Ao volante do novo Mazda MX-5 RF

11/02/2017
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Mazda MX-5 RF-19
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Desde que a Mazda apresentou, em Março de 2016, o Mazda MX-5 RF, que os elogios não pararam de surgir. Nós fomos testá-lo a Barcelona e este é o nosso primeiro veredito.

É a segunda vez que sou escolhido para Yabusame (e se não sabes o que isso é, andas a faltar às aulas). A  última vez foi em 2015, quando a Mazda nos convidou para testar o Mazda MX-5 ND. Estamos de regresso a Barcelona e às mesmas estradas, mas desta vez o roadster mais vendido do mundo apresenta-se com uma capota rígida retráctil. Um “cavalo” que responde pelo nome de Mazda MX-5 RF.

O Mazda MX-5 RF (Retractable Fastback) pretende ser uma proposta elegante e direcionada para um público que procura um pequeno desportivo, descapotável e prático em todas as estações do ano. Mas será que mantém o espírito do Mazda MX-5?

Não há muitas dúvidas quanto ao potencial sucesso desta versão, para isso basta analisarmos os resultados das vendas da geração anterior: a versão coupé do MX-5 NC vendeu mais do que o roadster no final do ciclo de vida do modelo.

Mas este RF é mais do que um Mazda MX-5 com uma capota rígida e se me permitem dizer, mal conseguida na última geração – simplesmente não era tão elegante quanto o roadster. A solução encontrada para este RF fica-lhe a matar e dá-lhe um aspeto de targa que faz virar cabeças à sua passagem – podem confiar em mim,  been there done that.

A nova capota retráctil e uma série de desafios

Nesta alteração física profunda, os engenheiros da marca de Hiroshima tiveram de ter em conta três objetivos importantes: 1) o hardtop tinha de ser leve e compacto; 2)  a distância entre eixos tinha de ser a mesma e  3) o espaço interior não podia, de maneira alguma, ser sacrificado.

Após terem decidido ir por um caminho arriscado, que tornaria este RF num MX-5 que nunca ficaria 100% aberto, o resultado é uma verdadeira obra de engenharia e design para gáudio dos sentidos.

No modo descapotável, acionado através de um botão discreto na consola central (nesta versão o MX-5 perde a alavanca manual e todo o processo de acionamento da capota é 100% elétrico) as secções dianteira e central do teto de três peças desaparecem inteiramente por detrás dos assentos. Tudo isto em 13 segundos e até aos 10 km/h, o que leva a Mazda a reclamar o título de tejadilho retráctil com a abertura mais rápida do mercado.

Jinba Ittai e a importância de manter o espírito intacto

(Já foste ler o que é o Jinba Ittai? A história remonta a 1 185, é melhor começares agora…)

Se por um lado a solução encontrada para a capota era um problema resolvido, o adicional de 45 kg de peso sentido na balança levou a uma série de alterações físicas no carro. Tudo isto para que o Jinba Ittai (aquilo que todos sabemos o que é certo?…) não fosse beliscado.

Suspensão

Ao nível da suspensão, o Mazda MX-5 RF mantém o esquema de triângulos duplos à frente e de braços múltiplos atrás, no entanto, foram introduzidas alterações ao nível da afinação da barra estabilizadora dianteira e das molas, braços e batentes traseiros. A pressão do gás dos amortecedores também foi ajustada, para compensar o peso extra de 45 kg da capota.

Direção

No final do dia estas alterações não podiam afectar o feeling característico da direção do Mazda MX-5. A direção assistida elétrica de duplo pinhão, adotada para a atual geração MX-5 (ND) continua presente, mas teve de ser recalibrada para garantir um comportamento mais linear.

Segundo a Mazda foi necessário aumentar a assistência da direção para obtermos uma melhor resposta assim que começamos a rodar o volante. Quanto mais rodarmos o volante, mais reduz a assistência.

Ao volante

Duas malas pequenas e dois casacos bastaram para praticamente preencher os 127 litros de capacidade da bagageira. O cartão de visita do Mazda MX-5 continua a ser o mesmo, o que significa que uma roadtrip mais prolongada do que um par de dias, só mesmo no verão.

