90 anos da Volvo

A Volvo é conhecida por construir automóveis seguros. Porquê?

Terceira parte do nosso especial dedicado aos 90 anos da Volvo. Neste artigo, vamos dar destaque às principais inovações da marca, com foco na segurança.

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Terminámos o capítulo anterior em plena II Guerra Mundial. Tempos de grande adversidade para a Europa em geral, e para a indústria automóvel em particular.

A este propósito, Camilo Castelo Branco, um dos mais influentes escritores portugueses, escreveu: “é na adversidade que se fazem os grandes cálculos, e que se traçam os grandes planos”. Foi exatamente isso que Assar Gabrielsson, fundador da Volvo, fez: calculou e traçou um grande plano para a marca.

Um passo à frente da concorrência

Garantida a sustentabilidade da Volvo durante a guerra – graças às encomendas do exército sueco – Gabrielsson aproveitou o período entre 1940 e 1944 para pensar o futuro da marca.

Deste período de reflexão nasceu o PV444, o primeiro Volvo do pós-guerra e o primeiro Volvo da «era moderna». Segurança, modernidade e fiabilidade foram os grandes eixos orientadores do desenvolvimento do PV444.

A grande recepção do PV444

Nem as melhores expectativas da marca estavam à altura do sucesso que o PV444 conheceu. Das 8.000 unidades planeadas, foram produzidas 200.000 unidades! Da apresentação do PV444, em 1944, até ao seu lançamento em 1946, “choviam” encomendas todos os dias.

O Volvo PV444 era um dos automóveis mais avançados da sua época. Suspensões independentes, chassis monobloco, travões com afinação automática nos quatro eixos e um motor de quatro cilindros moderno e eficiente.

Tudo coadjuvado por um design feliz, inspirado nos modelos americanos. Gabrielsson, Larson e a sua equipa tinham acertado na fórmula mais uma vez.

Graças à reestruturação da linha de produção e à reorganização de toda a cadeia logística da Volvo, o PV444 tinha outro grande trunfo: o preço. O Volvo PV444 era vendido por 4,800 coroas suecas, o mesmo que custava o “Jakob” em 1927.

Podemos afirmar que foi este modelo que alicerçou definitivamente os grandes valores da marca: preocupação com as pessoas, qualidade de construção e recurso à melhor tecnologia.

Transparência. Das palavras aos atos

Um dos fatores críticos de sucesso da Volvo foi o planeamento. Como já tivemos oportunidade de confirmar ao longo deste Especial, Assar Gabrielsson procurou sempre aplicar na marca as melhores práticas da indústria.

Um dos episódios mais marcantes desta procura incessante pelas melhores práticas aconteceu nos EUA. Gabrielsson ficou impressionado com a transparência com que as empresas, mesmo as concorrentes da Volvo, respondiam com abertura às suas questões.

Foi nesse momento que Gabrielsson decidiu que na Volvo a conduta de todos os funcionários, da linha de produção até à administração, devia pautar-se pela transparência.

Produção do Volvo 121 (Amazon), 1958.

Uma postura que começou a refletir-se não só nos relatórios anuais de empresa, mas também na forma como a Volvo se projetava para o mundo – ainda hoje é assim.

E os resultados estão à vista: entre 1945 e 1955 a Volvo passou das 3.000 unidades para as 45.000 unidades produzidas. Um crescimento de 1.500% em 10 anos.

Em 1956, Assar Gabrielsson reforma-se e foi sucedido por Gunnar Engellau – até então responsável pelo departamento de aeronáutica da Volvo. As bases para o futuro estavam lançadas.

Nils Bohlin, o homem que salvou milhões de vidas.

Avançamos até 1959, um dos momentos chave da história da Volvo. Desde esse ano, que todos os automóveis produzidos pela Volvo têm uma característica em comum: o cinto de segurança de três pontos. Sem dúvida, um dos marcos mais importantes da história do automóvel.

Os primeiros modelos a receber esta inovação foram o PV540 e o P120 Amazon (na imagem).

Estima-se que este avanço tecnológico, desenvolvido por Nils Bohlin, tenha salvo mais de um 1 milhão de vidas em todo o mundo.

À época, esta inovação era um «trunfo» que a marca podia ter usado na «guerra» pelas vendas mas não usou. A política de transparência da Volvo não permitia.

A administração da Volvo decidiu abdicar de todos os direitos sobre a patente do cinto de três pontos para que todos os automóveis, independentemente do construtor, pudessem ser mais seguros.

