitam para alterar o seu rumo. Não se trata certamente de uma decisão “livre”, o que leva a BMW a realinhar o seu trajeto é uma situação económica que se agrava e na qual esta não se quer misturar, preferindo “habituar-se”.

Não vale a pena estar com rodeios – a decisão de produzir uma plataforma para modelos de tração dianteira, a aplicar tanto à Mini como à BMW, é meramente económica, sendo outras razões de importância tão residual que não passam de um desviar das atenções. É duro, pois avizinham-se tempos diferentes e solos nunca antes pisados. Os patrões em Munique certamente temem, ao mesmo tempo que se mostram fortes e com coragem para tomar decisões difíceis.

A BMW já teve como imagem de marca o “nunca usaremos tração dianteira”, hoje podemos dizer “nunca digas nunca”, mas na verdade, a construtora bávara fez o que poucos estão dispostos a fazer – em vez de esperar que o orgulho seja o desmoronar de um colosso, preferiu atuar com franqueza e garantir a sua sustentabilidade.

Estas reflexões e opções de rumo tendem a surgir em situações “anormais”, nunca esquecendo que nos negócios a instabilidade do mercado é talvez mais normal do que muitos possam pensar. Esta estabilidade é cada vez mais um mito e a necessidade de nos reinventarmos para sobreviver, uma realidade.

A zona de conforto das empresas está no estímulo das capacidades criativas dos seus líderes, que passam em primeiro lugar por uma outra capacidade: a de estes ouvirem os apelos do seu mercado. Não quero com isto dizer que devemos tomar decisões condicionadas, mas refletir e identificar as fraquezas é fundamental e isso deve ser feito em conjunto com quem consome o que produzimos e sempre com o olhar na concorrência.

Se é um facto que a BMW decidiu avançar timidamente para a tração dianteira, a Mercedes-Benz já o fez há muito tempo. A BMW é um verdadeiro líder e está no auge da sua história em todas frentes – o prazer de condução é a cereja no topo do bolo e os motores são incríveis. No entanto, a exigência de um produto mais económico e eficiente, a par da necessidade de reduzir drásticamente os custos de produção, levaram a construtora alemã a repensar os seus modelos. A decisão é tomada sob pena de ser o mote para o surgimento de expressões como: “os BMW eram conhecidos pelo prazer de condução”.

Futuro “1M” sem tração traseira?
Não se matem, fãs da marca bávara, a BMW não disse em nenhum momento que deixará de produzir carros de tração traseira. No entanto, com o aparecimento do Série 2, que à imagem do Série 4 receberá os modelos coupé e cabrio do série anterior, os série 1 de 3 e 5 portas passam a ser os modelos de entrada para o mundo quatro rodas da BMW.

Com esta nova definição de patamares surge a notícia que lá para 2015 sairá o 1M e que já não será coupé, pois essa configuração ficará entregue ao 2M ou, muito provavelmente, M235i…e como o novo série 1 GT irá utilizar a plataforma UKL, fica a questão – será que o futuro baby M, o 1M de 2015 ou talvez “apenas” M135i de 2015, vai ser o primeiro M a deixar para trás a tração traseira?… Quando questionada sobre o futuro do Série 1, a BMW diz estar a considerar as duas hipóteses, sem dar certezas para onde irá a força dos seus motores – se para as rodas da frente, de trás ou Xdrive opcional (tração integral) dando a possibilidade de escolher esta tração ao invés da tração traseira como já acontece com o M135i, por exemplo.

Esta é uma altura de mudanças e a BMW parece querer alinhar nesta “onda”, que não deixa de ser forçada, a meu ver. Compreende-se, no entanto, não deixa de ser evidente o poder de um mercado em queda.

A BMW acredita que em 2013 aumentará as suas vendas e talvez o mercado norte-americano e China sejam um bom motivo para acreditar num contra-ciclo. Mas ainda assim somos inevitavelmente levados a refletir – um M sem tração traseira, a existir, para além de marcar uma viragem marcará um período de que ninguém se esquecerá. Viragem, mas provavelmente, sem um pequeno M a andar de lado.

Texto: Diogo Teixeira

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