No interior o problema da arrumação mantém-se, não havendo praticamente nenhum local onde guardar objetos a não ser no porta-luvas situado entre os dois bancos e num pequeno compartimento junto ao travão de mão, onde cabe o smartphone… se não for muito grande. Algo a rever numa próxima atualização.

A primeira coisa em que este Samurai a cavalo reparou (vamos continuar nisto, por isso é bom que saibas o que é o Jinba Ittai…) foi nas alterações de que o quadrante foi alvo. Há um novo ecrã TFT a cores de 4,6 polegadas situado à esquerda do conta rotações e que substitui um ecrã monocromático. À parte disso, é o mesmo MX-5 de sempre e isso é exatamente aquilo que esperava.

Com a capota aberta, depois de 13 segundos de um movimento que espanta todos os que passam pela sua graciosidade, o feeling é de que estamos ao volante de um verdadeiro roadster. Ainda que nos faça sentir ligeiramente mais protegidos, o que está longe de ser um sentimento negativo.

Mazda MX-5 RF SKYACTIV-G 2.0

O primeiro dia é passado ao volante do Mazda MX-5 RF SKYACTIV-G 2.0. O motor atmosférico de 2.0 litros continua a presentear-nos com a sua força característica a baixa rotação, atingindo o binário máximo de 200 Nm às 4.600 rpm. Sem condutor e sem carga, esta unidade com caixa manual (vamos ignorar que agora existe uma caixa automática de 6 velocidades nesta motorização, ok?)  pesa 1 055 kg, o que continua a ser um excelente número nesta guerra das gorduras. Nesta versão mais vitaminada, os consumos ficam acima dos 8 l/100 km.

Os restantes números também são animadores: 7,5 segundos para cumprir o sprint dos 0 aos 100 km/h e 215 km/h de velocidade máxima. Para além de uma maior disponibilidade, este bloco traz consigo as tecnologias i-stop da Mazda e uma versão do sistema de regeneração de energia gerada na travagem i-ELOOP.

Mazda MX-5 RF SKYACTIV-G 1.5

No Mazda MX-5 RF SKYACTIV-G 1.5 de 131 cv estes números são menos entusiasmantes, mas todos sabemos que o MX-5 é mais do que uma tabela de especificações: 150 Nm de binário máximo às 4.800 rpm, 8,6 segundos para cumprir o sprint  dos 0 aos 100 km/h e 203 km/h de velocidade máxima.

O MX-5 SKYACTIV-G 1.5 exige mais trabalho de caixa quando queremos subir aquela estrada sinuosa, o que seria de esperar. No entanto, somos compensados pela interessante sonoridade metálica deste pequeno bloco. Por outro lado os consumos nesta motorização são mais reduzidos, com a média a ficar-se pelos 7 l/100 km.

Sem condutor, sem carga e com uma caixa manual de 6 velocidades (a única disponível)  pesa 1 015 kg.

É o carro ideal para mim?

Pode não ser o carro mais rápido que vais conduzir, mas tal como um verdadeiro Mazda MX-5 é divertido, ágil, equilibrado e acessível em situações limite – esse é o espírito. Escolhe uma boa estrada, abre a capota e deixa-te levar. Se a temperatura exterior estiver quase negativa como neste primeiro contacto, não há problema: existem bancos aquecidos para compensar, um opcional obrigatório.

Se procuras um descapotável versátil em qualquer altura do ano, com um preço acessível, custos de manutenção equilibrados e potência q.b, o Mazda MX-5 RF é sem dúvida uma proposta a ter em conta. Agora só te falta mesmo um na garagem. Com preços a começar abaixo dos 30 mil euros, dá que pensar…

Consulta aqui a tabela de preços do novo Mazda MX-5 RF

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Cofundador da Razão Automóvel | Aos 20 anos, o pai passou-lhe um Alfa Romeo para as mãos com 300 mil quilómetros e disse-lhe: "Faz-te à vida." Desde então tem feito amizade com mecânicos e condutores de reboque por este país fora. Na nossa primeira reportagem, ficamos apeados na A1.