Segurança e tecnologia? Sempre.

Como podem constatar, a tecnologia e a segurança têm sido uma constante na história da Volvo ao longo destes 90 anos.

Neste capítulo vamos destacar as tecnologias e os momentos chave desta busca incessante pela segurança, ano após ano:

1944 | Estrutura de segurança monobloco e vidro dianteiro laminado.

O primeiro modelo a receber uma estrutura monobloco foi o PV444. Foi o ponto de partida para as plataformas com zonas de deformação programadas.

Outra inovação estreada pelo PV444 foi o vidro dianteiro laminado. É um tipo de vidro que quando quebra, mantem os estilhaços unidos. É composto por duas ou mais placas de vidro, que são unidas por uma ou mais camadas intermediárias de polivinil butiral (PVB) ou resina.

1959 | Cintos de segurança de três pontos.

Como escrevemos anteriormente, o cinto de segurança de três pontos é uma das inovações mais importantes da história do automóvel. Até hoje, estima-se que já tenha salvo mais de um milhão de vidas.

Estudos levados a cabo pelos engenheiros da Volvo, concluíam que os cintos de dois pontos (cintura) por vezes causavam mais lesões do que a não utilização do cinto. A resposta surgiu na forma do cinto de três pontos.

1960 | Painel de instrumentos com zonas de segurança.

No início da década de 60, com a atualização do PV444, agora PV544, a Volvo introduziu o painel de instrumentos com zonas de segurança.

Estas zonas de segurança consistiam no recurso a materiais deformáveis em zonas estratégicas para reduzir o risco de ferimentos em caso de acidente.

1966 | Primeiro Volvo com zonas de deformação programadas.

Há 51 anos, a Volvo lançava o modelo 144. Entre outras inovações, este modelo estreou o primeiro chassis da marca com zonas de deformação programadas.

Foi com este modelo que a marca atingiu o marco histórico de “1 milhão de unidades produzidas”.

1972 | Volvo Experimental Safety Car (VESC).

Numa época em que a segurança não era uma das prioridades da indústria automóvel, a Volvo levou a cabo um projeto de investigação alargado sobre segurança automóvel.

Dessa investigação resultou o Volvo Experimental Safety Car (VESC), um carro-laboratório que serviu de montra para todas as tecnologias desenvolvidas pela marca.

1972 | Cadeiras de criança em posição invertida.

Inspirada na forma como os astronautas eram posicionados dentro dos Vaivém Espaciais, a Volvo desenvolveu as primeiras cadeiras para criança viradas para trás.

Estas cadeiras destacaram-se por ajudarem a distribuir a energia de um impacto sobre uma área maior. Recordamos que os impactos frontais são a situação de impacto mais frequente e geralmente mais grave nos acidentes rodoviários.

1973 | Coluna de direção com zonas de colapso programadas

Os crashtest levados a cabo pela Volvo revelaram que um dos elementos que mais danos causava no condutor era a coluna de direção – que nos embates frontais invadia o habitáculo.

Para contornar este problema a Volvo criou uma coluna de direção com zonas de colapso programadas. Os ferimentos causados por este componente diminuíram drasticamente.

1974 | Tanque de combustível reposicionado e reforçado

Para reduzir o risco de incêndio em caso de acidente, todos os modelos da Volvo (a partir de 1974) estavam equipados com tanques de combustível reforçados, colocados em posição central.

1976 | Sonda Lambda

A preocupação da Volvo com as pessoas estende-se a todos os domínios da indústria automóvel. Nomeadamente, até para a sustentabilidade ambiental.

O primeiro automóvel da história equipado com sonda Lambda foi um Volvo (o Volvo 244 que podem ver abaixo, na imagem). Graças a esta inovação foi possível reduzir as emissões poluentes dos automóveis em 90%.

Hoje, todos os automóveis recorrem a esta tecnologia.

1978 | Cadeira-degrau para as crianças

A partir dos 4 anos de idade, tornava-se complexo obrigar as crianças a viajar de costas voltadas para a estrada. A solução da Volvo foi criar um degrau para posicionar o corpo das crianças da melhor forma em relação ao cinto de segurança, reduzindo os riscos de lesões.

1984 | ABS (sistema anti-bloqueio de travagem)

A Volvo introduz pela primeira vez o sistema ABS nos seus modelos com a Série 900.

