Limite de velocidade

Tenho saudades de não ter medo dos radares

Velocidade e radares. Eventualmente um dos temas mais polémicos do «mundo automóvel».

Este artigo de opinião não pretende ser (nem é…) uma consideração aprofundada sobre prevenção rodoviária. É um desabafo. O desabafo de um condutor que em mais de 10 anos apenas foi apanhado em excesso de velocidade uma vez. Sem que a minha condução – sempre segura e preventiva – se tenha alterado, sinto que estou na eminência de subir no «ranking das multas»…

Até hoje, nunca tive medo dos radares. Agora tenho. Atualmente, surgem radares por todo o lado e a fronteira entre prevenção rodoviária e a fiscalização orientada para o «saque aos automobilistas» começa a ser cada vez mais ténue. Há limites de velocidade absurdamente baixos e é nesses locais que normalmente os radares estão colocados. Há outro problema quanto à colocação de radares sem aviso: induzem comportamentos atípicos nos condutores.

Quando menos esperamos, há condutores a reduzir a velocidade abruptamente porque há um radar. Travões a fundo! Que trave quem conseguir. Quem não conseguir…

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Mais exemplos. Tentem fazer a descida do Aqueduto das Águas Livres a 60 km/h, o Túnel do Marquês a 50 km/h ou a A38 (Costa da Caparica-Almada) a 70 km/h… não é fácil. A nossa atenção passou a estar dividida entre a estrada e o velocímetro. Não está em causa a necessidade de radares nas estradas, mas sim a forma como são colocados. Se na generalidade dos casos os radares previnem acidentes, em casos particulares (que já testemunhei) também podem potencialmente contribuir para os provocar.

Tenho saudades do tempo em que sabia que a minha condução responsável (por vezes acima do limite legal… sim, quem nunca!) era garantia suficiente que não me aparecia uma multa em casa. Já não é. Não é, porque há radares colocados estrategicamente em locais onde é fácil ser «fotografado» acima do limite estabelecido.

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Infelizmente, a política de prevenção rodoviária no nosso país faz-se acima de tudo num sentido: no sentido do bolso do Estado. O critério parece variar entre a efetiva prevenção rodoviária e a chamada «caça à multa». Era bom que as autoridades nacionais tivessem metade do zelo na manutenção das estradas que têm no combate ao excesso de velocidade.

Entre outros exemplos, passar na IC1 entre Alcácer e Grândola devia embaraçar-nos a todos. É uma vergonha.

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