Ao volante do novo Renault Kadjar

Fomos até ao Alentejo conhecer os argumentos do novo Renault Kadjar. Um modelo que aposta no espaço, no preço e no equipamento.

Chegou finalmente(!) a Portugal o Renault Kadjar, a mais recente proposta da marca francesa para o segmento C SUV. Digo finalmente porque o Kadjar já se encontra em comercialização há mais de um ano (18 meses) em toda a Europa. Em toda a Europa exceto, claro está, em Portugal, devido à lei nacional (absurda…) que empurrou o Kadjar para a Classe 2 nas portagens.

Para comercializar o Kadjar em Portugal, a Renault teve de operar algumas modificações na estrutura do modelo, de modo a que o Kadjar pudesse ser homologado como veículo de Classe 1 nas autoestradas nacionais. Mudanças essas que entre estudos, produção e homologação roubaram mais de 1 ano à marca. Mas graças a isso, hoje o Kadjar é Classe 1 nas portagens, desde que equipado com Via Verde.

Valeu a pena esperar?

Dou-vos já a resposta. A resposta é sim. O Renault Kadjar é um SUV confortável, bem equipado e com bastante espaço a bordo. O motor 1.5 DCi (a única motorização disponível no mercado nacional) é um excelente aliado deste modelo, mostrando-se despachado Q.B. e oferecendo em troca consumos comedidos, pouco acima dos 6 litros por cada 100 km num andamento despreocupado.

O comportamento dinâmico também nos convenceu. Uma qualidade à qual não será alheia a adopção de uma suspensão independente multibraços no eixo traseiro que responde com disciplina às solicitações mais violentas do condutor. Tudo isto sem comprometer o conforto, mesmo na versão XMOD, equipada com pneus Mud & Snow e jantes de 17 polegadas.

O Kadjar que testámos estava ainda equipado com o sistema Grip Control, um sistema avançado de controlo de tração, que proporciona uma maior aderência em condições de circulação mais difíceis (neve, lama, areia…). Em estradas de asfalto, secas ou molhadas, deve ser selecionado o modo “Estrada” no Grip Control. Neste modo, o sistema oferece uma configuração de tração convencional controlada pelo ESC/ASR. Para as condições mais precárias podemos escolher os modos “Fora de Estrada” (o ABS e ESP ficam mais permissivos) e “Expert” (ajudas totalmente desligadas) – estes dois modos só estão disponíveis até aos 40km/h.

Por dentro, melhor que a qualidade dos materiais (que em alguns casos podia ter sido mais feliz) é a montagem. Bastante rigorosa, sentindo-se solidez em todos os painéis – se forem como eu, intolerante aos barulhos parasitas, aparentemente poderão ficar descansados durante milhares de km’s ao volante do Renault Kadjar. Os bancos dianteiros oferecem um excelente apoio e a posição de condução é correta. Atrás, dois adultos conseguem viajar com toda a comodidade, sobrando espaço até para os movimentos mais amplos. Abrindo a bagageira, apesar dos 472 litros de capacidade serem curtos, graças às soluções empregues pela marca (piso falso e divisórias) são suficientes para «engolir» bagagens, cadeiras, carrinhos e até pranchas de surf (rebatendo os bancos traseiros).

Equipamento justo

Apesar da lista de equipamento estar recheada, nota-se neste particular os 18 meses do projeto. Nomeadamente no sistema RLink 2 com ecrã de 7 polegadas, que ainda não suporta os sistemas Apple CarPlay, Android Auto e MirrorLink.

Ainda assim, o R-Link 2 está equipado com comando de voz para a navegação, telefone e aplicações, para um acesso fácil e seguro às funcionalidades. A oferta multimédia do R-Link 2 inclui doze meses gratuitos do TomTom Traffic, informações de trânsito em tempo real da TomTom, atualizações do mapa da Europa e acesso à R-Link Store para transferir aplicações (gratuitas ou pagas).

Em termos de ajudas à condução, os principais sistemas foram relegados para a lista de opcionais. Podemos optar pelo Pack Safety (sistema de ajuda ao estacionamento, controlo do ângulo morto, travagem de emergência ativa) que custa 650 euros, ou pelo Pack Easy Parking (Easy Park Assist, câmara de marcha atrás e controlo do ângulo morto) que custa 650 euros.

Falando dos opcionais de conforto há o Pack Confort (estofos em couro, banco do condutor elétrico, aquecimento dos bancos dianteiros, volante em couro) por 1.700 euros, e ainda o Pack Teto Panorâmico que custa 900 euros.

Alentejo.

Uma foto publicada por Razão Automóvel (@razaoautomovel) a

Todas as versões disponíveis em Portugal vêm equipadas com comandos no volante, cruise-control, ar-condicionado automático, travão de estacionamento automático, sistema de ignição sem chave, etc.

Resumindo

Se há marcas que sabem interpretar as necessidades dos clientes portugueses, uma dessas marcas é certamente a Renault – prova disso mesmo são os números das vendas do grupo francês no nosso país. Não tenho dúvidas que o Renault Kadjar, por aquilo que oferece e pelo preço que custa vai conhecer uma carreira comercial de sucesso no nosso país. É confortável, bem comportado, tem um motor competente e poupado e um design apelativo (um campo sempre subjetivo).

É pena que os principais sistemas de ajuda à condução tenham ficado na lista de opcionais e que a escolha de alguns (poucos) materiais não tenha sido mais feliz. Defeitos que no entanto não beliscam as muitas virtudes deste modelo. O Renault Kadjar já está disponível em Portugal a partir de 29.710€ (versão XMOD). Já a versão Exclusive fica por 31.600€.

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