                                                                                                                                               

1986 | Terceira luz de travão

Antes de se tornar num equipamento obrigatório, a Volvo já equipava os seus modelos com terceira luz de travão.

1990 | Cadeira de criança integrada

Com a Série 800, chegaram as primeiras cadeiras de criança integradas nos bancos traseiros.

1991 | SIPS – Side Impact Protection System

O SIPS foi um dos grandes avanços da Volvo em termos de segurança passiva. Desde então, todos os Volvo recorrem a este sistema.

O SIPS consiste numa estrutura de alta resistência que dispersa a energia dos impactos pela base do automóvel. Um sistema com benefícios adicionais nos impactos laterais devido à falta de zonas de absorção.

Em 1994 este sistema foi complementado por outra estreia mundial: os airbags laterais. Outra inovação com assinatura Volvo.

1997 | ROPS – Rollover Protection System convertible

Graças a um dispositivo de acionamento pirotécnico, era disparado um arco de segurança em caso de capotamento.

Um elemento que aumentou substancialmente a segurança do Volvo C70 Cabrio.                                                                                                                                                  

1998 | WHIPS – Encosto de cabeça ativo

Graças a este sistema, a energia dos impactos (dianteiros ou traseiros) é absorvida de forma uniforme pela parte superior do corpo, reduzindo o “efeito chicote” na zona do pescoço.

O WHIPS foi lançado pela primeira vez no Volvo S80 e desde então está presente em todos os modelos da marca.

1998 | Cortina de airbag

Mais um passo importante na segurança dos automóveis.

A cortina de airbag aumentou até 75% a capacidade de absorção de energia de um impacto lateral.

2002 | ROPS (rollover protection system) para SUV’s

Com o lançamento da primeira geração do Volvo XC90 e devido ao centro gravítico mais alto do modelo, a marca teve de repensar uma forma de evitar os capotamentos e aumentar a segurança em caso de acidente.

No Volvo XC90 o ROPS consistia em dois sistemas: um eletrónico (que diminuía a tendência de capotamento através do ESP) e outro estrutural (através do recurso a aço de elevada resistência no arco da carroçaria).

2002 | A primeira boneca de crashtest “grávida”

A procura pela segurança absoluta nos seus modelos levou a Volvo a estudar aprofundadamente as consequências dos acidentes com mulheres grávidas a bordo.

2003 | BLIS – Sistema de Aviso de Ângulo Morto

Este sistema recorre a radares para avisar o condutor da presença de veículos no ângulo morto.

2008 | City Safety

Sabias que 75% dos acidentes ocorrem até 30 km/h e que em 50% dos casos o condutor nem travou?

O sistema City Safety da Volvo consiste num sistema laser capaz de detetar o veículo da frente. Caso seja necessário, o sistema avisa o condutor para a necessidade de travar, e caso o condutor não reaja o sistema trava automaticamente evitando a colisão.

2010 | Sistema de deteção de peões

A preocupação da Volvo com a segurança abrange também os peões. Em 2010 o sistema City Safety foi atualizado de modo a detetar peões.

Atualmente, este sistema da Volvo já consegue detetar peões, ciclistas, animais e até veículos em cruzamentos sem visibilidade.

2014 | Asta Zero

O Asta Zero é um dos maiores complexos do mundo dedicado ao estudo e desenvolvimento de sistemas de segurança para a indústria automóvel. Vê mais aqui.

2015 | Run-off Road Protection

Com a segunda geração do Volvo XC90 chegou mais uma inovação da marca sueca, o run-off road protection. Um sistema que deteta as saídas de estrada involuntárias e atua ao nível dos cintos de segurança.

Graças a este sistema, os cintos são ajustados automaticamente ao corpo dos ocupantes para evitar oscilações. Os bancos dianteiros também estão equipado com um sistema de amortecimento de impactos. Objetivo: reduzir a possibilidade de lesões na coluna.

2016 | Auto Pilot

Graças a um completo sistema de radares e câmaras de última geração, os modelos da Série 90 são capazes de conduzir de forma semi-autónoma, controlando o tráfego circundante e mantendo o veículo na faixa de rodagem.

Em situações de tráfego intenso, este sistema é capaz de assumir o controlo do veículo até aos 60 km/h.

                                                                                                                                                  

O próximo capítulo deste especial será dedicado aos modelos que marcaram e prometem marcar a história da Volvo, desde o “Jakob” ao novo XC60. A não perder.