E tu, também conduzes para descomprimir?

19/03/2017
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Sabem onde é que eu andava às 2 da manhã de ontem? Nem eu. Ao volante do novo Mazda MX-5 RF.

Este artigo não é bem sobre carros. Este artigo vadio, publicado às tantas da madrugada, é sobretudo um desabafo sobre o prazer de conduzir e sobre mais um punhado de banalidades. É para aqueles que seguem a Razão Automóvel há muito tempo e já se habituaram a estas divagações.

Quem é que nunca acabou a semana com vontade de mandar tudo dar uma curva? E quando apetece mandar tudo dar uma curva, o melhor remédio é mesmo sermos nós a ir dar a “tal” curva. Sem querer, eu fui dar essa curva…

Semanas que nunca mais acabam

Ontem saí tarde e cansado do escritório da Razão Automóvel. Farto! Mas mesmo farto de carros. Uma semana inteira a escrever e a falar sobre carros, depois de na outra semana ter levado com uma overdose de carros no Salão de Genebra.

Gostava de conhecer o génio de algibeira que um dia disse “quem corre por gosto não cansa”. Que grande mentira. Fazer o que gostamos dá muito trabalho e também cansa. Terminei esta semana a deitar potências, cilindradas, equipamentos de série e os problemas decorrentes da vida quotidiana de qualquer empresa pelos olhos.

O problema de fazermos da nossa vida profissional aquilo que mais gostamos, é que contaminamos esse “hobby” com os problemas normais de qualquer atividade – contas por pagar, contas por receber… o normal.

Testar um carro deixou de ser só conduzir, escrever deixou de ser só escrever.

Quando saí do escritório só me apetecia ir para casa descansar. Foi mesmo cansaço acumulado. Como sabem, não há nada que me dê mais prazer do que partilhar umas histórias com vocês aqui na Razão Automóvel – como esta por exemplo. Ou esta sobre o meu primeiro carro, e que já tem uma série de anos em cima.

“1ª velocidade, 2ª velocidade, 3ª velocidade. Conta rotações sempre a bater nas 5.500 rpm (não valia a pena esticar mais).”

O resto são artigos normais, onde impera a factualidade e o rigor que fizeram da Razão Automóvel aquilo que é hoje.

E já que te estás a dar ao trabalho de ler isto (eu disse que este artigo era só para os «duros» que nos seguem há mais tempo) mereces ficar a saber que em breve, muito breve, vamos lançar várias novidades aqui na Razão Automóvel.

Entre outras novidades, tu também vais poder contribuir com conteúdos para o nosso site.  Mas vamos voltar ao tema deste artigo e deixar as novidades para outra altura…

As coisas podem sempre piorar…

Saí do escritório e entrei no Mazda MX-5 RF com tanta vontade de conduzir como de levar uma carga de porrada à «antiga portuguesa».

Protestei com o facto do carro ser pequeno e baixo, e isto e aquilo. Liguei o motor, apontei as rodas para a Margem Sul e lá fui eu em direção a casa – dizendo uns palavrões mentais pelo caminho. A boa disposição era tanta que preferia estar ao volante do meu Mégane 1.5 dCi com 200.000 km – que por acaso está com um problema na anilha de um injetor – do que do MX-5 RF.

Voltando ao Mazda. “Raios partam isto! Quem é que mexeu no banco?”, impliquei com tudo no carro – tudo! Até que umas luzes, já ao pé da rotunda centro-sul, despertarem a minha atenção. “Operação STOP, pois então… era só que me faltava”. “Boa noite Sr. Condutor, os seus documentos por favor”. Foda-se esqueci-me da carteira no escritório!

“O carro devolve-nos a sensação de que somos nós que comandamos os acontecimentos.”

Só me faltava esta. Felizmente os agentes da autoridade não podiam ter sido mais compreensivos. Deixaram-me ir embora depois de mostrar umas fotocopias dos meus documentos e de ter soprado o balão – não acusei nada, óbvio. Mas fiquei tão desorientado que acabei por ir para o lado da Costa de Caparica em vez de seguir para Almada.

Mas também podem melhorar…

1ª velocidade, 2ª velocidade, 3ª velocidade. Conta rotações sempre a bater nas 5.500 rpm (não valia a pena esticar mais). E quando dei por mim estava a descarregar a frustração destes dias no pequeno japonês. E resultou caramba.

Tinha vindo todo o caminho a rogar pragas à indústria automóvel e de repente voltei ao meu estado normal: belo carro! Voltei a gostar de carros. Não que tivesse deixado de gostar, mas já não me lembrava da última vez que tinha conduzido com tanta satisfação.

Acabei por não voltar para trás na rotunda do Monte de Caparica. Decidi explorar as estradas secundárias pelas quais nunca tinha andado. Andei à procura de curvas e a tentar escapar aos radares de velocidade da A38.

Recolhi a capota metálica de acionamento elétrico (gosto mais do MX-5 com a capota de lona manual…), liguei o rádio e perdi-me pela Margem Sul. Sou alentejano, trabalho em Lisboa, mas vivo por cá. Foi fácil perder-me porque não conheço nada nesta margem.

A nuvem que tinha a pairar sobre a minha cabeça foi-se com o vento – talvez por ter recolhido a capota. Conduzir é mesmo o melhor remédio. Não resolvi problema nenhum mas fiquei com a cabeça limpa e nem foi preciso passar das 5.500 rpm.

Daquele momento em diante a minha vontade era ter conduzido até ao nascer do sol – só não o fiz porque fiquei com vontade de ir à casa de banho (um verdadeiro motivo de m… bosta!). Mas foi bom perder-me ao volante.

É por isto que gostamos de automóveis.

Há tanta coisa na nossa vida que não controlamos – a vontade de ir à casa de banho por exemplo (lol). E no meio disto tudo, o carro continua a ser uma excepção. Os carros ainda nos dão esse controlo, essa liberdade. Ao volante nós vamos por onde queremos, e como queremos! Se for num carro de tração traseira até pode ser de lado… deve ser de lado.

O carro devolve-nos a sensação de que somos nós que comandamos os acontecimentos. Curva à direita, trava. Curva à esquerda, acelera e muda de mudança. 5.500 rpm! Por acaso isto aconteceu num MX-5 RF – uma excelente companhia para este efeito – mas podia ter sido noutro carro qualquer.

É por estas e por outras que os carros preenchem o nosso imaginário. Aposto que estamos juntos nisto: já todos tivemos uma semana terrível em que só apetece pegar no carro e partir para algum lugar, não importa qual. O meu dia foi ontem, e o teu?

Aproveito para dedicar algumas palavras de apreço ao Mazda MX-5 RF que me aturou neste fim-de-semana atribulado.

Comportou-se à altura. Não é um desportivo com uma potência avassaladora (o motor 1.5 litros de 131 cv é justo), mas era exactamente o que eu precisava esta sexta-feira. Uma carro bem comportado, incisivo, que não me desafiasse e que fizesse tudo aquilo que eu lhe mandava fazer. E fez.

Foi uma excelente terapia. Recomendo. Conduzir é mesmo o melhor remédio…

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Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.