Saab de regresso à indústria automóvel

Calma. Não é a Saab que produz automóveis, é a outra. Aquela que faz aviões.

Em 1990 que a companhia Saab fez um spin-off da sua atividade, dividindo-se em duas empresas distintas: a Saab Automobile (automóveis) e a Saab Group (aviação, armamento, software e sistemas de radar).

Um spin-off motivado pelo interesse da General Motors (GM) na parte automóvel do grupo sueco.

A aquisição acabou por concretizar-se nesse mesmo ano, e durante 20 anos a Saab Automobile esteve sob a alçada da GM. Esta aliança como sabem, não correu bem. Durante este período a marca acumulou prejuízos atrás de prejuízos, ano após ano, até que em 2010 a GM decidiu dizer «basta» e vendeu a Saab aos alemães holandeses da Spyker.

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Não tardou muito até que a própria Spyker declarasse insolvência, em parte motivada pela aventura que foi comprar a Saab. Resultado: os despojos da marca foram vendidos a uma nova empresa, a New Eletric Vehicles Sweden, que pretende lançar em 2017 um modelo 100% elétrico baseado no pré-histórico Saab 9-3.

Entretanto, também o governo turco comprou uma licença para produzir a sua própria versão deste “novo” modelo. Boa sorte.

E o que é que aconteceu à Saab “dos aviões”?

A Saab Group desde então tem prosperado, produzindo aviões, mísseis, sistemas de radar, software de guerra, entre outros “brinquedos”. E é exatamente através da sua tecnologia e know-how em sistemas de radares que a Saab quer voltar a entrar na indústria automóvel, vendendo o seu know-how nesta área às marcas de automóveis.

Como sabem, a especialidade das marcas de automóveis não é propriamente os sistemas de radares. Só há alguns anos é que as marcas têm apostado neste campo devido às necessidades específicas dos sistemas de condução autónoma. A Saab Group por seu turno, já tem muitos anos acumulados de experiência nestes sistemas, numa indústria igualmente exigente: a indústria militar.

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O plano da Saab Group de acordo com o jornal sueco SvD Naringsliv – pois, isso… – é disponibilizar às marcas de automóveis um sistema de radar baseado naquele que será usado na próxima geração de aviões de combate da marca, o Gripen E, que estará ao serviço da Flygvapnet (Força Aérea da Suécia) em 2019.

Segundo a marca, o Gripen E recorre a um radar de última geração que recorre a semicondutores fabricados em Nitreto de gálio. Graças ao recurso a este material é possível produzir radares mais potentes, capazes de alcançar leituras a distâncias superiores. Outra das vantagens é que estes radares, apesar de mais potentes, são mais compactos e leves. Outra das vantagens é que estes novos radares já são compatíveis com a próxima geração de ligação de dados móveis 5G.

Em declarações a esta publicação, Hakan Buskhe, CEO da Saab Group, revelou os planos da companhia: “na primavera de 2017 queremos arrancar com a nova empresa direcionada para soluções tecnologias para a indústria automóvel. Já começámos as negociações com algumas marcas de automóveis e nesta primeira fase pretendemos dar primazia às marcas europeias”.

Para quem sonhava ver a marca Saab de volta às estradas, ainda não é desta.

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