RUF CTR 2017. O mítico “Yellow Bird” está de volta!

Há exatamente 30 anos era apresentado o RUF CTR. Volvidas três décadas o “Yellow Bird” está de volta, mais poderoso que nunca. Um tributo ao modelo original com 710 cv de potência, caixa manual e sem ajudas eletrónicas.

Perdi a conta ao número de carros que vi e pessoas com quem falei no Salão de Genebra 2017 – nos próximos dias vamos continuar a publicar aqui alguns desses momentos. Mas de todos eles, houve momentos especialmente especiais – perdoem-me a redundância.

Um desses momentos “especialmente especiais” foi quando apertei a mão a Alois Ruf, fundador da marca com o mesmo nome: a RUF.

Entre ter conhecido o Chris Harris (o momento ficou registado aqui), ter cumprimentado o Lord March e ter falado com Alois Ruf, entre outros, não sei qual foi o momento que me marcou mais. Parecia um miúdo numa loja de brinquedos.

Por falar em brinquedos, o brinquedo de que vos vou falar tem mais de 700 cv e «zero» ajudas eletrónicas.

Momentos que marcam.

Como disse, estive à conversa com Alois Ruf. Mais concretamente 40 segundos. Eh lá…! Uma eternidade.

Da minha parte, havia todo o tempo do mundo para ouvir as peripécias de quem pegou numa empresa de autocarros  – podes ler a história aqui – e a transformou numa marca de supercarros. Infelizmente, Alois Ruf não tinha o mesmo tempo que eu. Enquanto falávamos entrou no stand da RUF no Salão de Genebra um dos seus melhores clientes.

Entre um «olá» sorridente e um «adeus» prematuro, tive oportunidade de lhe agradecer em nome da GRANDIOSA COMUNIDADE DE LEITORES DA RAZÃO AUTOMÓVEL (Caps Lock só porque vocês merecem) pelos fantásticos automóveis que a RUF produz. Ao que Alois Ruf agradeceu e respondeu com alguma solenidade “faço-o com paixão, só assim se pode vencer neste ramo”. Quase tive de segurar as lágrimas.

Agora sem exagero. Foi uma pena porque tinha muitas perguntas para fazer ao Sr. Ruf.

Entre outras coisas preparava-me para «puxar a brasa à minha sardinha» e dizer que o novo escritório da Razão Automóvel está inserido num «santuário» de clássicos da Porsche (e não só…) no centro de Lisboa, quando Alois Ruf se despediu de mim e foi ter com o «tal» cliente. Espero, pelo menos, que tenham fechado negócio.

Então, mais vais escrever sobre o RUF CTR 2017 ou não?!

Claro que vou. Mas ir a Genebra, graças ao crescimento apoteótico da Razão Automóvel (que se deve às vossas visitas diárias, continuem!), e depois não partilhar estes momentos convosco seria um desperdício. Além do mais, uma das vantagem dos meios online é que não há limite de caracteres e portanto… ok, ok, já percebi! O RUF CTR 2017.

Brutal, simplesmente brutal. É o primeiro modelo construído de raiz pela RUF. Além disso, é um modelo carregado de simbolismo. É o sucessor do seu modelo mais marcante: o CTR “Yellow Bird”. Uma besta lançada em 1987 com base no Porsche 911 (930 Turbo). Tinha dois turbos e desenvolvia mais de 469 cv de potência. Há uns tempos escrevemos isto:

“Os 469cv de potência gerados pelo seis cilindros boxer 3.200cc bi-turbo, oriundo do 911 e preparado pela casa alemã RUF, eram entregues sem dó nem piedade às rodas traseiras.”

Reforçamos o «sem dó nem piedade», até porque o Yellow Bird não tinha problemas nenhuns em deixar modelos como o Ferrari F40 a fazer contas à vida. Um modelo que ficou imortalizado neste vídeo (em baixo) realizado no Nürburgring, com o lendário Paul Frère ao volante, vencedor de Le Mans, ex-piloto de F1 e editor da Road & Track na Europa:

É uma verdadeira lição de condução em vídeo, não é? Pois saibam que Paul Frère foi dos primeiros jornalistas a conseguir reduzir por escrito, num manual prático, a arte de como pilotar um automóvel desportivo.

“Perguntámos a Marcel Groos que ajudas eletrónicas é que o CTR 2017 tinha e ele riu-se: “ABS e um volante”. Está tudo dito.”

O livro Sports Car and Competitive Driving de 1963 é, ainda hoje, uma obra de referência a que muitos instrutores de escolas de pilotagem continuam a recorrer.

Sim, é agora que vou escrever sobre o novo RUF CTR 2017.

Ali estava ele, a grande surpresa da RUF para esta edição do Salão de Genebra: o RUF CTR 2017. O sucessor da besta que dobrou as curvas do Nordshleife em powerslide.

As linhas da carroçaria, em tudo semelhantes às do Yellow Bird de 1987, não deixam adivinhar que por baixo daquela cor amarela está um chassis 100 % desenvolvido pela RUF. Marcel Groos, um dos responsáveis da marca explicou-nos todos os detalhes desta nova plataforma:

O chassis original do Porsche 911 (inspirado no 930 Turbo) deu lugar a uma plataforma em carbono com sub-estrutura frontal e traseira em aço de elevada resistência – o peso total do conjunto é de apenas 1197 kg. Tanto na dianteira como na traseira, o esquema de suspensões da Porsche deu lugar a suspensões do tipo «pushrod».

Apenas os faróis dianteiros com assinatura RUF e as novas luzes traseiras deixam adivinhar que estamos perante um modelo com tecnologia do século XXI. Por dentro, os cinco mostradores analógicos típicos dos Porsche 911 da era «air cooled» são coadjuvados por detalhes que nos remetem diretamente para os anos 80. É uma viagem de 30 anos que qualquer um de nós faz com muita satisfação.

Ajudas eletrónicas, sim claro…

… QUE NÃO! Os sortudos que conseguirem comprar um dos 30 exemplares do RUF CTR 2017 que a marca planeia produzir, vão ter de lidar com os 710 cv de potência e 880 Nm sem ajudas eletrónicas. Perguntámos a Marcel Groos que ajudas eletrónicas é que o CTR 2017 tinha e ele riu-se: “ABS e um volante”. Está tudo dito.

Será preciso doses massivas de talento ao volante para controlar o ímpeto do motor flat-six biturbo de 3.6 litros desenvolvido pela RUF. A caixa é manual (naturalmente…) e desmultiplica a força para as rodas traseiras através de um diferencial autoblocante. Vamos a números? Este motor é capaz de levar o CTR 2017 até os 100 km/h em menos de 3,5 segundos e até aos 200 km/h em menos de nove segundos. A velocidade máxima é de 360 km/h.

Brevemente no Nürburgring?

Foi uma das perguntas que queria ter feito ao Sr. Alouis Ruf e não consegui. Estou em crer que todo o mundo aguarda por uma reedição do vídeo original no Nürburgring.

Perguntei a Marcel Groos se está nos planos da marca fazer um vídeo semelhante com o novo RUF CTR 2017 e a resposta foi animadora. “Esperemos que sim, para já este exemplar ainda é único. Mas quando arrancar a produção do novo CTR é possível que uma das unidades dê uma «escapadinha» até ao Nürburgring”. Nós vamos cobrar!

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